Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2006, 08

08.12.06

Garota enxaqueca

categorias: Definindo II

Insegurança e posse cegam qualquer pessoa

"Você finalmente resolveu buscar alguém após um longo e tenebroso inverno de reclusão, fruto de uma separação recente. Um pouco mais seletiva você escolhe, escolhe, escolhe...e acaba sendo escolhida. O namoro vai bem, obrigada. Quer dizer, namoro não, “fico”, como ela costuma dizer. Vocês já estão juntas há uns dois meses e agora as coisas começam a acalmar, pós paixão-fulminante. Visitas diárias, finais de semana juntas, passeios, caminhadas e tudo o que o começo de uma relação tem direito. Suas amigas a adoram, o sexo é maravilhoso, a convivência também. Eis que vocês são convidadas para um aniversário em um barzinho. Chegam juntas e passam a noite grudadinhas, feito um casal de periquitinhos australianos. Depois de três copos de cerveja, seu corpo pede desesperadamente uma ida ao toilet. Ela olha torto, te segue com os olhos e fica o tempo todo medindo seus passos. Para sua infelicidade, alguém resolve mexer com você no caminho. Como uma autêntica “ninja”, sua namorada surge ao seu lado, derrubando cadeira, quebrando garrafa, gritando e vociferando aos quatro ventos que você a ela pertence. Você fica petrificada. O susto foi tão grande que sequer consegue reagir e fica ali, boquiaberta, vendo o circo pegar fogo.
- Mas ela parecia tão boazinha, tão centrada! – você justifica-se com as amigas, que estão mais pasmas que você.
Depois do “show”, vocês saem “à francesa”, rezando para não encontrar ninguém conhecido. No carro, você exige uma explicação. Ela, com cara de vítima, não entende seu questionamento.
- Como assim? Eu só fiz aquilo por você! – ela diz em auto-defesa.
Namorar uma “garota enxaqueca” não é fácil. Ela é ciumenta, possessiva e briguenta. Basta um olhar diferente em sua direção para a casa cair, às vezes, literalmente. Nem sempre elas reagem fisicamente, mas apanhando, batendo ou discutindo, te fazem passar vergonha. Muitos acham que este comportamento está relacionado ao nível social e intelectual da “fera” mas na verdade, isso pouco influencia. A insegurança e a posse cegam a qualquer um, independente da classe social e intelectual. Se ela já é a sua “pit bullzinha da mamãe” tente uma conversa franca e aberta. Deixe claro que você não está habituada a ter pessoas que reagem com tanta intensidade ao seu lado e que isto não te agrada. Deixe claro seus sentimentos, isso fará com que ela sinta segurança na relação. Se o caso for tão grave que nem focinheira resolve, procure ajuda profissional. Existem ótimos tratamentos para quem não sabe lidar com o ciúme excessivo. Há quem prefira uma espécime mais calma e mansinha. Se você não está disposta a domar esse Red Nose, então o jeito é bater em retirada. Seja ao lado da fera domada ou de uma mulher absolutamente zen, o importante é estar feliz. Sempre."

(por Nina Lopes, jornalista e editora da revista Sobre Elas)

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