Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza
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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2006

30.04.06

Coreografia

categorias: Poetando

"No palco da noite bailado de corpos. Cenário de sombras, esculpidas em nu, tu danças as mãos, inscreves contornos na minha nudez. Eu sou dimensão que dança em teu espaço. Não temos cansaço, só temos volúpia, desejo, harmonia, vontade de luta. Ao longo de ti descubro caminhos, trajeto de boca. E danço contigo, e esqueço a memória. Eu sou o teu sangue, mesma saliva, o mesmo suor. Nós somos a mesma mulher-repetida."

(poesia de Manuela Amaral, poetisa portuguesa e
pintura de Tamara de Lempicka, pintora polonesa)

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*Preceitos para a mulher através dos séculos*

categorias: É bom saber

Fico indignada quando leio alguma coisa a respeito de conceitos, preceitos ou tratados criados por homens e que contribuíram, através dos tempos, para a formação de uma mentalidade preconceituosa e violenta contra a mulher. Fico mais emputecida ainda quando vejo que religiões cujos livros concebidos sob “inspiração divina” e escritos por homens, seja Velho ou Novo Testamento, o Talmude, o Corão, o livro sagrado desta ou daquela religião, colocam o homem acima da mulher e concedem ao macho a autoridade para dominar, praticar crueldades, desumanidades e degradar. Somando-se a isso ainda existiram leis outorgadas por esse ou aquele monarca que acabaram por legitimar o direito do homem de bater, violentar, torturar e matar a mulher. Para vocês algumas regras de conduta, opiniões ou conselhos para a mulher através dos séculos...É de arrepiar!

"Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que este se dê a outros amores, a mulher virtuosa deve reverenciá-lo como a um deus. Durante a infância, uma mulher deve depender de seu pai, ao se casar de seu marido, se este morrer, de seus filhos e se não os tiver, de seu soberano. Uma mulher nunca deve governar a si própria."
Leis de Manu (Livro Sagrado da Índia)

"A mulher que se negar ao dever conjugal deverá ser atirada ao rio."
Constituição Nacional Suméria (civilização mesopotâmica, século XX A.C.)

"Quando uma mulher tiver conduta desordenada e deixar de cumprir suas obrigações do lar, o marido pode submetê-la à escravidão. Esta servidão pode, inclusive, ser exercida na casa de um credor de seu marido e, durante o período em que durar, é lícito a ele (ao marido) contrair novo matrimônio"
Código de Hamurabi (Constituição Nacional da Babilônia, outorgada pelo rei Hamurábi, que a concebeu sob inspiração divina, século XVII A.C.)

"A mulher deve adorar o homem como a um deus. Toda manhã, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados, perguntar-lhe: Senhor, que desejais que eu faça?"
Zaratustra (filósofo persa, século VII A.C.)

"As mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos."
Péricles (político democrata ateniense, século V A.C., um dos mais brilhantes cidadãos da civilização grega)

"A mulher é o que há de mais corrupto e corruptível no mundo."
Confúcio (filósofo chinês, século V A.C.)

"A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior."
Aristóteles (filósofo, guia intelectual e preceptor grego de Alexandre, o Grande, século IV A.C.)

"Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se querem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos."
São Paulo (apóstolo cristão, ano 67 D.C.)

"Os homens são superiores às mulheres porque Alá outorgou-lhes a primazia sobre elas. Portanto, dai aos varões o dobro do que dai às mulheres. Os maridos que sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-las: deixá-las sós em seus leitos, e até bater nelas. Não se legou ao homem maior calamidade que a mulher."
Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos, escrito por Maomé no século VI, sob inspiração divina)

"Para a boa ordem da família humana, uns terão que ser governados por outros mais sábios que aqueles; daí a mulher, mais fraca quanto ao vigor da alma e força corporal, estar sujeita por natureza ao homem, em quem a razão predomina."
São Tomás de Aquino (italiano, um dos maiores teólogos católicos da humanidade, século XIII)

"Inimiga da paz, fonte de inquietação, causa de brigas que destroem toda a tranqüilidade, a mulher é o próprio diabo."
Petrarca (poeta italiano do Renascimento, século XIV)

"O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia."
Lutero (teólogo alemão, reformador protestante, século XVI)

"As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios."
Henrique VII (rei da Inglaterra, chefe da Igreja Anglicana, século XVI)

"Enquanto houver homens sensatos sobre a terra, as mulheres letradas morrerão solteiras."
Jean-Jacques Rousseau (escritos francês, precursor do Romantismo, um dos mentores da Revolução Francesa, século XVIII)

"Todas as mulheres que seduzirem e levarem ao casamento os súditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas, dentes postiços, perucas e recheio nos quadris, incorrem em delito de bruxaria e o casamento fica automaticamente anulado."
Constituição Nacional Inglesa (lei do século XVIII)

"A mulher pode ser educada, mas sua mente não é adequada às ciências mais elevadas, à filosofia e algumas das artes."
Friederich Hegel (filósofo e historiador alemão do século XIX)

"Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o direito de derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e quebrar-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguajar ousado."
Le Ménagier de Paris (Tratado de conduta moral e costumes da França, século XIV)

"A língua da mulher não cala, nem mesmo depois de cortada"
"A mulher tem o veneno de uma áspide e a malícia de um dragão"
São Gregório

"A mulher é a arma do diabo"
"Sem a intervenção da mulher nunca o Diabo levaria os homens de vencida"
Santo António

"A mulher é a isca venenosa de que se serve o Diabo para se apoderar das nossas almas"
São Cipriano

"A mulher é o dardo agudo do Demónio que por ela venceu Adão, fazendo-lhe perder o Paraíso"
São Bernardo

"De todas as bestas ferozes nenhuma é mais perigosa que a mulher"
São João Crisóstomo

"A mulher é uma ténia furiosa que tem sede no coração do homem"
São João Damasceno

"É um problema saber se as mulheres ressuscitarão no seu sexo. Seria de recear que nos induzíssemos à tentação diante do próprio Deus"
Santo Agostinho

"Nem tenha a cabeça descoberta, porque não só a voz mas também os cabelos da mulher são coisas indecentes"
"O homem não foi tirado da mulher mas a mulher do homem"
São Paulo

"Não permito que a mulher ensine"
Santo Timóteo

"Nem ensine nem cante nas igrejas o que seria torpeza"
"Digo que bom seria a um homem nunca tocar mulher alguma"
Paulo de Corinto

"A mulher cujos lábios são como o favo que destila o mel, mas o seu fim é amargo como o absinto, talhante como a espada de dois gumes, os passos dela penetram até ao inferno e aquele que chegar a ela nunca mais fica limpo"
Salomão

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Símbolos de gênero e da comunidade GLBT

categorias: É bom saber, O que é?

Símbolos de Gênero

 

Os símbolos de gênero baseiam-se nos signos astrológicos que existem desde o tempo da Roma antiga. O símbolo de Vénus com uma cruz representa o feminino, e o símbolo com uma seta, de Marte, representa o masculino.

 

Os símbolos de Vênus e de Marte entrelaçados formam o símbolo da heterossexualidade.

Símbolos da comunidade GLBT

  

Símbolos masculinos e femininos duplicados têm sido usados frequentemente como símbolos de gays e lésbicas desde o início da década de 70. Símbolos duplos femininos também foram utilizados pelas feministas, denotando irmandade, e o símbolo triplo feminino tem sido utilizado para demonstrar a rejeição aos padrões masculinos de monogamia. Os símbolos feminino e masculino juntos foram utilizados para demonstrar os objetivos em comum de gays e lésbicas. Recentemente, algumas variações dessas combinações aconteceram: símbolos masculino e feminino juntos representam a conscientização de heterossexuais.

   Lambda

Escolhido pela New York Gay Activist Alliance em 1970 como símbolo do movimento gay, o Lambda é letra grega que equivale ao "L". Uma bandeira de guerra com Lambda foi desfraldada por um pelotão de guerreiros gregos mais velhos que eram acompanhados à batalha por seus jovens amantes e demonstravam sua impetuosidade e desejo de lutar até a morte. Este símbolo também foi escolhido pelo Congresso Internacional de Direitos Homossexuais que aconteceu em Edinburgo, Escócia em 1974. Hoje o Lambda é considerado um símbolo dos direitos de gays e lésbicas. As razões de seu uso pela comunidade LGBT são incertas, mas ela é bastante utilizada no exterior. No Brasil, é pouca conhecida no entanto.

   Bandeira do Arco-Íris

Este símbolo se tornou, sem dúvida, o mais conhecido símbolo da comunidade LGBT em todo o mundo. Ela foi elaborada pelo artista plástico Gilbert Baker em 1978, quando ela apareceu pela primeira vez na "San Francisco Gay and Lesbian Freedom Parade". Gilbert Baker, criou a bandeira e, ajudado por trinta voluntários, costurou e tingiu a mão duas bandeiras gigantes para a marcha. Originalmente com 8 cores com cada cor representando partes da comunidade: rosa choque para o sexo; vermelho para o fogo; laranja para a cura; amarelo para o sol; verde para natureza; turquesa para as artes; azul indigo para harmonia; violeta para o espírito. No ano seguinte Baker produziu bandeiras em massa através da San Francisco Paramount Flag Company. Foi nesta época que as cores tiveram uma pequena alteração; problemas de produção impediram que o rosa-choque e turquesa aparecessem na bandeira produzida comercialmente. Paralelamente, azul real substituiu o azul indigo por ser uma cor mais fácil de se encontrar. Esta bandeira foi rapidamente reconhecida como o símbolo que poderia representar a comunidade gay. Ela representa também a unidade na diversidade e, hoje, aparece sozinha, ou em combinação com os outros símbolos LGBT, em bandeiras, impressos, adereços, em tudo que se pode imaginar.A maior bandeira do arco-íris apareceu em 1994, no 25th Anniversary of Stonewall Celebration, com cerca de 10m de largura e 15m de comprimento e foi carregada pelas ruas de Nova York. Uma das variações mais comuns da bandeira do arco-íris são os freedom rings, criados por David Spada.

Símbolos Lésbicos

 Símbolo de Vênus

Quando aparece sozinho é o símbolo da mulher, utilizado das mais diferentes formas pelo movimento feminista. Quando aparece em dose dupla e entrelaçado é um dos mais conhecidos símbolos lésbicos. Quando aparece em dose tripla ou mais pode tanto ser símbolo das lésbicas quanto da união das mulheres. É igualmente utilizado em adereços (brincos e colares), camisetas e impressos em geral.

   Labrys

O machado de dupla lâmina (labrys) é outro símbolo lésbico, atualmente mais conhecido. O Labrys é um machado duplo e era utilizado como cetro pela Deusa Demétria - Artemis, Deusa da Terra. Acredita-se que os rituais associados à adoração de Demétria envolviam atos lésbicos. O Labrys tem muitas ligações com as mulheres e o feminismo - nenhum elo foi claramente estabelecido como a razão para seu uso como símbolo lésbico. Um teoria sugere que ele possa ter sido usado originalmente na batalha das mulheres guerreiras Cíntias. Outra teoria aponta que o machado é utilizado normalmente em muitas sociedades matriarcais. Existe também uma pista que o liga aos exércitos de amazonas em peças gregas de artesanato. As Amazonas tinham um sistema de duas rainhas e eram conhecidas como guerreiras raivosas e sem piedade nas batalhas, porém justas e corretas quando vencedoras. Hoje o Labrys tornou-se um símbolo da força e auto-suficiência lésbica e feminista. Aparece também nas mais diferentes cores e formatos e é utilizado em adereços, camisetas, tatuagens, impressos, etc...

   Triângulo negro

Apesar das lésbicas não serem incluídas no Parágrafo 175, havia uma evidência que elas também foram perseguidas pelos nazistas. O ideal nazista de feminilidade focalizava as crianças, a igreja, cozinhar e a família. O triângulo negro era o símbolo que os nazistas costuravam na roupa das prisioneiras de seus campos de concentração que saíam dos padrões esperados para a mulher do Terceiro Reich (esposa, mãe e dona de casa). Lésbicas, prostitutas, mulheres sem crianças, mulheres políticas envolvidas na resistência ao nazismo (não-judias) e aquelas com peculiaridades “anti-sociais” tinham as roupas marcadas com este símbolo que há alguns anos foi resgatado por ativistas lésbicas como símbolo de resistência ao preconceito e a opressão.Similar ao triângulo rosa, o triângulo negro tornou-se tanto um símbolo do orgulho lésbico quanto do feminismo.

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categorias: É bom saber, O que é?

Símbolos gays

 Símbolo de Marte

Quando sozinho, representa o homem, quando duplo e entrelaçado representa os homens homossexuais. É amplamente utilizado pela comunidade gay internacional tanto como adereço como em todo tipo de camiseta, impresso, bandeira, etc...

 Triângulo rosa

É o símbolo da comunidade gay mais reconhecido mundialmente, datando anteriormente à Segunda Guerra Mundial e, como o triângulo preto, nos remete aos tenebrosos campos de concentração nazista, onde os homens homossexuais eram obrigados a utiliza-lo para identificação. Ao contrário do triângulo preto, no entanto, que identificava diferentes tipos de mulheres, este símbolo era específico para os gays. Apesar dos vários grupos atacados pelos nazistas, os homossexuais frequentemente não constam dos livros de história. Em 1935, o Parágrafo 175, uma cláusula das leis alemãs que proibia relações homossexuais, foi revista por Hitler e incluindo beijos, abraços e fantasias gays assim como atos homossexuais. Estima-se que 25.000 pessoas foram mandadas para prisão entre 1937 e 1939 e depois para campos de concentração. Naquela época a sentença era a esterilização, geralmente através da castração.Em 1942, Hitler ampliou a punição para morte. Cada prisioneiro nos campos de concentração tinham um triângulo colorido invertido para indicar a razão de sua prisão. Algum dos mais comuns eram o vermelho para prisioneiros políticos, verde para criminosos comuns, dois amarelos para judeus, preto para crimes anti-sociais(sic) e rosa para homossexuais. Aos prisioneiros com triângulos rosa eram dadas as piores tarefas e eram o foco de ataque de outros prisioneiros, assim como dos guardas da prisão. A estimativa de homens gays assassinados durante o regime nazista alcança mais de 100.000 pessoas. Quando a guerra terminou, prisioneiros homossexuais permaneceram encarceradaos, já que o Parágrafo 175 ainda era lei vigente na Alemanha Ocidental até sua revogação em 1969. Nos anos 70 os gays reapresentaram o triângulo rosa como símbolo do movimento de direitos gays. É um símbolo facilmente reconhecido e serve como um lembrete da opressão e preconceito constantes sofridos pelos gays desde então. Com o moderno movimento de libertação homossexual, o triângulo rosa foi resgatado pelos homens que amam homens como símbolo de orgulho e de resistência contra a opressão.

Símbolos bissexuais

 

Os duplos signos de Vênus e de Marte entrelaçados formam o símbolo da bissexualidade bem como os triângulos azul e vermelho sobrepostos.

Símbolos andróginos e transgênero

 

Os signos de Vênus e de Marte unidos em um mesmo símbolo representam a androginia e também a transexualidade.

    

O símbolo do deus Mercúrio é outro dos símbolos dos transgêneros. O signo astrológico de Mercúrio tornou-se um símbolo tradicional dos travestis. Na mitologia grega Hermes (a versão grega de Mercúrio) e Afrodite (a deusa do Amor) tiveram um filho chamado Hermaphroditus. A criança possuía tanto os orgãos masculinos quanto os femininos. Esta é a origem do termo moderno "hermafrodita". Além disso, alguns rituais associados à adoração de Afrodite acreditavam-se ter envolvimento com castração, travestismo e homossexualidade. Este símbolo em si denota o masculino - a lua crescente em cima -, o feminino - a cruz embaixo - com o anel representando o individual e equilibrando os dois.

 

Uma miscelânea dos signos de Vênus e de Marte também representa os transgêneros.

Símbolos da comunidade sadomasoquista, bondage, leather, etc..

  

A comunidade SM (sado-masoquista), leather e sexualmente aventureira costuma ser identificada pela bandeira negra e azul com um coração vermelho ou com uma variante da bandeira do arco-íris com uma das faixas preta.

 

Outro símbolo da comunidade SM é o círculo amarelo com três partes internas em preto que lembram de um lado o símbolo do taoísmo e o chakram da Xena.

Símbolos da comunidade dos Ursos

  

Os Ursos, gays que são e gostam de homens encorpados e peludos, se fazem representar por variantes de uma bandeira cuja principal característica é ter a pata de um urso impressa em seu canto superior esquerdo.

Mais alguns símbolos

Calamus
Planta atribuida por Walt Whitman como símbolo do amor homoerótico.

Ladslove
Planta utilizada pelos poetas do séc.XIX como símbolo do homossexualismo.

Verde
Tanto na Roma Antiga quanto na Inglaterra do séc.XIX, a cor verde normalmente era associada ao homossexualismo.

Lebre, hiena e doninha
Três animais associados à homossexualidade masculina, supostamente devido à uma epístula do séc.I de Barnabus.

Phoenix
Uma sugestão de Robin Tyler, já que a Phoenix, um pássaro mitológico, queimava e se levantava de suas cinzas mais glorioso a cada cinco séculos.

Gravata vermelha
Um acessórido de moda utilizado por alguns homens, no início do séc.XX, como um sinal para que outros soubessem que eles também eram gays.

Anel rosa
Mais um artigo de moda muito utilizado durante os anos 50, 60 e início dos 70. Alguns acreditavam em raízes primitivas e místicas já que o dedo mindinho representa a espiritualidade.

Rinoceronte
Ativistas de Boston decidiram iniciar um campanha na imprensa para cimentar um símbolo para o movimento gay. O rinoceronte foi escolhido por ser um animal mal compreendido, super-dócil e inteligente.

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Ser mulher não basta

categorias: Definindo II

"São tantas as boas notícias de mulheres vencendo no mundo dos homens que a gente acaba achando que a solução para todos os problemas está no gênero, mais precisamente no gênero feminino. Por que não entregar tudo às mulheres? Por que não fazer, por exemplo, como o Chile, que, abandonando sua tradição machista e conservadora, resolveu colocar na presidência da República Michelle Bachelet, uma mulher cuja trajetória de vida é um modelo de integridade? Aliás, a socialista Bachelet é presidente ou presidenta? No Brasil não se sabe nem como chamá-la. “O brasileiro, pouco acostumado a ver mulheres presidindo qualquer coisa, só usa a forma presidente”, escreveu o jornalista Ancelmo Góis a propósito da eleição da jurista Ellen Gracie, a primeira mulher a comandar o Supremo Tribunal Federal. As duas formas são corretas, e é possível que com o tempo e o uso se adote a que é declaradamente feminina: presidenta. A propósito, informa ainda o colunista que o Poder Judiciário é cada vez mais feminino, assim como estaria havendo, de acordo com um teórico americano, uma “feminização contínua da vida política nacional e internacional”. Pode-se abordar a questão por outro ângulo: em vez da presença, a ausência; em lugar da quantidade, a qualidade. Ou seja: mais significativo do que quantificar a freqüência feminina nos vários níveis de poder, é registrar o quanto é minoritária a participação da mulher em atos e episódios abomináveis. Não há, ao que se saiba, nenhuma mulher comandando facções do tráfico de drogas. Nunca houve uma Fernandinha Beira-Mar. Também não se ouviu falar – pelo menos até agora – de uma mulher à frente do esquema do mensalão. Houve evidentemente as secretárias, as esposas, mas como cúmplices, por solidariedade, não como protagonistas. Quer dizer: não apareceu nenhum Marcos Valério ou Delúbio de saia. Bad boy é uma categoria que parece ter sido feita só para o gênero masculino. Essas coincidências, porém, não autorizam a visão romantizada de uma história feita apenas de Joanas D’Arc e Madres Teresas de Calcutá. Entre umas e outras houve muitas Marias Antonietas pelo caminho, mulheres capazes de fazer muito pior do que a última rainha da França, que sugeriu ao povo faminto que comesse brioches, já que não havia pão. Ela ficou famosa por isso, mas não sei se, em matéria de insensibilidade, ela perde para a ex-secretária de Estado dos EUA Madeleine Albright, que ao ser inquirida sobre a morte de milhares de crianças no Iraque disse: “Essa é uma pergunta difícil. Mas, sim, achamos que valeu a pena”. Cada gênero, portanto, tem do melhor e do pior. Logo que a Bachelet foi eleita, assisti a uma conversa em que um certo espírito feminista exaltava o sonho de que um dia o Brasil fosse governado por uma mulher, o que, por si só, parecia ser a solução. Até que alguém transformou o sonho em pesadelo, lembrando que isso já acontecia no estado do Rio de Janeiro, com os estragos conhecidos. Quer dizer, não basta ser mulher ou não basta se chamar Rosa para ser uma flor do nosso jardim."

(por Zuenir Ventura – jornalista, professor universitário e escritor)

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