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"Eu sou Mônica, sou mulher, estou balzaquiana. Estou sobrancelhas podadas, pernas depiladas, boca pintada. De vez em quando estou homem, voz grave, pragmatismo, sentimentos aparentemente sob controle. Sim, às vezes estou clichê. Mulher ou homem. Outras vezes estou um arroto atrevido com batom, a macheza na TPM, os dedos esmaltados mandando alguém tomar no cu. Androginia mental e comportamental. Queria ser linda. Não sou. Quero estar mais e mais de bem comigo. Quase estou. Quando o "quase", enfim, morrer, linda, aos meus olhos, poderei dizer que sou. Sou lúcida e delirante, neurótica e centrada, charmosa e desinteressante, corajosa e apavorada, risonha e carrancuda. Murro em ponta de faca e beijinho na mão machucada. Contraditória. Eu sou. Low profile e “gaiola das loucas”. A louca. Às vezes estou pudica. Sou “putica”. Puritana nunca fui. Putana. Mas, quem afinal eu sou? Alguém que, ao se enganar, se encontra. E que, ao se encontrar, se engana."
(não sei de quem é o texto, se alguém souber me avise)