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"Se você já foi ousada, não permita que a amansem."
(Isadora Duncan – lésbica, bailarina americana e criadora do ballet moderno)
"No decorrer da História, a homossexualidade foi interpretada de diversas formas, dependendo da época e do lugar. Já foi pecado grave; já foi doença a ser curada; já foi apenas mais uma das formas de viver e amar. Quando os europeus chegaram à América, encontraram por aqui muitas tribos indígenas que respeitavam o homoerotismo. Os índios dessas bandas chamavam os homens que o praticava de “tibira” e as mulheres de “sacoaimbeguira”. E, no convívio social, a existência dessas pessoas não implicava, necessariamente, em situações de preconceito e discriminação. Mas, por outro lado, na Idade Média do Velho Continente, houve muita violência e perseguição aos homossexuais. A população mundial esteve ameaçada por guerras e epidemias. Novas relações econômicas surgiram e exigiam um grande exército de mão de obra produtiva e controlada. A homossexualidade passa, então, a ser vista como uma ameaça à reprodução. Pelos mesmos motivos, a Igreja Católica começa a difundir a idéia de que a homossexualidade seria um dos mais horrendos pecados contra as leis divinas. Assim, centenas de mulheres consideradas lésbicas foram queimadas como bruxas e os homossexuais usados como lenha para as chamadas fogueiras “purificadoras da Santa Igreja”. Situação que não se restringiu àqueles tempos. Ainda hoje, existem leis que punem a homossexualidade com a morte, em países islâmicos como Irã, Arábia Saudita, Afeganistão, Mauritânia, Sudão, Paquistão, Emirados Árabes Unidos, Iêmen e Nigéria. Já no Brasil, é grave o quadro de opressão social e abusos contra gays, lésbicas e transgêneros, apesar de nunca ter havido por aqui uma legislação que proíba a prática homossexual. Os homossexuais enfrentam sérios problemas como - existência de uma ideologia homofóbica; repressão policial e violência física; discriminação profissional; marginalidade social; associação automática e discriminatória à Aids; discriminação dentro dos movimentos sociais, políticos e sindicais; e - o mais grave - altos índices de assassinatos por homofobia. A cada três dias um homossexual é brutalmente assassinado no Brasil. Essa estatística foi ratificada por relatórios da Anistia Internacional, do Departamento de Estado americano e da Associação Gay e Lésbica Internacional. Tal informação classifica o Brasil como campeão mundial de assassinatos de homossexuais. Assim, em termos de violência anti-homossexual nosso país equipara-se àquelas nações islâmicas onde a homossexualidade é considerada crime passível de execução. Enquanto crianças e adolescentes, negros, judeus, deficientes físicos são ensinados por seus pais e familiares a enfrentar o preconceito, desenvolvendo seu orgulho étnico ou racial e sua auto-estima, para os jovens homossexuais ocorre exatamente o contrário: é dentro de casa e por parte dos parentes mais próximos que primeiro, e de forma mais cruel, se manifesta à crueldade da discriminação. Como se não bastasse, nossa TV, rádio, revistas, jornais muitas vezes contribuem para uma visão estereotipada, preconceituosa, desrespeitosa e extremamente equivocada em relação aos homossexuais. É necessário agir, provocar a discussão e acelerar o processo de mudança de comportamentos em relação aos gays, na forma de pensar da sociedade e nos modos como ela encara as diferenças. Um outro mundo é possível."
(Informações obtidas no site do Grupo Gay da Bahia)