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Autora: Jeanette Winterson
Tradução: Julio Bandeira
Editora: Rocco
"Uma intensa elegia àquela paixão que em minuto algum pode se dissociar de sua origem física, carnal, sangüínea, humana. Com a virilidade, a independência e a ousadia de uma Virgínia Woolf - de quem, aliás, esta autora inglesa se diz herdeira direta, única e verdadeira -, Jeanette Winterson mergulha na radicalidade daqueles que vivem em busca do amor ardente e trágico, no sentido mais dionisíaco da vida, daqueles que amam com as vísceras, com a carne, com cada centímetro do corpo. É um culto à anatomia da mulher amada, do cheiro, da forma e da cor de cada poro desta mulher, aqui uma mulher casada que não sente nada dessas coisas pelo marido, mas sim pelo amante, o narrador deste triângulo amoroso inglês, pós-Margareth Tatcher. O narrador vive a brutalidade das ausências e viaja sempre para este território adorado e perdido: o corpo que lhe desencadeia todos os sentidos de vida e de morte. A prosa erudita de Jeanette Winterson torna-se ainda mais afiada e irônica ao negar ao narrador, ápice do triângulo torrencial, um gênero sexual. Embora o objeto de seu amor seja a mulher casada e especialmente o corpo desta mulher casada, ele por vezes é um homem, por outras é uma mulher e chega a ser ainda um amante de condição sexual indefinida, porém intensa, de sensações sangrentas, viscerais. É um ser humano convulsivo, que se corrói fisicamente com a perda do outro corpo, tão incondicionalmente desejado. "Inscrito no corpo" é da ordem dos amores radicalmente físicos e, portanto, de intensidade trágica."
Trecho do livro
"Ela cheira a mar. Ela cheira como as piscinas nas rochas à beira-mar de quando eu era criança. Ela guarda uma estrela-do-mar lá dentro. Eu me curvei para saborear o sal. Para escorregar meus dedos pela orla. Ela se abre e fecha como anêmona-do-mar. Todos os dias ela se enche de marés frescas de anelo."
Jeanette Winterson é poesia em prosa. E talento. E arrojo. E pós-modernismo. E uma das mais importantes escritoras da atualidade. Jeanette Winterson é inglesa, nascida em Manchester, adotada e criada por pais pentecostais bastante religiosos. A leitura não era bem vista em seu lar, a menos que se tratasse da leitura da bíblia. Seus pais queriam que ela fosse missionária. Jeanette teve que deixar seu lar ao 16 anos, quando se apaixonou por uma garota.