Reverberando e divulgando a diversidade. Um menino adotado, cantando a sua realidade de ter dois pais gays. Vamos divulgar as coisas boas que acontecem no planeta, com as pessoas do bem e refletir sobre o conceito de família no século XXI. O vídeo é maravilhoso, é da Holanda, e é um exemplo de respeito à diversidade.

(enviado por Roberto Pereira do Centro de Educação Sexual - CEDUS
Co-Representante ONG-Sudeste/CNAIDS-MS
Av. General Justo, 275 - bloco 1 - 203/ A – Castelo 20021-130 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Tel: (21) 2544-2866 Telefax: (21) 2517-3293)

"Nas mansas correntes de tuas mãos e em tuas mãos que são tormenta na nave divagante de teus olhos que têm rumo seguro na redondeza de teu ventre como uma esfera perpetuamente inacabada na morosidade de tuas palavras velozes como feras fugitivas na suavidade de tua pele ardendo em cidades incendiadas no lunar único de teu braço ancorei a nave. Navegaríamos, se o tempo houvesse sido favorável."
(Cristina Peri Rossi)

Aquela que foi uma das mais influentes feministas do século 20, nos primeiros momentos de militância, se opôs a "igualar feminismo com lesbiandade". Mais tarde, numa autocrítica, confessou que era "muito quadrada"e se sentia pouco confortável para abraçar as causas dos gays. A expressão "Lavander Menace" (ameaça cor de lavanda) é de sua autoria, e foi usada durante o encontro da NOW em 1969. "Lavender Menace" era um um recado para as lésbicas que queriam igualdade com o feminismo e foi mais tarde usada pelos ativistas dos direitos dos gays. Durante uma conferência feminista que aconteceu no velódromo de Huston Texas, em 1977, para ratificar o projeto das Nacões Unidas "Platform for Women", ela tomou o microfone e, diante de uma platéia de cerca de dez mil mulheres, assinou a moção que apoiava os direitos das lésbicas. Neste momento, milhares de balões cor de lavanda subiram ao céu, enquanto as mulheres festejavam, gritavam e choravam. Apesar da oposição da direita americana, a moção foi aprovada no Congresso, Este foi o momento de glória total para o Movimento Feminista Americano, para os ativistas gays e para Betty Friedan.
Betty Naomi Goldstein nasceu em Peoria, Illinois em 4 de fevereiro de 1921 , filha de um joalheiro e de uma jornalista que deixou o emprego para ser mãe de família e dona de casa.Fez os estudos básicos na cidade natal e foi aluna do Smith College, onde editou o jornal da Universidade e se graduou summa cum laude, em 1942. Foi ativista marxista e frequentou círculos judeus radicais. Abandonou os estudos de Psicologia em Berkeley (Universidade da Califórnia) para trabalhar na imprensa sindicalista de esquerda. Em 1947, casou-se com o executivo de agência de propaganda Carl Friedman. Em 1952, grávida de seu segundo filho, Betty foi despedida de seu emprego no jornal sindicalista UE News. Na reunião de sua turma de faculdade, em 1957, falou sobre o destino das formandas do Smith College, comparando seus potenciais e perspectivas na ocasião da formatura e o destino vulgar que suas vidas tomaram. O discurso foi publicado em jornais e revistas dirigidos ao público feminino. Esta reflexão, semente da futura militância, foi reescrita para ser publicada como livro, com o título de "A mística feminina". Ela passeia pela importância do trabalho feminino nas sociedades industriais, em especial o papel de dona de casa em tempo integral que Betty julgava difícil, árduo, monótono mas não devidamente reconhecido. Publicado em 1953, tornou-se um best seller mundial e é considerado a base do novo Movimento Feminista. A tumultuada relação de 22 anos com o marido terminou com o divórcio em 1969, quando saiu também o M do sobrenome. A separação foi acompanhada pelo público americano pela televisão, como uma novela. Betty falou aos telespectadores no Good Morning America - uma espécie de "Bom dia, Brasil" - e concedeu inúmeras entrevistas coletivas para explicar o fracasso do casamento. Na autobiografia My Life So Far - Minha vida até agora, de 2000 - as agressões físicas que afirmou ter sofrido foram narradas com detalhes. Carl morreu em 2005 e o casal teve 3 filhos e 9 netos: um dos filhos, Daniel, é cientista e astrônomo muito conhecido.
Betty Friedan é co-fundadora, junto com mais 27 pessoas (homens e mulheres) da NOW- U.S. - National Organization for Women(Organização Nacional de Mulheres) e com Pauli Murray (Anna Pauline Murray) (foto), a primeira bispa afro-americana, escreveu os estatutos da Entidade. Betty também ajudou a criar a NARAL (National Association for the Repeal of Abortion Laws) - associação especializada na luta pela aprovação de leis que dariam às mulheres americanas a opção legal de abortar. Nesse trabalho (1969) teve a colaboração de Bernard Nathanson e Larry Lader. O gênio abrasivo de Betty não passou em branco. Discriminada desde sempre por ser feia e judia, desenvolveu um temperamento agressivo e complicado. Dias após o óbito, em 7/2/2006, a controvertida escritora feminista Germaine Gree publicou um artigo no Guardian "A Betty que conheci", em que chamava sua colega de "egoísta, exigente e autoreferente", mas concordou que Betty Friedan mudou a História. Apesar de seu gênio difícil, penso que ela tinha uma certeza: as mulheres não serão respeitadas se não tiverem um padrão de comportamento masculino. Se forem do tipo 'mulherzinhas' serão chamadas de ‘benzinho’ e se conformarão com o tratamento. Betty quís mudar isso para sempre”. Betty Friedan esteve no Brasil na década de 60, trazida pela escritora, editora e militante brasileira Rose Marie Muraro.
(por Thereza Pires, jornalista e colunista do MixBrasil)
Enquetes em votação no Orkut
clique aqui "Você já sofreu algum tipo de violência?" (comunidade Trans Sudeste)
clique aqui "Qual sua personagem preferida da série The L Word?" (comunidade Tête-à-Tête)
clique aqui e opine sobre romantismo (comunidade Mulheres Românticas)
clique aqui e opine em várias enquetes (comunidade Homofobia - já era)
clique aqui e seja solidária, assine a carta pela aprovação do Projeto de Lei 122
A colunista Nina Lopes entrevista filha homossexual de mãe lésbica

"Minha mãe gosta de mulher", berra a intrépida Sol, personagem do filme "A mi Madre Le Gustan las Mujeres", divertidíssima comédia espanhola, disponível em DVD (sinopse aqui), que conta a história da pianista Sofia que reúne suas filhas para contar que está namorando uma mulher. Acredite, esta é a realidade de muitos filhos e filhas de homo e bissexuais, frutos de relações anteriores, produções independentes ou decisão do próprio casal de iguais em se constituir uma família. Essa geração, além de presenciar muitas vezes o preconceito pelas mães, vivencia o próprio preconceito: o de ser filho de uma homossexual. Contar ou não contar, eis a questão. Muitas mães vivem o dilema de manter uma relação com pessoa do mesmo sexo em segredo, para poupar seus filhos ou até mesmo por não saberem lidar com a situação. Tanto a mãe quanto o filho deve ter acompanhamento psicológico na hora de "revelar" a situação, a fim de que não haja traumas irreversíveis. Quanto mais natural, melhor. Nada de fazer estardalhaço no meio da reunião de família de domingo. Isso irá deixar a todos constrangidos e o resultado pode não ser o esperado. Encontre o momento certo de contar, de preferência quando ele tiver maturidade para compreender e aceitar a situação. Lembre-se que a sociedade exigirá o dobro de você, que para a maioria míope, a sua orientação pode desqualificá-la como educadora e mãe. Não desanime, pesquisas revelam que o lar constituído por homossexuais tende a ser mais harmonioso e sólido que os relacionamentos heterossexuais. Ser homossexual, filha de homossexual e mãe. Será que dá? Não só dá, como todos os envolvidos fazem parte de uma família estruturada e feliz. Bastou transparência e clareza para que Lee (31 anos e coordenadora de Call Center) se entendesse com sua mãe homossexual e com sua própria homossexualidade. Duvida? Ela mesma nos conta essa experiência ímpar.
Qual idade tinha e qual foi a sua reação quando você soube que sua mãe era homossexual?
Tinha 12 anos e sempre fui muito descolada. Então não tive nenhum choque. E ainda me achei no dever de apoiar minha mãe, pois em meio a quatro filhos, eu sou a única mulher. Procurei entendê-la.
Quando você se descobriu homossexual também?
Talvez o fato de apoiar minha mãe e ser muito desencanada de preconceitos, me fez aceitar numa boa quando desejei estar com uma mulher. Já fui noiva de um rapaz, que hoje é meu amigão. Tenho um filho, de um cara que gostei muito e em meio a tudo isso namorei também com garotas. Hoje tenho muito clara minha orientação. E sou feliz. Já a descoberta, sei lá, eu já olhava para os seios das garotas na escola, no auge dos meus 10 anos. Em seguida veio a história da minha mãe. Depois disso fui aceitando todas as experiências surgidas a partir dos 17 anos. Freqüentava boates gays com um amigo que era assumido. Na verdade minha mãe ia de carro com a "amiga dela" e nos deixava na porta da boate (extinta Bug House) e ia para a Segredu´s, ao final da balada, ela nos pegava na porta da boate e íamos todos felizes para casa. Eu já ficava com meninas, mas só dava uns beijos. Até por conta da minha indecisão, acho que posso dizer assim, tive minha primeira experiência sexual aos 21 anos, com um rapaz, e alguns meses depois com uma mulher.
E como foi contar para sua mãe?
Tinha uma viagem de férias marcada, onde iríamos eu, meu filho, minha namorada, um casal de amigos e chamei minha mãe. Ela perguntou quem eram estes amigos, expliquei a ela, inclusive um deles ela conhecia muito bem, e disse que a amiga, era aquela que me ligava diariamente e que estava em casa aos finais de semana, e que inclusive era minha namorada. Ela sorriu, disse que já desconfiava, mas respeitou o meu tempo para contar. Disse que me apoiava, e que na verdade sempre quis que eu namorasse meninas.
Seu filho sabe da sua orientação?
Se perguntar quem eu amo ele diz o nome dela. Talvez a idade dele (5 anos) não deixe as coisas muito claras, mas ele chega a chamá-la de mãe.
Como você reagiria se soubesse que ele é homossexual?
Honestamente? Eu aceitaria a quarta geração da família numa boa. Para mim o que importa é ele ser feliz.
Qual a maior dificuldade em ser mãe e homossexual?
Eu costumo me impor muito em idéias, e por ter uma personalidade muito forte. O pai do meu filho chegou a ameaçar brigar pela a guarda dele na justiça por conta de minha orientação, mas ele viu que um briga dessas comigo eu iria até as últimas, e então ele desencanou. Hoje ele me respeita.
E em ser filha de homossexual?
Esta questão não tem o menor peso na relação mãe e filha.
***************************************************
Meus outros caminhos
Direção e roteiro: Márcia Cabral
Produção executiva: Irina Bacci e Marisa Fernandes
Documentário gravado nas cidades de São Paulo, Campinas, Diadema, Rio de Janeiro, Anápolis, Goiânia, Brasília e Salvador
Foi lançado em São Paulo o vídeo documentário ‘Meu Mundo É Esse’, que faz um retrato bastante real da vida de mulheres negras e lésbicas no Brasil contemporâneo. Produzido pelo Grupo Minas de Cor, com direção e roteiro da sua coordenadora geral Marcia Cabral (foto). A estréia aconteceu na sala Maria Antônia, no Cine Pop Cine, e contou com a presença de autoridades, ativistas do movimento negro e GLBTT, bem como amigos e apoiadores do documentário. ‘Meu Mundo é Esse’ é uma radiografia do Brasil, numa história real que se desenrola com o pano de fundo da discriminação. Lésbicas e negras, as mulheres contam como vivem, ganham dinheiro e o que esperam do futuro. Um retrato da vida, dos sonhos, do cotidiano dessas brasileiras. Brasil multicolorido, multifacetado. De São Paulo à Brasília, de Anápolis a Recife, lésbicas negras, relatam com suas próprias vozes e olhares, suas vidas e suas histórias. O documentário deverá entrar em cartaz a partir de segunda quinzena de abril, no Cine Pop Cine, Sala Maria Antônia, Rua Maria Antônia, 283 – São Paulo.
(por Irina Bacci e extraído do MixBrasil)

A diretora Márcia Cabral é estudante de Direito, Chef de Cozinha e Coordenadora Geral do Minas de Cor Espaço e Cidadania e Cultura. Nos últimos anos Márcia dedica-se a visibilizar a existência e a realidade de mulheres que são negras e lésbicas, após ter coordenado uma pesquisa com essas mulheres, moradoras nas periferias da cidade de São Paulo, realizado o Seminário Nacional de Lésbicas Negras: “Afirmando Identidades”, agora atua como diretora e roteirista, realizando o seu primeiro vídeo-documentário.