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Keith H. Kerr, Virgil A. Richard, Alan M. Steinman e Margarethe Cammermeyer
Dois brigadeiros-generais e um almirante reformados americanos declaram publicamente, serem homossexuais. Keith H. Kerr e Virgil A. Richard, do Exército, e o almirante Alan M. Steinman, da Guarda Costeira, tomaram a decisão para expor sua postura contrária à política do silêncio vigente das Forças Armadas em relação à homossexualidade de seus oficiais: “don´t ask, don’t tell” (não pergunte, não fale) . Instituída como lei pelo presidente Bill Clinton há cerca de dez anos, a política admite homossexuais no quadro militar americano desde que não assumam publicamente sua orientação sexual. Os três afirmaram que para poder servir o país foram forçados a mentir sobre sua vida pessoal para amigos, colegas e familiares. O que seria um paradoxo aos valores intrínsecos das Forças Armadas: verdade, honra, dignidade, respeito e integridade. “Negaram-me a oportunidade de compartilhar a vida com uma pessoa querida para ter uma família e fazer tudo como os heterossexuais americanos. Este foi o sacrifício que fiz para servir ao meu país”, declarou o almirante Steinman. A revelação dos três oficiais, devido ao grau de importância de suas patentes, encontra paralelo no famoso episódio protagonizado pela coronel Margarethe Cammermeyer, em 1992, quando revelou ser lésbica. A coronel foi afastada da Guarda Nacional (e depois reintegrada) e sua história de transformou em filme (Serving in Silence: The Margarethe Cammermeyer Story, com Glenn Close no papel principal). Segundo dados da Rede de Defesa Legal de Militares, entidade de defesa homossexual americana que acompanha processos da Justiça Militar em todo país, quase dez mil militares americanos já foram dispensados por serem homossexuais.
O Pentágono anunciou que não considera mais a homossexualidade como um distúrbio mental. No começo de junho um documento do órgão, datado de 96, que incluía a homossexualidade em uma lista de "certos distúrbios mentais" chegou à imprensa. A Associação Psiquiátrica Americana, parlamentares ligados aos direitos de gays e ativistas importantes do país, pediram ao Departamento de Defesa que alterasse essa definição. O tal documento colocava a homossexualidade na mesma lista que o retardamento mental, os distúrbios compulsivos e os distúrbios de personalidade. Apesar de tirar a homossexualidade de sua lista de transtornos mentais, o Pentágono não tem planos de mudar sua política de rejeitar homossexuais nas Forças Armadas.
Já Austrália, Bélgica, Canadá, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Holanda e Nova Zelândia permitem o ingresso de homossexuais nas forças armadas.