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"Tenho algumas lembranças meio enevoadas daquele hall de entrada. Vários homens e somente eu de garota, um silêncio desconfortável rompido por alguns comentários isolados pra quebrar o gelo enquanto a reunião não começava. Até que ela entrou pela porta da escada de incêndio. Calça jeans, camiseta azul estampada. Meio atrasada, meio esbaforida, encostou-se num canto e ficou quieta, tímida, com uma cara mal-humorada aguardando a reunião junto com todo mundo. Eu não conseguia tirar os olhos dela, mas minha impressão foi de que ela nem percebeu minha presença ali naquela sala. Não trocamos uma palavra naquele dia mas, apesar disto, eu soube que minha vida tinha acabado de mudar...Alguns meses depois terminei meu namoro e ela, o dela - ambos héteros - e começamos a namorar, assumindo nossa paixão e nossa homossexualidade. Fiquei sabendo que ela tinha percebido minha presença naquele dia. Também lembrava a roupa que eu vestia e exatamente onde eu estava na sala. Amor à primeira vista. O relacionamento durou dois maravilhosos anos. São estas coisas que me fazem acreditar em destino. Não aquele tirânico, que rege os menores acontecimentos do nosso dia-a-dia, mas sim aquele que nos traz situações onde temos que encarar nossas verdades e que nos fazem descobrir e assumir quem realmente somos, o que nos move e nos faz feliz. Sempre soube intimamente que era lésbica, mas de uma forma ou outra conseguia tapar o sol com a peneira. Até que conheci esta garota e percebi que negar o que sentia era absolutamente impossível. A vida, vira e mexe, nos coloca frente a estas situações. Cabe a nós a escolha de ter coragem, dar uma mão ao destino e agarrar estas oportunidades de sermos verdadeiramente quem somos..."
(depoimento de Dri Quedas – do blog da Dri no MixBrasil)