Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2006, 26

26.06.06

Nas alcovas de Hollywood

categorias: Célebres

Hollywood nunca viu com bons olhos as notícias sobre a homossexualidade de seus funcionários, pois temia comprometer a imagem de seus galãs e heroínas. O temor não impediu os chefes dos grandes estúdios de empregar e dar valor a profissionais competentes na hora do serviço e de comportamento pouco convencional quando estavam de folga. A usina de filmes praticava, com limites, os ideais que vendia: o do sonho americano, de oportunidade para todos. Os manda-chuvas não se importavam se fulano saía com sicrano, desde que, em sua atividade, ajudasse as companhias a manter ou aumentar a produtividade. E para não perdê-lo havia uma regra: fingir-se heterossexual em público. Hollywood foi formada por homens sem verniz intelectual, que adoravam assediar candidatas ao estrelato sem muito pudor. Era previsível que, no contato com os colegas gays, fizessem lá suas piadinhas. Havia uma notória divisão de atividades. A parte técnica – câmera, eletricidade, som – era dos héteros. Setores como figurino e maquiagem, porém, eram dominados por homossexuais. Também brilhavam à frente das câmeras. Astros e estrelas como Cary Grant, Greta Garbo, Gary Cooper, Marlene Dietrich e Burt Lancaster não davam na vista, mas mantiveram, com maior ou menor discrição, mais ou menos freqüência, seus casos secretos com pessoas do mesmo sexo. O primeiro astro do cinema mudo, Jack Kerrigan, fez fama como caubói de gestos delicados. As mulheres o amavam por isso e por manter-se solteiro para cuidar da mãe. Mas não se casar gerava desconfiança. Isso levava os estúdios a pedir a suas celebridades para casar ou circular com alguém do sexo oposto quando saíam notas na imprensa recheadas de veneno. Ser chamado de solteirão convicto nos jornais era um código explícito. Nenhuma década foi mais tolerante com os homossexuais em Hollywood como os anos 20. Galãs andróginos, como Ramón Novarro e Rodolfo Valentino (heterossexual, casado com uma bissexual), eram chiques. Multiplicavam-se as festas freqüentadas por gays. Casais do mesmo sexo moravam juntos sem cerimônia. As mulheres também tiravam proveito. A diretora Dorothy Arzener, famosa pelos cabelos curtos, penteados para trás com brilhantina, era respeitada e poderosa. Só levou puxão de orelha ao valorizar certos atributos das atrizes em seus filmes. Outra todo-poderosa do período, a atriz russa Alla Nazimova, quando atuava com atrizes bonitas, dava um jeito de acariciá-las, nem sempre com sutileza. Em uma cena de "Camille", com Valentino, beijou uma jovem na boca. Quatro vezes. E sem simulação. Transgressões assim abriram caminho para Greta Garbo e Marlene Dietrich, que a imprensa definia como 'duas partes do mesmo time', ignorarem comentários sobre suas intimidades. Marlene era casada. Desde que morava na Alemanha, porém, saía com 'meninas', como ela dizia. A foto dela em uma festa com Claudette Colbert esparramada entre suas pernas rendeu muitas linhas.Toda essa flexibilidade sofreu nocautes nos anos 30 e 50, períodos nos quais a onda conservadora fez os homossexuais levantar a guarda. A mudança de clima levou dois atores a romper o namoro e mudar a imagem. Cary Grant terminou um sólido casamento com Randolph Scott, um dos reis dos faroestes, e tentou se matar logo depois de casar com a atriz Virginia Cherill. Gary Cooper foi proibido pelo chefão da MGM, Louis B. Mayer, de ser visto ao lado de um amigo inseparável, Andy Lawler, com quem habitava sob o mesmo teto. Grant e Cooper tornaram-se símbolos sexuais, em papel hétero, é claro. A imprensa tanto alimentava ruídos sobre esses casos como vendia o silêncio em troca de uns trocados. A corrosiva colunista Hedda Hopper tirava o sossego do ator Montgomery Clift: tinha em mãos uma queixa-crime por atentado ao pudor. Rock Hudson (quando o galã morreu de Aids, em 1985, muitas fãs se espantaram, mas a maioria dos colegas sabia que ele era homossexual) e James Dean também foram poupados graças à interferência e aos cheques de seus estúdios para as publicações sensacionalistas. A perseguição não existe hoje, mas o tema continua delicado. Se atores como Rupert Everett e sir Ian McKellen saem do armário, vão para a vitrine e continuam tocando a carreira; há casos espinhosos como o de Billy Zane, que se declarou gay pouco antes da estréia de Fantasma e levou a culpa pelo fracasso do filme. Acusações que têm o cheiro de pura chantagem financeira proliferam. Tom Cruise processou dois homens, um deles ator pornô, que dizem ter feito sexo com ele. Nem tudo mudou em Hollywood.

(por Cléber Eduardo, crítico de cinema)

    

Cary Grant, Greta Garbo, Gary Cooper, Marlene Dietrich e Burt Lancaster

    

Jack Kerrigan, Ramón Novarro, Rodolfo Valentino, Dorothy Arzener e Alla Nazimova

     

Claudette Colbert, Randolph Scott, Montgomery Clift, Rock Hudson e James Dean

  

Rupert Everett, Ian McKellen e Billy Zane

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  • Postado em 16:30:59

Quando as mulheres acordam

categorias: Definindo II

"Impagável uma mulher quando acorda. Nada mais lindo e misterioso do que uma mulher acordando. Do que uma mulher antes das dez da manhã, como uma vez vi umas fotos num livro de arte inglês, pelo que me lembro ou sonho. Uma mulher e suas verdades nos olhinhos que se espantam com o mundo como uma criatura que acaba de sair do útero, o maior dos sustos, o maior dos assombros da existência. Umas têm um mau humor tremendo, meu Deus, te deixam acuada, são capazes de te xingar, espezinhar, te maldizer, para depois te amar ainda mais. Outras acordam paranóicas com os cabelos, tenham caracóis, segredos, ou sejam lisos, loiros ou negros. Ainda mais se for no começo do amor, do caso, do namoro, do ensaio de qualquer ajuntamento. Estas nos deixam na cama e correm para o espelho. Tudo por uma rápida conferência de Narciso. Se acham que estão “horríveis”, naquele jeito, como naquele hiperbólico julgamento, dote tão feminino, te abandonam por horas no banheiro... E voltam as mais lindas desse mundo. Existem aquelas que não estão nem ai, estas são raras, acordam e te presenteiam com aquele sorriso, como se tivessem sonhado com a possibilidade do nirvana ao teu lado, como canta o outro Chico, uma beleza essa menina! Os mistérios de uma mulher quando acorda são muitos. Umas simplesmente silenciam, no máximo um monossílabo, isso quando são, por alguma razão, indagadas. Elas têm dúvidas, ainda não sabem se amam ou não amam, elas ainda guardam velhas heranças amorosas, tudo bem, coisas da vida. Algumas acordam assustadas, como se dissessem, “que besteira eu fiz, nunca mais eu bebo”, meu Deus. Outras te mandam embora antes da aurora, para dormir o sono dos justos, leve como a pena do ganso no travesseiro, o sono que livra de pesos na consciência e possíveis laços imediatos. Certíssimas, essas moças, sábias moças. Adoráveis aquelas que mantêm a posição de “conchinha”, embora os motores da cidade já ronquem, apesar de todos os despertadores, todos os celulares. Estas são plácidas, jamais submissas. Existem aquelas que acordam e põem logo uma música, uma música de acordo com o clima. Se tem sol, rock´n´roll, se faz frio, jazz, algo cool... Se o dia está cinza, toca aquela, que diz assim, como não quer nada, uma porrada, “ah insensatez, que você fez, coração mais sem cuidado...” Nada mais lindo e misterioso do que uma mulher acordando, seus gestos, a dramaturgia, o arranque para a vida ou a inércia nos teus braços. Os barulhos de uma mulher acordando, a música dos ossos se espreguiçando, os gerúndios tantos das ações e silêncios, o chuveiro ao longe a nos dizer tantos desejos e coisas, meu Deus, aquela água já escorre linda e faz pocinhas líricas nas saboneteiras...Quantas dúvidas e quantas certezas acordam juntas quando uma mulher acorda."

(texto adaptado de Xico Sá - jornalista)

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