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Jelena Dokic e Jeniffer Capriatti
Tempos atrás o pai da tenista Jelena Dokic fez uma série de declarações bombásticas na imprensa. Famoso por sua língua solta e conduta inconveniente em quadra, Damir Dokic afirmou na ocasião que mais de 40% das tenistas do circuito profissional eram lésbicas e que, se um dia sua filha revelasse ser uma delas, ele se mataria. Esse tipo de reação histérica não é novidade no mundo do tênis feminino, onde as garotas iniciam a carreira muito cedo e são tuteladas pelos pais que muitas vezes se excedem na tarefa de controlar e proteger suas filhas. O pai da tenista Jeniffer Capriatti, por exemplo, já havia feito declarações muito parecidas com as de Damir Dokic há uma década atrás, quando praticamente proibiu a filha de freqüentar os mesmos vestiários de outras tenistas homossexuais. Tanta preocupação com a filha não impediu que ela se envolvesse com drogas e ficasse afastada dos torneios por alguns anos. Proteção e repressão excessivas acabam nisso. O fato é que o fantasma da masculinização sempre rondou o esporte feminino, trazendo em seu bojo uma série de equívocos: que o esporte masculiniza a mulher, que toda lésbica é masculina, que toda mulher masculina é lésbica, e que há maiores chances de se encontrar uma lésbica no meio esportivo. Bobagem! É claro que há lésbicas no esporte, mas as pessoas ficariam surpresas se descobrissem que há muitas também nos tribunais, nas escolas, nas repartições e que há muita mulher macha que é hetero e muita delicadinha que é bolacha. Contudo, é no tênis profissional feminino que podemos contar o maior número de atletas fora do armário. Daí, talvez, a impressão de que haja mais lésbicas no tênis. Tudo começou com a tcheca Martina Navratilova que, em 1978, assumiu publicamente o seu namoro com a escritora e ativista lésbica Rita Mae Brown. Em seguida foi a vez de Billie Jean King sair do armário, meio a contragosto, depois que sua assistente e ex-amante revelou a natureza sexual do relacionamento delas, exigindo uma pensão alimentícia. Passadas mais de duas décadas, Amelie Mauresmo fala abertamente de sua homossexualidade, sem culpa ou vergonha, marcando uma era em que sair do armário não significa mais perder patrocínios. A francesa é garota propaganda da mega-poderosa Nike e da Dunlop, que não se importam com a orientação sexual da tenista. Mauresmo tem apenas 24 anos e já é um dos principais ídolos esportivos da França, querida por todos, heteros e homossexuais. Não é de se surpreender, visto que o país tem como heroína Joana D´Arc, garota de 19 anos que libertou a França dos ingleses, liderando um exército de 40 mil homens. Adoraria poder assistir a uma partida entre Mauresmo e Jelena Dokic, só para ter o gostinho de ver o senhor Damir suar frio enquanto sua pimpolha enfrenta uma autêntica lésbica do outro lado da quadra.
As assumidas

Martina Navratilova - Nascida na Tchecoslováquia em 1956 e naturalizada americana. Saiu do armário em 1978. 170 títulos em simples. 126 títulos em duplas. Número 1 por muitos anos. Mais de US$ 20 milhões em prêmios na carreira. Incluída no Hall da Fama do Tênis em 1980. Já fez duas grandes campanhas publicitárias dirigidas a gays e lésbicas (uma de cartão de crédito e outra de automável) e apóia várias iniciativas GLBT.

Billie Jean King - Nascida nos Estados Unidos em 1943. Declarou-se bissexual em 1981. 20 títulos em Wimbledon, entre simples e duplas. Vencedora da "Batalha dos Sexos", jogo em que derrotou um tenista homem que a havia desafiado. Incluída no Hall da Fama do Tênis em 1980. Primeira atleta na história a ganhar US$ 100 mil ao ano, foi ela quem conseguiu aumentar os prêmios para as tenistas profissionais.
Amelie Mauresmo - Nascida na França em 1979. Saiu do armário em alto estilo, às vésperas da final do Australian Open em 1999, quando pediu aos jornalistas que se referissem a Sylvie Bourdon como sua "namorada" e não "amiga". Detentora de 7 títulos em simples da WTA. Atual número 6 do ranking. Mais de US$ 3 milhões em prêmios na carreira.
Gigi Fernandez - Nascida em Porto Rico no ano de 1964. Bi-campeã olímpica de tênis em duplas, junto com Mary Joe Fernandez. Ganhadora de 14 títulos em simples. Em 1988 foi nomeada atleta do ano em Porto Rico. Se não alardeou, também nunca fez segredo de seu relacionamento amoroso com a tenista Conchita Martinez.
Conchita Martinez - Nascida na Espanha em 1972. Ganhou 28 títulos em simples (um em Wimbledon, em 1994) e 5 em duplas. Atual número 13 do ranking. Mais de US$ 10 milhões em prêmios durante toda a carreira. Nunca fez segredo de seu namoro com Gigi Fernandez.
As quase assumidas
Jana Novotna - Nascida na Tchecoslováquia em 1968. Nunca assumiu sua homossexualidade, o que não impediu que seus casos amorosos viessem a público. Um deles, com a também parceira de duplas Helena Sukova, terminou abruptamente quando Jana se apaixonou por Hana Mandlikova em 1989. Jana e Hana ficaram juntas por 10 anos. Especula-se que sua atual namorada também bate uma bola, só que de golfe. Detentora de 24 títulos em simples (um em Wimbledon, em 1998).
Hana Mandlikova - Nascida na Tchecoslováquia em 1962. Nunca assumiu ser lésbica, mas todos no circuito sempre souberam de seu namoro com Novotna. Vive atualmente com uma personal trainer e deu a luz, recentemente, a um casal de gêmeas. Detentora de 22 títulos em simples, sendo 3Grand Slams (Roland Garros em 81, US Open em 85 e Australian Open em 1987). Incluída no Hall da Fama em 1994.
Helena Sukova - Nascida na Tchecoslováquia em 1965. Nunca saiu do armário, mas sua homossexualidade veio à tona graças aos boatos que cercam Novotna. Ganhadora de 10 títulos em simples.
(texto de Vange Leonel, imagens copiadas da Internet)
Com você viro gata manhosa, mas sou bondosa. Não vou te morder, nem arranhar...pensando bem, só um pouquinho.
Mara*