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"No New York Times, excelente artigo sobre como gays e lésbicas estão encarando a questão da parentalidade. Porque uma criança deve ser educada apenas por um casal, ainda que um casal de mulheres? Como incluir um pai nessa família estendida? Ser apenas um doador de esperma ou assumir a paternidade? O autor do artigo, John Bowe, ouviu diversos gays que foram doadores de esperma para casais de lésbicas. Todos têm algum tipo de envolvimento com as crianças – desde morar na vizinhança para participar do cotidiano dos filhos até passar férias juntos se for impossível estar perto no restante do tempo. O tema é importante nos EUA porque o país experimenta uma espécie de baby-boom de filhos de casais homossexuais, para os quais tudo ainda está questão. No último episódio da segunda temporada de “The L Word”, nasce a filha de uma das lésbicas, que passa pelo colo de todas as amigas num ritual que simboliza laços familiares envolvendo o grupo. Essa talvez seja a grande contribuição da causa gay ao universo heterossexual: fazer pensar a constituição de vínculos afetivos que não estejam baseados apenas em padrões familiares clássicos e permitir o alargamento do conceito de família como o ninho no qual se deve estar confortavelmente aconchegado, para além dos laços sangüíneos."
(por Carla Rodrigues, do blog "Contemporânea", do site NoMínimo)
***Em tempo: para quem acha que isso é coisa de gringo.
23/11/2006 - 08h05
Pela 1ª vez, Justiça autoriza casal gay a adotar criança no Brasil
Renata Baptista
da Agência Folha
"Pela primeira vez no Brasil, a Justiça autorizou que um casal de homens homossexuais registre uma criança como filha. Os nomes dos dois, que moram em Catanduva (385 km de SP), aparecem como pais da menina na certidão de nascimento. Os cabeleireiros Vasco Pedro da Gama, 35, e Júnior de Carvalho, 43, conseguiram adotar, juntos, Theodora, 5, que vive com o casal há um ano. A luta para adotar uma criança começou em 1998. Em dezembro de 2005, Theodora chegou à casa dos dois, adotada legalmente apenas por Gama. Em abril, ambos entraram com processo para reconhecimento da paternidade de Carvalho."Acho que o processo foi ainda mais exigente do que o meu, mas deu tudo certo", afirmou Gama. "Estamos juntos há 14 anos e, como todo casal, achamos que era hora de ter uma criança em casa." No dia 30, uma juíza de Catanduva concedeu parecer favorável ao pedido. Como a Promotoria não recorreu, a certidão de Theodora com o nome de Gama e Carvalho como seus pais foi emitida anteontem. Para a desembargadora Maria Berenice Dias, vice-presidente do Ibdfam (Instituto Brasileiro de Direito da Família), a decisão abre jurisprudência para que outros casais homossexuais consigam a adoção. Segundo ela, apenas um casal de lésbicas do Rio Grande do Sul havia conquistado o direito de adotar uma criança no país. Dias afirmou que ainda há uma "farsa", na qual a criança é adotada apenas por uma das partes do casal homossexual, que não precisa revelar a opção sexual. "Isso acaba prejudicando a criança, que tem alguns direitos excluídos, como pensão."