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“Ao avistar pedras,
Recolhi-me em um armário,
E mesmo solitário,
Escrevi uma história”
O armário representa a proteção (ou a repressão) da sexualidade, das vontades sexuais e/ou afetivas. O prazer sexual é, muitas vezes, reprimido devido à maquiada consciência religiosa que habita inúmeros mundos, em que o sexo e as relações homoafetivas são condenadas pela instituição igreja e por muitas famílias, onde a desinformação predomina entre as visões. “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Infelizmente, após muitos valores terem sido transformados ao longo do tempo, concluímos que a frase de Albert Einsten continua atual, afinal ainda encontramos “latentes resquícios” de preconceito em nossa sociedade. E tal aversão à diferença está presente em nós mesmos, embutidas em nossos valores pessoais, na nossa forma de obsevar o outrém. Muitas vezes avaliamos determinadas pessoas ou grupos observando somente um aspecto de sua vida, verdade e opinião.
“Com duvidosos sorrisos,
Pensei ver a calmaria chegar,
Iluminei meus anseios,
E entreguei a minha verdade aos porcos”
Armário. O que poderia ser um artifício para o auto-conhecimento, em que evitamos prévios constrangimentos, acaba se tornando algo muito negativo para as pessoas com quem nos relacionamos, as quais não estão trancafiadas no escuro armário. Posso atribuir essa afirmação ao universo das transgêneros, que são encaradas, por muitos T-Lovers (homens que gostam de travestis e transexuais), como um objeto sexual.
“Foi no castelo de areia,
Que colhi mascaras d’água,
Onde a sereia dos meus sonhos,
Se perdeu em um mar de prantos”
Um reflexo disso pode ser observado no orkut, onde muitos homens mantém contato com travestis e transexuais através de perfis fakes (falsos), com fotos da genitália, de personalidades e desenhos. Em uma comunidade que aborda tal temática, “Jack Power” afirma: “...existe uma coisa chamada coerção social. Não temos preconceito, acontece que precisamos de nos proteger. Muitos de nós trabalha em instituições que considera isso uma conduta incorreta, de falta de respeito, uma perversão e etc...”. Agora imagine saber que a pessoa que amamos pensa isso sobre nós. Que a pessoa que amamos tem vergonha que as demais saibam que ela se relaciona conosco. Que a pessoa que amamos não teria coragem de ir até a esquina de mãos dadas. Quero deixar claro que tal situação não é uma regra, já que inúmeras transgêneros desfrutam de bons e duradouros relacionamentos. Meus dizeres não tem a intenção de serem únicos e verdadeiros, afinal eles são a representação parcial de meus pensamentos. Peço apenas que você pense sobre isso, na realidade de muitas travestis e transexuais, que além de sofrerem o abandono da família e amigos, sofrem com a negação parcial de seus amores. Espero não saber mais de casos como o da transexual Camilla de Castro (foto), que, segundo amigos, cometeu suicídio após ter seus relacionamentos fechados em diversos e obscuros armários.
“...Quero um homem de verdade. Não quero um homem que me chama de linda entre quatro paredes e depois não tem coragem de comprar pão de mãos dadas comigo. Não sou apenas um sonho, um objeto...”
(Camilla de Castro)
(texto escrito por N. Lucon – articulista do site Espaço GLS)