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“Eu vi pessoas. Só pessoas. Lançadas numa voragem de sentimentos. E de sentidos. Um vórtice enterrado no coração daquele lugar. E o viver de hábitos que se forçam, ocasiões fortuitas, abandono, angústia. O sofrimento contido. O pressentir do sofrimento, ainda antes da alegria do reencontro. A revolta contra as circunstâncias e a sua aceitação tácita. E a sociedade à volta que finge não saber. Mas que cobra, quando chega a hora. Cobra até a vida. E aquele amor, tão grande, tão belo. Tão limpo como o ar do refúgio. A ternura que passa no olhar ou nas palavras contidas. A erosão do tempo (tantos anos…) que não mata o essencial. E a jura que não é dita perante aquela imagem da outra contém todo o sentimento de todas as lágrimas choradas por dentro. Só vi pessoas. E uma comovente história de amor. Disseram-me que eram duas mulheres.”
(texto retirado e adaptado do blog "Mulheres de 50 a 60")