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"Outro dia estava numa mesa de bar com amigos e o assunto era casamento gay. A pergunta da vez: por que afinal gays fazem questão de casar? Posso falar por mim apenas. E a questão é que eu não sei se quero casar, mas certamente quero ter o direito de fazê-lo. Quero mais, na verdade. Quero ter a chance de dizer não. Chance essa que hoje eu não tenho. Embora, para mim, casar seja mais do que qualquer papel assinado e mais do que a bênção de um representante de Deus – seja, na real, um estado de espírito: cozinhar junto todas as noites, negociar o canal da TV, ir ao supermercado e brigar pela marca da pasta de dente, ligar para saber o que vamos fazer hoje, para dizer eu te amo ou simplesmente para avisar que esqueceu de pagar a conta do telefone, acordar num domingo qualquer e saber que temos o dia inteiro para não fazer nada. E, acima de tudo, querer voltar para casa. Porque, para decepção de muitos, nós, gays, não passamos as noites drogados em bares, agendando surubas kamassútricas ou perdidos em orgias sem fim. Ainda que haja aqueles representantes da classe que gostem da “vida loca” (lifestyle que engloba homos e héteros e que não pode jamais ser confundido com sexualidade), no fim das contas, para frustração de muitos, fazemos as mesmas coisas que você."
(por Milly Lacombe – jornalista)
Misturar salivas, excitar sentidos, contorcer, rodear em círculos, arrepiar, inundar, sorver o prazer sentido...
Mara*
Tipos clássicos de ‘modus-operandi’ na hora de dizer tchau!
Lésbicas adoram relacionamentos exclusivos e duradouros. Lésbicas amam longos relacionamentos, mas são experts em separações. Embora seja uma generalização, não há quem discorde: é só olhar em volta para constatar que a maior parte de suas amigas bolachas está namorando alguém. Claro, há lésbicas avulsas, como as tão novas que ainda não sabem catar menina ou as que estão atravessando aquele breve intervalo entre um relacionamento e outro. Há também as que são solteiras porque vivem trancadas num armário pequeno demais para duas pessoas ou aquelas que são tão exigentes que nenhuma mulher consegue ser boa o suficiente para elas. Mas estas são exceções. A preferência lésbica por casamentos duradouros é um fenômeno estabelecido, comentado, pesquisado, explicado, difundido e tido como verdade universal dentro do mundo GLS. Entretanto, esses casamentos não são eternos, o que faz com que as lésbicas, mestras no cultivo de relacionamentos longos, se transformem também em experts em separações. Após anos observando em volta, depois de ler inúmeras biografias de lésbicas famosas e, principalmente, baseada em minha própria experiência, passei a identificar as garotas de acordo com suas atitudes diante de uma separação. Obviamente, trata-se de uma classificação arbitrária e não-científica e uma mesma garota pode adotar procedimentos diferentes ao longo de sua vida. Vamos a elas:
A Barriguda - esse é aquele tipo de garota que percebe que o casamento está terminando, mas se recusa a aceitar o fato porque tem medo de ficar sozinha, não tem coragem de dizer o que sente ou então não quer assumir a responsabilidade de terminar o namoro. Como conseqüência, ela começa a empurrar o relacionamento com a barriga até que ele se dissolva e fique tão chato que ambas as partes resolvam pela separação, antes que morram de tédio.
A Precavida - esse tipinho é aquele que só termina um relacionamento se já estiver com outra namorada em vista. Geralmente, quando sente que o casamento está com dias contados, a precavida sai à procura de pretendentes e até pula a cerca vez ou outra, a título de test-drive. No momento exato em que encontra uma amante promissora, ela desfaz seu casamento e se muda, de mala e cuia, para a casa da nova namorada.
A Psicosapa - esta, por definição, jamais termina um relacionamento. Invariavelmente, é sua namorada quem pede a separação e, quando isso acontece, a psicosapa faz questão de destruir tudo em volta: quebra pratos, rasga retratos e aniquila qualquer coisa que possa servir de recordação no futuro. Depois, sai pela cidade espalhando podres da ex, fazendo campanhas de esclarecimento para que nenhuma mulher jamais se aproxime daquela que destruiu seu coração. Depois que se separa, é muito comum a psicosapa perseguir a ex por meses, incansavelmente. Esse tipo de garota guarda muitas mágoas e isso faz com que ela demore mais tempo que o normal para engatar outro relacionamento.
A Enfermeira - quando termina um romance, o tipo "enfermeira", ao contrário da "psicosapa", gosta de colar os caquinhos e cuidar da ex-namorada até que fique tudo bem entre elas. Esse tipo é aquele que, mesmo de namorada nova, visita a ex todo fim de semana e telefona quase sempre para saber se está tudo bem. Boa e generosa, ela até se esforça para providenciar novas paixões e pretendentes para a ex, chegando ao extremo de leva-la para a balada junto com a nova namorada, só para que a ex não fique muito solitária.
A Barraqueira - é aquele tipo de garota que não consegue terminar um namoro sem fazer um barraco. Muitas vezes, a "barraqueira" é confundida com a "psicosapa", mas há uma diferença básica: enquanto a "psicosapa" atua na surdina, conspirando em silêncio, fazendo campana e espalhando fofocas, a "barraqueira" é mais explícita, brigando em público, podendo apelar para a violência física. Geralmente, a "barraqueira" não consegue partir para outro relacionamento sem antes dar uns bons tabefes na (ou levar uma bifa da) ex.
A Vai-e-Volta - bem comum entre as lésbicas, o tipo "vai-e-volta" geralmente se casa com outro tipo "vai-e-volta". Elas terminam o namoro, depois reatam, na seqüência rompem novamente, depois voltam a namorar e, se alguém resolve perguntar a elas se são namoradas, nem elas sabem dizer. Esse tipo adora alugar as orelhas das amigas para derramar suas mágoas nas fases em que estão separadas. Depois que as amigas se esforçam para convence-la da separação, o tipo "vai-e-volta", contrariando tudo e todas, sempre reata o casamento, deixando as amigas na maior saia justa e com as orelhas ardendo.
(por Vange Leonel - cantora, escritora, colunista e ativista lésbica)
O incrível romance entre uma americana judia e uma marroquina muçulmana
"Em tempos de polarização entre ocidente e oriente vale a pena lembrar de um curioso caso de amor entre duas mulheres durante os anos 50 e 60. O romance entre a escritora americana Jane Bowles e a marroquina Cherifa foi cercado de assombro, suspeitas e desconfianças de todos que as conheciam, árabes ou ocidentais. O motivo para tanta intriga foi simplesmente o enorme fosso entre duas culturas tão distantes. E, no entanto, o amor brotou entre as duas mulheres, a despeito da torcida contrária de ambos os lados. O ano é 1947 e Jane e Paul Bowles, um casal muito moderno de escritores americanos, chega para uma longa temporada em Tânger, no Marrocos. Entediado da vida na América, Paul vivia buscando aventuras em países exóticos. Nem sempre Jane o acompanhava e nem mesmo Paul esperava que ela o fizesse - afinal, aquele não era um casamento típico. Para completar, Paul era gay, Jane era lésbica e o casamento, pasmem, não era de fachada - eles se amavam verdadeiramente. Quando chegaram ao Marrocos - para morar definitivamente - o sentimento nacionalista da população começava a tomar proporções grandiosas, inspirado pela crescente popularidade da Liga Árabe. O país, no entanto, continuava sob tutela da França e o ambiente era aparentemente calmo. Um dia, durante uma visita ao mercado da cidade, Jane ficou fascinada com uma vendedora de uma barraca de grãos - Cherifa. Ao contrário de Paul, que conseguia namoradinhos árabes em cada esquina, Jane logo descobriu a tarefa dificílima de penetrar no mundo das mulheres árabes, sempre escondidas atrás dos véus e dos muros dos haréns. Mas a americana gostava de aventuras e era persistente. Logo ficou amiga de Cherifa, mas percebeu que não podia convidá-la para ir ao seu quarto de hotel e nem seria convidada para conhecer a casa de Cherifa em Medina. Tudo isso porque, sendo muçulmana, Cherifa precisava da permissão de um homem de sua família para sair de casa ou para convidar qualquer um a entrar em sua própria casa. Convidar Jane, então, era uma heresia! Primeiro, tratava-se de uma "inimiga" européia. Não adiantava Jane explicar que era americana - para eles, ocidental era tudo a mesma coisa. Em segundo lugar, Jane era uma "nazarena", como os marroquinos costumavam chamar os cristãos em geral. Pouco facilitava Jane dizer que era judia - ela era muito diferente dos judeus de Tânger, pobres e de pele escura, que moravam em Medina (cidade velha) e com os quais os marroquinos tinham familiaridade. Lembrem-se: o estado de Israel ainda não existia e judeus e árabes não eram inimigos declarados ainda. Mesmo diante de tantos problemas e mal-entendidos, o amor e a atração falaram mais alto: Jane e Cherifa começaram a namorar. Pensando em tornar tudo mais fácil, Jane saiu do hotel e alugou uma casa em Medina para que Cherifa pudesse freqüentá-la. Mesmo assim as coisas se complicaram. Cherifa só aparecia quando Jane lhe dava algum presente. A escritora americana logo entrou em crise com a situação: ora Charifa lhe pedia uma raquete de tênis, ora um par de sapatos e chegou até a pedir um táxi para trabalhar como motorista em Tânger! Não demorou muito para os amigos americanos dos Bowles desconfiarem da marroquina: ela era uma interesseira que não dava a mínima para o amor de Jane. Seria verdade? Ou apenas outro mal-entendido? O que os amigos americanos não percebiam é que os familiares de Cherifa também a pressionavam do outro lado: Cherifa precisava tirar algum lucro material da relação. Segundo o Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, o marido deve sustentar a sua mulher e, portanto, Jane deveria sustentar Cherifa! Não que os familiares de Cherifa aprovassem ou reconhecessem a verdadeira natureza de sua relação com Jane mas, se a marroquina dedicava-se tanto à americana, a ponto de praticamente morar na mesma casa, era natural que existisse uma compensação financeira. Mas não adiantava Jane explicar. Os amigos dos Bowles e os familiares de Cherifa achavam aquela relação muito estranha. A situação chegou ao ápice dez anos depois quando Jane Bowles sofreu um sério derrame que deixou sua capacidade de ler e escrever comprometida. Entre a comunidade americana em Tânger o boato era que Cherifa havia envenenado a sua amante - até mesmo Paul partilhava dessa suspeita. O cerco ao redor de Cherifa aumentou quando um criado achou pequenos patuás espalhados pela casa. Cherifa disse que sim, fora ela quem fizera os patuás, mas eram apenas uma mandinga para "pegar amor". Ninguém acreditou. Americanos que sempre ridicularizaram os hábitos e costumes primitivos dos marroquinos agora acreditavam na magia negra supostamente perpetrada por Cherifa. Eles a acusavam de ter tentado matar Jane e se esqueciam que a escritora americana era uma hipertensa que não tomava remédios, já sofrera alguns ataques e que bebia uma garrafa de gim por dia, acompanhada de 3 maços de cigarros. Recuperada após vários tratamentos na América e Europa (mas ainda com afasia) Jane voltou a Tânger para morar com Cherifa. Coincidentemente, seu regresso foi logo após o Marrocos ter declarado sua independência, libertando-se da tutela européia depois de coroar o rei Mohammad V. Desta vez Jane encontrou uma Cherifa de cabeça erguida, talvez mais orgulhosa pela autonomia de seu país. Jane percebeu esta mudança quando, durante um pileque num bar, começou a distribuir dinheiro e as roupas que usava para quem passasse a sua frente. Cherifa que, como sempre, estava ao seu lado não aceitou nem um tostão. Desta vez recusou-se a receber qualquer coisa de Jane. Mas nunca a abandonou. Cuidou da amiga/amante americana enquanto Paul, o marido de Jane, viajava pelo mundo, para outros países mais exóticos, mais distantes e mais ao oriente - mais para lá ainda de Marrakesh. Jane Bowles morreu em 1973, sozinha, numa clínica em Málaga, Espanha, depois de ser internada pelo marido. Paul morreu há poucos anos atrás. Quanto a Cherifa, ninguém sabe se está viva ou morta."
(Fonte: Revista Digital MixBrasil)
Nome completo: Yuu Hasegawa.
Na Internet conhecem-na mais por Aika Miura, ela diz-se Miura Aika. É uma das atrizes pornôs japonesas mais populares na rede.
Nascimento: 1976