Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza
<  Outubro 2006  >
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Terra Blog

Arquivo de: Outubro 2006

31.10.06

Doroty

categorias: Definindo II

"Queria chamar-me Doroty, com ipsilon e morando em hotel, na companhia de uma mulher que nem eu. Queria que à minha chegada todos levantassem, cagados de medo das farpas que trago na língua. Queria mudar o mundo em duas sentenças e uma oração. Queria que os fanáticos vomitassem deus à sua semelhança. Queria menos família em qualquer parte. Queria perder o respeito, estribeiras, elegância: cinderela pelo avesso. Queria mentir descaradamente a uma boa mulher honesta. Queria jamais ser mulher boa e honesta. Queria enfiar foguetes no cu dos prepotentes. Queria sair pra comprar cigarros e errar de vez. Queria que entendessem que também sou o que não dou. Queria esquecer dos olvidados e dormir com isso. Queria todos as amantes do mundo e nenhuma vergonha na cara. Queria deitar com uma e acordar com tudo. Queria devorar a gênese e não arcar com as conseqüências. Queria cuspir pela janela e acertar na testa dos imbecis. Queria escrever mais e melhor pra enganar menos e mandar todos os superlativos às favas. Contadas.  Queria uma trouxa pra me carregar no colo e uma trouxa pra partir imediatamente. Queria um adjetivo que prestasse e uma verdade que bastasse. Queria escancarar todas as portas sem parecer traição. Queria rir por último. Queria acreditar. Queria olhar um mapa e saber onde estou pra onde vou, por que. Queria aplicar contos e jogar meus valores na bolsa. Queria transgredir todos os mandamentos, sem fundamento. Queria poder olhar pra trás e esculpir meus erros em sal. Queria foder com os pobres de espírito tanto quanto eles comigo. Queria que houvesse uma boa razão pra razão ser tão importante. Queria gostar da terra e dos animais e me contentar com isso. Queria ter 15 anos e um futuro inútil pela frente. Queria não ter um mundo ignóbil pelas costas. Queria não dar bola pra emprego, rasgar dinheiro, fazer escândalo por ninharia, botar pra quebrar. Queria menos avestruzes à minha volta e um passarinho pra soltar. Queria perder os sentidos sem risco de encontrá-los novamente. Queria desmaiar de emoção. Morrer de tesão. Viver pelo sempre. Queria um beijo grátis. Queria que a verdade não fosse o que é, eu não fosse o que sou, revogadas todas as disposições em contrário. Queria gostar do que vejo, sem necessidade de quebrar o espelho. Queria ser outra, outro, qualquer coisa que valha, no mínimo, à pena. Queria que dor não fosse substância que se imprime por dentro. Queria ser artista, não cronista. Queria."

(texto adaptado do original “Queria” de Clarice Muller, a Issi)

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30.10.06

Descobrindo o prazer de se bastar

categorias: É bom saber

"Ficar sozinha, relaxar e fantasiar com cenas quentes que te chamaram a atenção pode ser uma boa proposta para uma sexualidade bem resolvida. Masturbação...Muitas mulheres, na maioria das vezes tem muita dificuldade de falar a respeito. É compreensível, já que desde criança, ouvimos dizer que este ato de prazer é pecado, faz mal e diversos outros argumentos que tentam tirar de nós esta satisfação. Vivemos numa cultura machista e paternalista que prega o sexo como uma coisa condenável, por isso a masturbação feminina é rejeitada até hoje aqui no ocidente. E, muito mais do que prazer é vista como fonte de culpa, oriunda da cultura judaico-cristã que planta uma moral bastante discutida, esta culpa figura como uma condenação por ser um ato apenas de prazer, sem a finalidade de reprodução. A Igreja sempre associou sexo com pecado, a música da Rita Lee chamada Amor e Sexo diz exatamente isso: amor é cristão, sexo é pagão. No início do século XX, a mulher que se masturbava temia por acreditar que poderia ter graves conseqüências tais como, debilidade mental, perseguição espiritual, cegueira e outros problemas de saúde. Um estudo feito no Brasil revelou que apenas 52% das mulheres admitem que se masturbam. É um índice muito baixo se comparado com o dos homens. Eles ficam estimulados com imagens, fotos, vídeos e recordações de uma mulher atraente e é o que basta para buscarem um lugarzinho discreto. Nós, por outro lado, nos estimulamos com as ações ligadas ao romance, ao carinho e ao envolvimento. Por isso, a dificuldade, em criar um momento ou uma situação apropriada para a masturbação. Este prazer individual é um eficaz caminho para descobrir o corpo, a sexualidade e como sentir mais prazer. A mulher bem resolvida sexualmente tem muito mais chances de conquistar e de se relacionar bem, ela cobra menos. A masturbação é uma prática que alivia o stresse, a irritabilidade e a instabilidade emocional, e faz a mulher muito mais alegre, bem humorada e sensual, pois durante o orgasmo o cérebro é inundado pelo endorfina que é um hormônio que produz uma sensação de alívio e bem-estar. Agora, se você também é daquelas que fica toda envergonhada e culpada quando o assunto é masturbação, tente. Liberte-se do tabu que existe em torno do assunto e veja que não há nada de mal em "ficar um pouco sozinha". Quando encontrar o momento certo, invista em você mesma. Pode ser surpreendente."

*** Em 1997 a WAS (Associação Mundial de Sexologia) passou a considerar à masturbação como um direito de expressão sexual do ser humano.

(texto de Jussara Hadadd, terapeuta holística, especializada em sexualidade)

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29.10.06

Carol

categorias: Livro e Abajur

Autora: Patrícia Highsmith
Editora Siciliano

“Carol” foi escrito em 1948. As personagens centrais são lésbicas e, quem diria, não terminam a história de maneira trágica. Aliás, no prefácio de “Carol”, Patricia conta que estava cansada de ler destinos infelizes para personagens homossexuais nos poucos livros que eram protagonistas. O polêmico livro foi publicado na época como “The Price of Salt”, sob o pseudônimo de Claire Morgan. “Carol” conta uma história de amor entre uma garota de 18 anos e uma mulher casada, nos Estados Unidos dos anos 40. Therese Belivet trabalha como vendedora na seção de bonecas de uma loja de departamentos. O emprego funciona como um bico para juntar dinheiro: o que ela de fato quer é construir uma carreira como cenógrafa de teatro. É época de Natal em Nova York, e a loja está lotada. Em meio a tantos rostos desconhecidos, Therese fica hipnotizada ao ver uma distinta cliente se aproximar. É Carol. Alta e clara, com um longo corpo elegante dentro do casaco de pele folgado, seus olhos eram cinzentos, claros e, no entanto, dominadores, como luz ou fogo. Assim começa o romance entre a jovem Therese e Carol - recém-separada e mãe de uma filha -, um amor repentino e fatal, que se transforma em uma constante troca de experiências. Mas, numa tentativa de escapar dos olhares reprovadores dos amigos e familiares, elas saem de carro em uma viagem pelos Estados Unidos. Essa aventura acaba se tornando perigosa quando elas percebem que estão sendo seguidas por um detetive. Leitura quase que obrigatória, uma ótima oportunidade para ler e se deliciar com a mestra de romances policiais Patricia Highsmith também autora do livro “O Talentoso Ripley”.

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28.10.06

Seriado: The L Word

categorias: Filme e pipoca

Segunda temporada

"A segunda temporada da série “The L Word” enfim começou a dizer a que veio o seriado. Interessante história sobre a vida de um grupo de lésbicas norte-americanas, a primeira temporada de “The L Word” parecia apenas reproduzir, na vida delas, aquilo que já acontece entre as mulheres heterossexuais – um pouco de romance, uma pitada de ciúme aqui e desencontro amoroso ali, e estava feita a fórmula para tornar-se digerível ao grande público e ao mesmo tempo parecer “moderninho”. Lá se vão apenas meia-dúzia de episódios da segunda temporada para se constatar que o estilo mudou. Questões como gravidez e guarda de filhos de casais separados, divisão de bens em caso de divórcio, fidelidade, lealdade, objetivos do casamento, carreira e sexo estão sendo abordadas conforme o universo específico das lésbicas, tornando a série mais atraente a quem procura programação diferenciada na TV. Pelo que assisti até agora, a série conseguiu fazer com que as personagens escapassem dos estereótipos da primeira temporada, durante a qual elas foram todas marcadas por estilos: a durona, a frágil, a tímida, a liberal, a sensível… Mais parecido com a vida real, as personas se misturaram. Tina, a durona, também sofre, Betty, a frágil, também sabe ser má, e Shane, a franco-atiradora que só busca sexo se apaixona. Essa amálgama de sentimentos e angústias fica mais real quando, ao invés de refletir tipos rígidos, trabalha com maior proximidade dos seres humanos. Aos poucos, também, essas “garotas que preferem garotas” vão aparecendo como diferentes daquelas que amam homens. Elas formam uma rede de proteção na qual o principal valor é a solidariedade feminina lésbica para enfrentar o resto do mundo – um comportamento típico de minorias, exacerbado na TV com carga dramática para valorizar a principal característica comum das protagonistas. Exibida na Warner, a série é diversão inteligente no marasmo da programação de TV das noites de domingo. A série vai ao ar às 23h."

(por Carla Rodrigues do blog "Contemporânea" do site NoMínimo)

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  • Postado em 06:01:55

27.10.06

Antes de se assumir: orientações

categorias: É bom saber

Para as Saras, Clarices, Joanas, Marias...

1. Você está segura que é homossexual?
Se você ainda está confusa, se tem dúvidas se é mesmo homossexual, é melhor dar mais um tempo pois a confusão de sua cabeça pode provocar confusão ainda maior na cabeça das outras pessoas, sobretudo em sua família. Nunca assuma sua homossexualidade como forma de agressão ou vingança, num momento de raiva. Uma decisão tão importante tem de ser bem planejada.

2. Como se assumir?
Primeiro faça amizade com algumas lésbicas já assumidas. Troque idéias com outros homossexuais como eles vivem, como se assumiram, das vantagens de deixar de ser enrustida. Freqüente um pouco o ambiente homo para ver com qual dos diversos modelos de vivência lésbica você se identifica mais. Procure fazer boas amizades. Não faça nada de que vá se arrepender mais tarde. Depende de você fazer de seu futuro enquanto homossexual uma bênção ou uma desgraça.

3. Você se sente satisfeita com seu homoerotismo?
Se ainda tem sentimentos de culpa, se acha que está errada, que tua forma de amar é pecado e se tem períodos de depressão, é melhor resolver primeiro estes problemas. Assumasse mais em outros ambientes antes de abrir o jogo com a família. Para enfrentar esta barra, você precisa estar muito segura e ter uma auto-imagem bem positiva de sua própria homossexualidade. Auto estima é indispensável para ser feliz.

4. Você conta com o apoio de alguém?
É fundamental que você conte com a compreensão de algum parente ou amiga(o) próxima(o) da família, que possa acalmar seus pais se a reação deles for devastadora. Esta pessoa é também importante para dar-lhe apoio emocional para enfrentar essa nova situação de vida. Discutam todos os detalhes, as reações previsíveis de ambas as partes, e se achar prudente, esteja com esta pessoa amiga por perto no momento da revelação.

5. Você tem bons argumentos sobre a homossexualidade?
Isto é muito importante, pois a maioria das pessoas, inclusive nossos parentes, têm medo ou ódio dos homossexuais (assim como têm preconceito racial) porque nunca souberam a verdade sobre esses temas. Você deve ter as respostas certas para substituir a ignorância do preconceito pela verdade dos fatos.

6. Qual o melhor momento para revelar que é homossexual?
Se você avalia que sua família poderá ficar muito abalada ou que talvez não aceitarão sua orientação homossexual, infelizmente, é melhor continuar "fingindo que não é, e eles fingindo que não sabem". Se você acha que eles primeiro vão condenar, depois vão aceitar, escolha então uma ocasião em que a família estiver tranqüila, sem doenças graves ou mortes próximas. O importante é demonstrar que a única coisa que vai mudar no relacionamento familiar a partir de agora, é que você deixará de viver na clandestinidade, continuando a mesma vidinha de amor e respeito como antes da revelação. Tranqüilize-os que você não viverá de escândalos, não será promíscua e que sabe como se cuidar.

7. Você depende de sua família?
Se você é jovem e depende dos pais, talvez seja melhor esperar para se assumir quando tiver seu próprio salário e moradia independente. Contudo, caso decida abrir o jogo ainda morando com sua família, não aceite de forma alguma que eles a expulsem de casa ou imponham qualquer castigo ou repressão. Homossexualidade não é crime nem doença e você deve exigir que seja respeitada. Afinal, se alguém está errado não é você e sim quem discrimina os gays e lésbicas.

8. Seja paciente
Se teus pais são muito conservadores e moralistas, e se não desconfiavam de nada, certamente precisarão de mais tempo para se acostumarem com a idéia de ter uma filha lésbica. Isto pode levar meses ou até anos. Se para você é muito importante manter bom relacionamento com a família, então além de ser paciente, evite qualquer conversa ou atitude que possa aumentar a vergonha ou raiva que passaram a sentir por você. Não entre em detalhes sobre sua vida íntima, só leve alguma amiga lésbica à sua casa se tiver certeza que ajudará os velhos a te aceitarem melhor.

9. Família às vezes é melhor na fotografia
Lembre-se que família não é apenas ter o mesmo sangue. Ninguém escolhe a família que tem, mas amigo, sim a gente pode escolher. Se sua família recusa-se, mesmo depois de muitas tentativas e paciência de sua parte, a te aceitar e te amar como lésbica, não abra mão de sua realização e felicidade pessoal para agradar aos parentes. Quem está errado não é você, são eles que devem mudar, portanto, se não te aceitam como você é, construa novos laços de amizade, amor e compreensão. Cortar o cordão umbilical ou livrar-se da barra da saia materna, no início pode ser duro e difícil, mas é o primeiro passo de uma vida mais autêntica e feliz. Também não cuspa no prato que comeu, e se puder manter bom contato com seus pais, irmãos e demais parentes, já tem um bando de aliados para enfrentar a intolerância fora de casa.

10. Não é crime ser homossexual
Todo mundo nasceu para ser feliz. É preciso ter muita coragem para enfrentar a barra de ser gay ou lésbica neste país onde a maioria das pessoas ainda considera o homossexual como um ser inferior. A História está do nosso lado, e os países mais civilizados, onde os gays, lésbicas, bissexuais e transexuais são respeitados como cidadãos, dão o exemplo que é melhor conviver e respeitar a pluralidade do que marginalizar as "minorias". Se você sente amor, paixão e tesão por pessoas do mesmo sexo, saiba que não está sozinha: mais de 10% da humanidade é igual a você. Em cada quatro famílias, numa tem um homossexual. E para a sua maior segurança e calar a boca dos intolerantes, não se esqueça de citar famosos da história da humanidade, que como você, praticaram o "amor que não ousava dizer o nome". Muitos homens e mulheres que você conhece que com gara, luta, sensibilidade nos ajudaram e ajudam a construir a nossa história e luta pela visibilidade, direitos e cidadania. Mire-se nesses exemplos.

(Fonte: GGB – Grupo Gay da Bahia)

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