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O ciúme nem sempre vem de fora para dentro, pode vir de nossas inseguranças, fantasias e medos. Ele ameaça e pode até levar ao rompimento. No relacionamento amoroso estamos sempre construindo e reconstruindo a relação no pensamento, idealizando. E achamos que o que foi idealizado deve estar de acordo com a realidade e, para que isso aconteça, passamos a buscar sinais do amor, provas, atos e gestos amorosos. E é aí que as coisas saem erradas, pois o que foi “idealizado” não corresponde à realidade. Quando não encontramos do jeito que imaginamos, cria-se o ambiente favorável para a instalação do ciúme, que traz junto a possível introdução de uma “terceira” na relação, e com esse surgimento, ou a simples possibilidade, conduz a alguns tipos de reação e de tentativa de resolução.
Tipos ciumentos
Um desses tipos é o “tipo heróico”, aquela que aceita e admite o interesse e até mesmo o amor da sua parceira por outra pessoa, tendo como fala: “Pode ir, se é isso que você quer” ou mesmo “Tudo bem, contanto que você seja feliz”. Mesmo estando magoada, tenta superar, submetendo-se a tentar ser do “jeito” que a pessoa amada deseja, ou no mínimo do jeito que ela acha que a companheira gostaria, passando a imitar e ter como modelo a “terceira”. Neste caso, quando a relação termina, ela sente-se obrigada a desistir da pessoa que ama, e muitas vezes o faz sentindo muita raiva, mágoa e até ódio. Sua reação é de destruir o passado, as lembranças, as memórias, os presentes, tendo em seguida a apatia e até mesmo a depressão.
Outro tipo é o “passional”, e sua característica é baseada na exclusividade do prazer. Por exemplo: “Só ela me dá prazer”, “Sem ela não vivo”. Não é apenas uma busca, é muito mais do que isso, chega a ser uma necessidade, passando do desejo, do prazer, para a dependência e necessidade. Este tipo acontece na esfera do pensamento, então muitas vezes a introdução da “terceira” é fantasiosa, só acontece no pensamento, sem correspondência na realidade. O ciúme neste tipo é muito forte e há perseguição, podendo tornar a vida da “amada” um verdadeiro inferno.
Existe ainda a “paixão unilateral” que se estabelece na eminência de uma separação e o ciúme se instala imediatamente, pois a pessoa vive o tempo todo achando que vai ser abandonada, rejeitada, trocada, descartada. A “amada” passa a ser a única fonte de prazer. “Prefiro morrer a perder a pessoa amada”. A pessoa passa a se menosprezar, se desqualificar, passando a achar qualquer pessoa melhor e mais interessante do que ela. Acha que só ela ama e que só ela sofre. Tem ciúmes da própria sombra.
Quando nos relacionamos amorosamente, deveríamos também fazer uma distribuição dos nossos sentimentos e afetos em outras relações como amizade, família, etc...Dessa forma, a “outra” não se tornará “tudo” para nós. É importante manter uma vida independente do relacionamento amoroso, pois isso ajuda a enriquecer a relação. São experiências e histórias que podem ser trocadas com a parceira e que vão ajudar a enriquecer e fortalecer o relacionamento no dia-a-dia. Todas temos uma história de vida, interesses diversos que podem ser compartilhados.
(texto de Kátia Horpaczky - Psicóloga Clinica e Psicoterapeuta Sexual)