Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza
<  Outubro 2006  >
S T Q Q S S D
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 31          
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Outubro 2006, 06

06.10.06

*Decálogo do silêncio*

categorias: É bom saber

- “Quando as mulheres denunciam, acredita-se menos nelas, pior ainda se forem adultas. E muito pior se o agressor for um padre, um homem envolto em aura de santidade. De vítima ela vira culpada.”

- ''Quando um padre se casa com uma mulher, a demissão é a primeira medida. Quando comete um crime sexual, é a última. É muito mais forte a punição por romper o celibato que por estuprar uma mulher ''

O equivalente, no Brasil, ao documentário da BBC de Londres sobre o decálogo da Igreja Católica (Crimes Sexuais e o Vaticano) para lidar com casos de abuso sexual é o trabalho da socióloga da religião Regina Soares Jurkewicz. Católica, ela investigou e publicou o documento “Desvelando a política do silêncio: abuso sexual de mulheres por padres no Brasil”, no qual mostra e examina casos de abusos sexuais de padres brasileiros contra mulheres. Seu trabalho mostra que mulheres e adolescentes pobres são as principais vítimas desse tipo de abuso, como ela explicou em entrevista publicada na revista Época, onde ela também demonstra os dez mandamentos da Igreja para encobrir os casos de abuso:

  1. Averiguação discreta do que ocorreu, de modo informal.
  2. Chamar o agressor e admoestá-lo. O superior deve conversar com as vítimas dizendo que o agressor está arrependido e não repetirá o erro. Vai pedir que elas não dêem queixa para não prejudicar a instituição.
  3. Encobrimento dos fatos por meio de suborno ou transferência do sacerdote.
  4. Só entra em cena se o caso torna-se público: determina que a Igreja adote um expediente canônico para se defender de acusações de cumplicidade. Uma maneira de dizer que estão cuidando do caso internamente.
  5. Negar publicamente que ocorreu o crime.
  6. Defesa pública do agressor, ressaltando seus bons serviços prestados e seus méritos pessoais.
  7. Desqualificação pública das vítimas.
  8. Atribuir a denúncia a uma campanha orquestrada por supostos inimigos da Igreja.
  9. Oferecer compensação financeira à vítima para que retire a queixa.
10. Quando a culpa está comprovada, a Igreja fica ao lado do agressor e faz todos os esforços para que o crime seja esquecido.

Para quem quiser, na íntegra, a entrevista da socióloga publicada na revista Época: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT979770-1666,00.html

(texto escrito por Carla Rodrigues e retirado do blog "Contemporânea" do site “No mínimo”)

  • criado por  Mara* criado por Mara*
  • Postado em 05:46:58