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Além de gay e lésbica existem outros nomes que a maioria das pessoas não entende direito, como Travesti, Drag Queen, Drag King, Crossdresser, etc...O mundo da sexualidade humana é bastante complexo e apresenta uma enorme diversidade, muito além do modelo heterossexual predominante, que visa a reprodução e a perpetuação da espécie humana. Ao longo da história da humanidade surgem vários padrões de manifestações da sexualidade. E no futuro aparecerão novos padrões.
Glossário das várias manifestações da sexualidade humana
Heterossexual (substantivo: heterossexualidade)
Indivíduo amorosamente, fisicamente e espiritualmente atraído por pessoas do sexo oposto. Heterossexuais não precisam ter tido experiências sexuais com pessoas do outro sexo. Na verdade, não precisam ter tido qualquer experiência sexual para se identificarem como heterossexuais. Embora nos dicionários as palavras heterossexualidade e heterossexualismo figurem como sinônimos, prefira sempre utilizar a primeira, pois o sufixo -ismo traz uma carga semântica de conotação negativa e freqüentemente tida como inadequada para designar a sexualidade no sentido atualmente adotado pela Psicologia e ciências correlatas.
Homossexual (substantivo: homossexualidade)
Termo utilizado para descrever gays e lésbicas, indistintamente. Pode ser empregado normalmente, mas é necessário esclarecer que seu uso se encontra hoje em discussão, dado o histórico relacionado a atividades clínicas – quando a homossexualidade era considera doença ou desvio psíquico-sexual. Alguns termos que podem vir a substituí-lo: homoafetivo e homoerótico. Embora nos dicionários as palavras homossexualidade e homossexualismo figurem como sinônimos, prefira sempre utilizar a primeira, pois o sufixo -ismo traz uma carga semântica de conotação negativa e freqüentemente tida como inadequada para designar a sexualidade no sentido atualmente adotado pela Psicologia e ciências correlatas.
Homoafetivo (substantivo: homoafetividade)
Adjetivo cunhado para descrever a atração afetiva e sexual entre pessoas do mesmo sexo. Este termo é sinônimo de homoerótico e homossexual, e sua vantagem é conotar também os aspectos emocionais e espirituais envolvidos na relação amorosa de gays e lésbicas. Não é usado para descrever pessoas, quando podem ser usados os termos gay, lésbica ou mesmo homossexual.
Homoerótico (substantivo: homoerotismo)
Adjetivo cunhado com o objetivo de conotar não só o aspecto físico da relação entre pessoas do mesmo sexo, mas o envolvimento emocional e sensual desta relação. Assim como homoafetivo, não é usado para descrever pessoas, mas aspectos relacionados à relação homoerótica.
Heterocentrismo
Atitude condizente com a idéia de que a heterossexualidade é a única forma de orientação sexual. Um heterocentrista não possui, a priori, atitudes discriminatórias ou preconceituosas diante de gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros, já que simplesmente “não toma conhecimento” de sua existência. Entretanto, elas podem surgir, a partir do momento em que o indivíduo se dá conta desta diversidade.
Heterossexismo
Atitude condizente com a idéia de que a heterossexualidade é a única forma válida de orientação sexual. Assim, o heterossexista tende a discriminar gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros com base em sua orientação sexual, seja de maneira agressiva ou violenta, seja de maneira “sutil” ou “cordial”. O termo é utilizado na mesma acepção que caracteriza as palavras racismo e sexismo.
Homofobia
Embora a etimologia da palavra aponte para o significado que denota medo mórbido em relação aos homossexuais (gays e lésbicas), o termo passou a ser empregado para descrever a rejeição e/ou aversão a estes indivíduos e à homossexualidade, conforme já registram os recentes dicionários. A postura homofóbica, desta forma, freqüentemente se manifesta em ações discriminatórias, não raro violentas, que apontam para um ódio gratuito baseado unicamente na orientação sexual do outro.
Gay
Termo usualmente empregado para descrever homens atraídos amorosamente, fisicamente e espiritualmente por outros homens. Gays não precisam ter tido experiências sexuais com outros homens. Na verdade, não precisam ter tido qualquer experiência sexual para se identificarem como gays. O termo também pode ser usado num sentido coletivo, para descrever toda a comunidade GLBT.
Lésbica
Mulher que é atraída amorosamente, fisicamente e espiritualmente por outras mulheres. Lésbicas não precisam ter tido experiências sexuais com outras mulheres. Na verdade, não precisam ter tido qualquer experiência sexual para se identificarem como lésbicas.
Bissexual (substantivo: bissexualidade)
Indivíduo amorosamente, fisicamente e espiritualmente atraído tanto por homens quanto por mulheres. Bissexuais não precisam ter tido experiências sexuais equivalentes com homens e mulheres. Na verdade, não precisam ter tido qualquer experiência sexual para se identificarem como bissexuais. Embora nos dicionários as palavras bissexualidade e bissexualismo figurem como sinônimos, prefira sempre utilizar a primeira, pois o sufixo -ismo traz uma carga semântica de conotação negativa e freqüentemente tida como inadequada para designar a sexualidade no sentido atualmente adotado pela Psicologia e ciências correlatas.
Transgênero
Termo genérico utilizado para designar indivíduos que agem social e particularmente como pertencentes ao sexo oposto. Desta forma, pode ser empregado tanto para descrever transexuais quanto travestis, indistintamente.
Transexual (Transgênero ou Disfórico(a) de Gênero)
São pessoas que nasceram com um sexo biológico, mas psicologicamente não aceitam sua condição sexual. Ou seja, elas possuem a genitália mas sentem intimamente que pertencem ao sexo oposto ao seu sexo anatômico. Um transexual masculino é anatomicamente um homem, mas sente-se como uma mulher desde a infância e o transexual feminino é justamente o contrário. Durante a vida, procuram se aproximar fisicamente do seu sexo psicológico, principalmente através de hormônios. Tem casos que esta não aceitação do sexo, faz com que o transexual não goste nem de se tocar sexualmente. Este conflito por vezes só é superado pela operação de readequação genital (troca de sexo). Aí sim, a pessoa encontrará um equilíbrio com seu sexo biológico e psicológico, achando assim seu verdadeiro "eu". Muitos mitos quanto a este tipo de cirurgia já caiu por terra. Antigamente dizia-se que o transexual que operava ficava louco, que não sentia orgasmo e coisas do gênero. Hoje os avanços científicos fazem com que, após a cirurgia, os transexuais levem uma vida normal, sem loucura e até mesmo sentindo orgasmos, pois se hoje, uma cirurgia de miopia é completamente diferente de anos atrás, devido a evolução científica, por que com a cirurgia de mudança de sexo seria diferente?
Travesti
É o homossexual que não só se veste como adquire formas femininas através de hormônios, silicone e/ou cirurgias reparatórias. A diferença entre transexual e travesti está na identidade do gênero: enquanto o primeiro está convicto de pertencer ao sexo oposto e procura harmonizar corpo, sexo e identidade, o travesti, apesar de se comportar como pertencente àquele sexo, não apresenta problema semelhante na construção de sua identidade, aceitando o sexo biológico apesar das alterações corporais que promove em si, não sentem desconforto com seu sexo anatômico, não abandonam algumas funções sexuais masculinas, pois em muitos casos fazem o papel ativo em suas relações sexuais, principalmente as profissionais. Também fazem shows onde as de maior destaque são chamadas de Divas.
Transformista
Gays, que se vestem de mulher, se aproximando o máximo possível da figura feminina, sem os exageros de maquiagem. Muitas vezes para shows onde a dublagem é mais valorizada; concursos de beleza e algumas fazem cover de seus ídolos como Madonna, Britney Spears, Lisa Minelli, Maria Bethânia, Clara Nunes, etc. Ou são Indivíduos que se vestem com roupas do sexo oposto movido por questões artísticas. O transformismo não está relacionado à orientação sexual do indivíduo – muitos transformistas são heterossexuais – e pode ser visto como uma atividade profissional, relacionada ao espetáculo.
Caricatas
Gays, que se vestem de mulher, fazendo uma representação caricatural, escrachada e bastante divertida. Seus shows/esquetes são com músicas em velocidade alterada e comicidade explícita.
Crossdresser
Termo genérico usado para descrever qualquer indivíduo que se vista com roupas do sexo oposto. Embora também possa ser aplicado para designar os travestis, no Brasil é mais utilizado para descrever transformistas, drag queens e drag kings, indistintamente. Não costuma ser aplicado aos transexuais, já que, neste caso, outros fatores importantes impõem uma definição à parte. Primeiramente o crossdresser era o homem heterossexual que se vestia de mulher para fazer sexo com mulher, mas como tudo se transforma, hoje se definem crossdressers homens heterossexuais, bissexuais ou gays cujo fetiche é vestir-se com roupas femininas para fazer sexo e/ou sentir-se como mulheres. O que difere estes dos casos acima, é que eles não assumem publicamente esta identidade. Em todos estes casos, eles se vestem (montam) como o sexo oposto para seus determinados fins e depois de tiradas as roupas, voltam a levar uma vida normal como gay ou homem. Mas há aqueles que realmente modificam o corpo, vivendo fisicamente a imagem do sexo oposto, como os travestis e os transexuais.
Drag quenn
Uma drag queen não deixa de ser um tipo de transformista, pois o uso das roupas está ligado a questões artísticas – a diferença é que a produção necessariamente focaliza o humor, o exagero. Embora a maior parte das drags queens seja homossexual, não há uma relação necessária entre esta atividade, que pode ser vista como profissional, e a orientação sexual. Geralmente são gays, que se vestem de mulher para trabalhos, telegramas animados, shows ou simplesmente para dar pinta. Tem como característica o exagero, transformando-se numa mulher "absurda", de cabelos coloridos, roupas extravagantes e maquiagens carregadas. Há dentro deste segmento uma subcategoria, as Top Drags que são aquelas que procuram se aproximar das modelos de passarela, usam roupas curtas e/ou sensuais, geralmente são magras, mostram muito o corpo e a maquiagem é exagerada.
Drag king
Versão “masculina” da drag queen, ou seja, trata-se de uma mulher, geralmente lésbica, que se veste com roupas masculinas, porém, ao contrário da drag queen, não necessariamente com intenções satíricas ou de humor. Ainda são pouco numerosos no Brasil.
Andrógino
Homem ou mulher que possui aparência ou modo indefinidos, entre masculino e feminino, os dois gêneros se fundem em seu visual.
Glossário de termos
GLBT
Acrônimo para “Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros”, utilizado sobretudo na esfera política e por incluir o maior número de pessoas na comunidade. A ordem das letras pode aparecer alterada, por exemplo LGBT.
GLS
Acrônimo para “Gays, Lésbicas e Simpatizantes” que se popularizou por designar, numa única sigla, não só os gays e lésbicas, mas também aqueles que, independentemente de orientação sexual, são de alguma forma solidários e abertos em relação à sua luta e/ou maneira de ser. GLS também é utilizado num sentido cultural, para descrever as atividades comuns a este grupo de pessoas.
Assumir-se (assumido ou assumida)
Processo de auto-aceitação que pode durar a vida inteira. Constrói-se uma identidade de lésbica, gay, bissexual ou transgênero primeiramente para si mesmo, e, então, isso pode ser ou não revelado para outras pessoas.
Não-assumido(a)
Indivíduo que não divulga ou não divulgou sua orientação sexual.
No armário
Termo originado do inglês que denota um indivíduo que não divulga sua orientação sexual e freqüentemente se esforça para que outras pessoas não venham a atestá-la. Trata-se de uma gíria.
Outing
Expressão originalmente da língua inglesa, utilizada no Brasil para designar o ato de revelar publicamente a orientação sexual de outra pessoa. O ato é considerado não apropriado política e socialmente falando pela maioria da comunidade GLBT, pois possui um sentido de delação. Nossa comunidade respeita o direito de cada pessoa assumir ou não publicamente sua orientação sexual.
Enrustido(a)
Designa, geralmente de forma pejorativa ou depreciativa, o indivíduo que não admite sua orientação afetivo-sexual, freqüentemente nem para si próprio.
Entendido(a)
Gíria que denota a condição de gay ou lésbica. Não a utilize, pois transmite a idéia de que a homossexualidade é algo que deve ser mantido secreto, escondido, como algo vergonhoso. É como um código: somente os “entendidos” têm relações com o próprio sexo.
Orientação sexual
Termo mais adequado para referir-se à atração física, emocional e espiritual para pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto, incluindo, portanto, a homossexualidade, a heterossexualidade e a bissexualidade. As expressões opção sexual, preferência sexual e similares não devem ser utilizadas, pois sugerem, em especial no caso de gays e lésbicas, que a homossexualidade é uma escolha, logo “curável” – o que vai contra o posicionamento atual da Psicologia e ciências correlatas e dos estudos sobre o tema.
Desvio sexual
A homossexualidade não é considerada “desvio sexual” desde 1985 pela ONU, e os estudos contemporâneos de forma alguma corroboram a antiga teoria de que ser gay ou lésbica era fruto de desordens ou deficiências psicológicas. Termo altamente ofensivo, pois indica que a homossexualidade é uma “anomalia”, fora da “normalidade” heterossexual.
Movimento gay/lésbico
A expressão dá a entender que existe uma unidade entre os diversos grupos e vertentes que representam os gays e as lésbicas e lutam por seus direitos. Isso não é verdadeiro: o grupos atuam em áreas distintas e se dedicam a causas distintas, não raro divergindo entre si. Se a generalização for necessária, opte pela expressão grupos de defesa de direitos dos homossexuais.
Normal, natural
Não existe sexualidade “normal”. A sexualidade humana é múltipla e plástica. Falar de “normalidade” de uma identidade ou orientação sexual pressupõe que existe um “desvio da norma”, uma “anormalidade”. Pelo mesmo motivo, evite o uso do termo “natural”. Evite frases do tipo “fulano de tal é normal, mas tem amigos gays”.
Perversão
A perversão é definida como o contato exclusivo com objeto ou parte do corpo sem envolvimento emocional, não vinculado à orientação sexual. Homossexualidade não é perversão.
Promiscuidade
A quantidade de parceiros de uma pessoa não está vinculada à orientação sexual. Além disso, muitas vezes se diferencia um homossexual e um heterossexual em relação ao número excessivo de parceiros: o homossexual é “promíscuo”, o heterossexual possui uma espécie valorizada de “supermasculinidade”. Segundo o Ministério da Saúde, qualquer pessoa com mais de três parceiros por ano é considerada “promíscua”, independentemente da orientação sexual. Ninguém é mais ou menos promíscuo por ser homo ou heterossexual.
Pedofilia
Independe da orientação sexual. Um pedófilo pode ser homo ou heterossexual. As pessoas da comunidade GLBT, assim como o restante da sociedade brasileira, condena com veemência esse tipo de prática.
Ativo/passivo
A orientação sexual de uma pessoa não está vinculada ao papel sexual com o(a) parceiro(a). Aliás, a sexualidade, independentemente da orientação, envolve um conjunto de fatores emocionais e afetivos que vão muito além do ato genital. Essas palavras também podem denotar, de forma extensiva, não só o ato genital como também uma postura perante a vida, no caso das mulheres, de qualquer orientação sexual, o que é falso. Exemplos que devem ser evitados: homens com roupas femininas que são gays e caracterizados como “passivos”, casais de lésbicas em que uma está vestida de forma masculina e a outra com roupas femininas, como se uma fosse “ativa” e a outra “passiva”.
Misoginia
É o chamado ódio ou receio das mulheres. Gays não são inerentemente misóginos. Do mesmo modo, lésbicas não odeiam homens, assim como não odeiam mulheres heterossexuais. O afeto de pessoas GLBT, assim como de heterossexuais, não envolve apenas o envolvimento amoroso, mas também envolvimentos afetivos e espirituais de outro cunho, como a amizade e a solidariedade a pessoas de qualquer orientação sexual.
“Disfuncional”, “pervertido”, “desordenado”, “anormal”, “doente” e similares
Em 1973, a American Psychiatric Association, ao fim de uma longa e calorosa discussão interna, retirou a homossexualidade da lista dos distúrbios mentais. Em 1999, diante da inquietação social no Brasil em torno das práticas sexuais consideradas desviantes do ideal hegemônico, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) nomeou uma comissão de especialistas com notórias contribuições de pesquisa na área para deliberarem sobre o assunto. Assim, tanto no Brasil como em outros países, cientificamente homossexualidade não é considerada doença.
Cura da homossexualidade
A resolução do Conselho Federal de Psicologia atualmente em vigor no país, que tem valor de lei de regulamentação do exercício profissional para psicólogos de todo o Brasil, proíbe entre outras coisas a tentativa de um psicólogo de “curar” seu paciente homossexual. Neste caso, o infrator pode até perder o seu registro profissional.