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Uma é PhD, a outra nem terminou o segundo grau. A relação pode dar certo?
"A internet abre possibilidades de conhecermos pessoas de todas as raças, credos, localidades, níveis sócio-econômicos e intelectuais. Com tanta diversidade, hora ou outra a probabilidade de você encontrar alguém que vive em um universo paralelo ao seu é grande e plausível. Será que é possível manter um relacionamento quando existem tantas diferenças em jogo? Imagine a seguinte situação: você faz parte da grande massa brasileira da classe média-baixa, graduou-se com dificuldade em uma faculdade de segunda linha ou sequer teve a chance de chegar ao terceiro grau. Ela, além de milionária, é graduada, pós-graduada, fez dois MBA e está pensando em um terceiro. Linda e popular, ela freqüenta os melhores restaurantes, points e festas que a cidade oferece. Férias? Só no exterior, em algum país que já visitou ou explorando novas terras (as poucas que sobraram no mapa mundi cheio de alfinetes coloridos indicando onde ela já esteve). Acha impossível? Garanto, por experiência própria, que não é. A grande dificuldade de um relacionamento no qual as pessoas têm diferentes níveis sociais reside em não se deixar levar pelo complexo de inferioridade. Se houver respeito pelas diferenças, tudo pode fluir às mil maravilhas. Certamente, você tem coisas a oferecer que ela nunca teve acesso. Que tal, ao invés de jantar no restaurante francês mais caro da cidade, levá-la para comer aquele cachorro-quente maravilhoso na esquina da sua casa? Ou deixar que ela te leve para andar de jet-sky em Angra? É a troca que enriquece o relacionamento, seja ela qual for. Quando a diferença é intelectual, talvez o desafio seja ainda maior. Se ela trabalha no projeto Genoma e você não sabe se isso é de comer ou de passar no cabelo, use a internet! Pesquise, atualize-se, aproveite a oportunidade para crescer. Ou se você é phd em física quântica e namora alguém que não terminou o segundo grau, mostre para sua companheira a importância de se buscar o conhecimento, ajude-a a expandir seus horizontes. As pessoas sempre têm algo a nos oferecer. Sempre. O segredo aqui é enxergar isso de maneira madura e não se deixar levar pela possibilidade de não dar certo. Existe uma frase do filosofo chinês Lao Tse que sempre me encanta: “não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”. Então, se um dia o seu universo cruzar com um universo paralelo, permaneça nesse ponto de interseção. Ali, o amor sempre será possível."
(texto de Nina Lopes – jornalista e editora da revista "Sobre Elas")