Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Arquivo de: Dezembro 2006, 12

12.12.06

Nadando contra a corrente

categorias: Definindo II

"É muito incômodo se sentir um peixe fora dágua. Mas esta sensação muitas vezes é inevitável. Estar em um lugar sem dele se sentir parte, conversar com pessoas com as quais não nos identificamos, por mais que tenhamos (ou pareçamos ter) coisas em comum como, por exemplo, a homossexualidade. Percebo que o meio homossexual pode ser tão preconceituoso e radical com aqueles que não se encaixam nos esteriótipos como o mundo hétero. O tempo todo, apesar de brincamos com os esteriótipos, ridicularizando-os, os reforçamos nas nossas atitudes e na nossa postura do dia-a-dia. Sou lésbica. E, queiramos ou não, existe uma certa "estética lésbica" e um "comportamento lésbico" esperado e incentivado. Cansei de ouvir, inclusive de homossexuais, a pergunta: "Mas você é lésbica? Nossa, não parece...". Como se me faltasse algum comportamento, um gesto, um indício, alguma coisa que, por si, revelasse minha orientação sexual. Ninguém é obrigada, por ser lésbica, a ser louca pela Ana Carolina, Cássia Eller, Bethânia, Zélia Duncan ou pela Shane. A jogar ou curtir futebol, olhar bundas e peitos de mulheres na rua, usar boné, calça cargo ou coturno, beber muito e ficar com várias na balada. Nem obrigada a freqüentar mostras de filmes lésbicos ou cults, conhecer tudo sobre música, estudar arte, arquitetura, cinema ou sociais/humanas e usar roupas de brechó, da Benedito, ou da marca A, B ou C. Muito menos a decidir se me atrai o esteriótipo de mulher bofinho, feminina, moderna ou lesbian chic. Eu prefiro a liberdade. A liberdade de ouvir o que eu quiser (amo Zélia Duncan, mas Bethânia às vezes me dá no saco), de um dia me achar uma lady e em outro me sentir um garoto. De amar as ativas, as passivas e as relativas. De comprar roupa em brechó e na Benedito, mas também na José Paulino ou na Renner. De amar praticar qualquer esporte, mas sim porque aprendi com meu pai (que é professor de educação física) e não porque tenho que gostar por ser lésbica. A liberdade de não beber (quase não bebo), não fumar, ser vegetariana e de não gostar ficar caçando em balada. De ser fanática por Almodóvar, mas também amar assistir algo totalmente comercial. A liberdade de ser o que eu quiser e não corresponder a nenhum esteriótipo. Acho que está mais do que na hora de nós homossexuais aprendermos a conviver com a diversidade."

(por Dri Quedas do site MixBrasil)

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  • Postado em 05:33:42