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Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Arquivo de: Julho 2006, 26

26.07.06

Homenagem a uma travesti: Kátia Tapety

categorias: Homenagem

A primeira travesti a ocupar um cargo executivo no país

 

"Seu nome de registro é José Nogueira Tapety Sobrinho, mas na cidade de Colônia do Piauí, no centro-sul do estado piauiense, foi como Kátia Tapety que entrou para a história ao se eleger, em novembro de 2004, como a primeira vice-prefeita travesti no Brasil. Kátia, estava em sua terceira legislatura como vereadora pelo PFL, mas trocou o partido pelo PPS para fazer parte da chapa da empresária Lúcia de Moura Sá. As meninas venceram o pleito com 62,13% dos votos (2.509 votos). O município tem 5.417 eleitores, mas registrou 4.515 votos válidos (902 abstenções). A dobradinha obteve maioria absoluta dos votos, o que se deve muito ao carisma que Tapety tem no município. Basta dizer que na época da eleição, aos 46 anos de idade, ela era líder comunitária e agente de saúde, além de comandar um restaurante, onde não se furtava a alimentar os castigados pela fome do sertão nordestino. Já foi presidente da Câmara Municipal e, nas últimas eleições, foi a vereadora mais votada da cidade. A travesti Kátia Tapety, pode até não ser conhecida em todo o país, mas com certeza é adorada pela cidade piauiense de Colônia do Piauí (a 350 quilômetros ao Sul de Teresina, no Sertão), até os seus rivais políticos vieram cumprimentá-la quando eleita. “Os cabra machos daqui me respeitam mesmo. Até o vereador do PT veio me dar um abraço, e a gente tava brigado há dois meses. Aqui eles me vêem como uma senhora, uma trabalhadora honesta”. Engraçada, extrovertida e sincera, a vice-prefeita faz questão de demonstrar o amor que tem pela população de Colônia. Faz questão também de salientar que conseguiu o total respeito da população, mesmo a cidade sendo ainda muito conservadora e longe da modernidade. "Nasci assim e assim terei que morrer. Não existe ex-travesti. Sou feliz assim e todos me respeitam” enfatizou a vice-prefeita que mantém relacionamento estável e é mãe coruja, Kátia não desgruda a atenção dos seus dois filhos adotados. Seu filho mais velho, Ramon, hoje tem cinco anos e a caçula, Ceci do Carmo, tem 1 ano e 6 meses. Sua fama surgiu bem antes da sua entrada na política, porque sempre foi e ainda é parteira, enfermeira, funcionária pública, entre outras coisas. Depois de cursar o primário, fez um curso de auxiliar de enfermagem e o resto, aprendeu na prática. Ela alimenta aqueles que não tem o que comer, sua casa fica de portas abertas. “São todos meus amigos e eles entram aqui, vão até a cozinha e comem”. Sobre a importância da sua eleição com relação ao respeito à diversidade sexual, Kátia diz: “Para começar, eu trabalho. O respeito tem que vir pela pessoa, sem importar o sexo. Não importa se um presidente, prefeito, ou qualquer outro seja travesti. Importa o respeito com o povo e que ele faça o melhor na área da saúde e da educação. Mas não sou eu quem vai governar. Quem vai governar é a minha prefeita, apenas eu vou ajudar, vou indicar para ela o que a gente pode fazer. Porque bicha tem muitas idéias boas, é a vaidade de fazer para entrar para história”. Sobre os direitos aos parceiros do mesmo sexo: “Quando as pessoas convivem juntas, não importa se são homens ou mulheres, mas quando constroem algo juntos, elas merecem direitos como o de divisão de bens, pensão, indicação do parceiro no plano de saúde, entre outros benefícios”. Kátia mereceu destaque em 2004 por ser a primeira travesti a ocupar um cargo executivo no país. A personalidade forte de Kátia ajudou a ampliar a visibilidade das travestis e a vencer obstáculos do preconceito. Fica aqui registrada a minha homenagem a Kátia, mesmo que na época, tenha dividido opinião entre as lideranças GLBT - Luiz Mott do Grupo Gay da Bahia por exemplo enxerga “que ela não levanta a bandeira dos homossexuais e que o carisma dela advém do seu serviço comunitário, enquanto enfermeira”, por outro lado o líder Toni Reis do Grupo Dignidade admirando o seu trabalho acha "que ela não foi eleita por ser homossexual, mas por suas propostas. Acho que é uma vitória contra a discriminação, pelo trabalho e não pela posição sexual dela”.

(informações pesquisadas e imagens obtidas na Internet)

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  • Postado em 04:31:33