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O descobrimento do orgasmo clitoriano
Matteo Colombo foi o primeiro anatomista no Ocidente a descrever a genitália feminina de maneira mais completa e isso só no século 16 e foi acusado de heresia, só porque escreveu que as mulheres sentiam prazer sexual através de estimulação clitoriana. Antes dele, a anatomia pensava nosso sexo como um mero buraco para que os homens depositassem sua semente ou uma bainha para que enfiassem sua espada. Colombo descobriu o clitóris quando atendeu uma paciente que sofria de neurose e percebeu que os sintomas estavam relacionados à falta de orgasmos. De início, o médico se assustou quando localizou um pequeno órgão, constantemente ereto e intumescido. Depois de aplicar sessões regulares de massagem sobre aquele pequeno órgão, que culminavam com um orgasmo e uma subseqüente alívio das tensões de sua paciente, Colombo concluiu que o clitóris era o responsável pelo gozo feminino. Mais: descobriu também que, se o gozo não fosse liberado com alguma regularidade, o corpo poderia adoentar-se. É claro que no Oriente as coisas eram diferentes. Cinco séculos antes de Cristo uma filósofa chamada Filênis, nascida em Lesbos, escreveu uma espécie de um Kama Sutra do amor entre mulheres. Pena que o livro nunca foi encontrado. Filênis certamente sabia - e muito bem - da existência do clitóris.
Mito freudiano do orgasmo vaginal
Séculos depois, Freud ignorou completamente esta obra-prima da anatomia feminina e contribuiu para o empobrecimento da vida sexual das mulheres afirmando que o gozo clitoriano era infantil e que somente o orgasmo vaginal poderia ser considerado um gozo maduro e fecundo. Na verdade, Freud pouco sabia da anatomia do clitóris, talvez desinteressado deste pequeno pedaço de Paraíso devido à sua miopia falocêntrica, que via na mulher apenas o côncavo. Há mais tecido eréctil numa mulher do que supõe a velha psicanálise. Foram necessárias algumas décadas para que esse mito fosse detonado. Só depois do relatório Kinsey as mulheres puderam conferir o que já sabiam: o clitóris tem participação ativa no gozo feminino. Descobertas anatômicas subseqüentes confirmaram que a vagina é pobre em terminações nervosas e estas se localizam apenas no primeiro terço do canal vaginal. Todo esse silêncio sobre a sexualidade feminina gerou mitos e suposições que afastam as mulheres de seu próprio corpo.
Curiosidades
Miss Clitóris na Ilha de Páscoa
Os habitantes desta Ilha, famosa por suas estátuas enormes e misteriosas, acreditavam mesmo que tamanho é documento. Há uns 600, 800 anos atrás eles realizavam um concurso, uma espécie de Miss Clitóris, cujo objetivo era escolher a que tivesse o maior pingolim. Algumas virgens eram selecionadas e tinham seu clitóris estimulados até que ficassem bem entumescidos e duros para serem medidos sob seu melhor ângulo: o ereto.
Sapatão
A respeitada revista científica Nature publicou uma pesquisa de geneticistas da Universidade de Genebra que descobriram que os mesmos genes que controlam o tamanho do pé determinam também o tamanho do pênis, no homem, e do clitóris, na mulher. A partir de agora, garotas, pensem duas vezes antes de dizer o tamanho do seu sapato...
O Peixe Elétrico
Esta é uma lenda da Amazônia: era uma vez uma mulher que se cansou do marido e começou a traí-lo, não com alguém de carne e osso, mas com uma entidade que a visitava durante a noite. A entidade - que ao que parece sabia da arte de dar prazer com as mãos - enfiava o braço através das palhas da maloca e estimulava o clitóris da mulher. Até que ele ficou tão grande, mas tão enorme, que foi cortado e atirado n'água. E foi assim que surgiu o peixe elétrico. Sentiram o choque?
A Ponta quente de um iceberg
Um estudo publicado no "The Journal of Urology" revelou que o clitóris é muito maior do que os anatomistas imaginavam. O clitóris visível é apenas a ponta. A maior parte deste órgão fabuloso se estende para dentro do nosso corpo, formando uma massa piramidal de tecido eréctil. Há ainda prolongamentos que se estendem, envolvendo a cavidade vaginal e a uretra. Ao excitar-se, todo este tecido eréctil se infla e, somando-se as partes de dentro e de fora, o clitóris então atingiria uma extensão total de 12 cm, literalmente, de cabo a rabo.
(por Cilmara Bedaque e Vange Leonel)