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“And Tango Makes Three” (Com Tango, somos três)
“Sissy Duckling” (O Patinho Efeminado)
“King & King” (Rei e Rei)
“Daddy's Roommate” (O Companheiro do Papai)
“Carly: She's Still My Daddy” (Carly: Ela Continua Sendo Meu Pai)
"Ultimamente, muito se comenta sobre a sexualidade dos pingüins. No último Oscar, o documentário francês “A Marcha dos Pingüins” foi o vencedor em sua categoria, contando a jornada para o acasalamento e nascimento da espécie na Antártida. Uma outra história, bem mais urbana, aconteceu há dois anos no zoológico do Central Park, em Nova York. Foi lá que Roy e Silo, dois pingüins machos, adotaram um filhote e, inclusive, chocaram o ovo, formando uma família no mínimo diferente das que habitam o local. Agora, a história deles se tornou livro. E infantil. “And Tango Makes Three” (Com Tango, somos três) é o nome do livro baseado nessa história real. O livro começa com o encontro de Roy e Silo e a criação de um ninho, que seria o lar de ambos. Assim como os outros, o casal também quer ser pai. Determinados e decididos, levam uma pedra com formato de ovo até seu ninho e começam a cuidá-la. De chorar, não? Emocionado com a situação, um tratador do zoológico decide que eles merecem uma chance e resolve dar-lhes um ovo de verdade. Os pais dedicados chocaram por 34 dias o tal ovinho até que nascesse a bela Tango. Até hoje, os três podem ser vistos, felizes, no zôo. O livro, editado pela Simon & Schuster Children's Publishing, foi desenvolvido pelo dramaturgo Peter Parnell e pelo ilustrador Henry Cole, e contou com o auxílio do psiquiatra Justin Richardson. "Há milhões de casais homossexuais com filhos hoje nos Estados Unidos, onde 21% das lésbicas e 5% dos gays têm filhos biológicos ou adotivos e onde aproximadamente 3,5 milhões de crianças vivem em lares de casais do mesmo sexo. Nosso livro traz uma história de amor que ajuda as crianças a aceitar essas famílias não convencionais", diz o psiquiatra Justin Richardson. Mas nem tudo são flores. Recentemente, pais americanos revoltados fizeram o livro ser retirado da seção infantil da biblioteca de Savannah, em St. Joseph, no estado de Missouri, por sua temática homossexual. Agora, “And Tango Makes Three” foi incluído na parte de ensaios da biblioteca. De qualquer forma, o livro vem sendo bem aceito em outras partes do mundo onde foi lançado e ajuda crianças pequenas a entenderem que a diferença está em todos os lugares, sem exceção."
(texto deTino Moretti)
Um patinho diferente, um príncipe que gosta de príncipes...
"Era uma vez um príncipe que não gostava de princesas, uma menina que tinha duas mães, um patinho que não era feio mas era diferente dos outros. São, todos, personagens de livrinhos para criança que, lado a lado com Branca de Neve e o Dinossauro Barney, freqüentam as prateleiras infantis das livrarias e bibliotecas americanas – só que com temática nitidamente pró-homossexual. Nos estados mais liberais dos Estados Unidos, tais publicações fazem inclusive parte do currículo nos primeiros anos escolares, com a previsível dose de protestos paternos: desde que chegaram ao jardim-de-infância, livrinhos gays foram destruídos em atos públicos, um pai acabou preso, escolas foram processadas e diretores colecionam ameaças de morte. Nesse universo, a publicação de livros infantis com tema gay, iniciada no fim dos anos 80, cresce sem parar e vem ganhando cada vez mais leveza e humor. Um dos pioneiros, "Daddy's Roommate" (O Companheiro do Papai), de 1990, conta de forma bastante direta a história de um menino que conhece o parceiro de seu pai. O autor, Michael Willhoite, gay, 60 anos, mostra os dois dormindo na mesma cama, passando bronzeador na praia e comendo pipoca abraçados no sofá da sala. "Ser gay é apenas mais um tipo de amor, e amor é o melhor tipo de felicidade", explica a mãe para o menino no fim do livro. Bem mais divertido é o recente "The Sissy Duckling" (O Patinho Efeminado), que foi ilustrado por Henry Cole, o mesmo de And Tango Makes Three, e escrito pelo ator, escritor e ativista gay Harvey Fierstein. Feito para crianças de 5 a 9 anos, fala de um patinho vaidoso, Elmer, que não leva jeito para esportes, adora assar biscoitos, usa óculos cor-de-rosa e mochila estampada com margaridas. Vítima de constante preconceito, Elmer supera tudo e proclama, feliz, no final: "Eu sou muito gay e tenho orgulho disso!". "De uns anos para cá, esses livros estão cada vez mais populares, apesar da onda conservadora que atinge os Estados Unidos", diz a professora Elizabeth Rowell, responsável pela maior coleção de livros infantis gays do país, reunida no Rhode Island College, em Providence. "Até para filhos de pais transexuais foi escrito um livrinho em 2004, "Carly: She's Still My Daddy" (Carly : Ela Continua Sendo Meu Pai), que conta a história de um pai que muda de sexo." Segundo Elizabeth, existem atualmente 71 títulos do gênero nos Estados Unidos, alguns vindos de fora. O holandês "King & King" (Rei e Rei) da autora holandesa Linda de Haan - ela como a co-autora Stern Nijland é heterossexual - foi tão bem-sucedido que está tomando forma de série de aventuras. Escrita para crianças a partir de 6 anos, a história do príncipe que não gostava de princesas e acabou se casando com outro príncipe foi lançada em cinco países (Holanda, Alemanha, Dinamarca, Espanha e Estados Unidos) e ganhou continuação, "King & King & Family", a pedido da editora americana."
(Fonte: Revista Veja)