Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Terra Blog

Arquivo de: Janeiro 2007, 03

03.01.07

Terrorismo religioso

categorias: É bom saber

Jovem é dominada pelo demônio e vira lésbica

"A jovem lésbica tinha 18 anos quando me procurou com muito medo e sentimento de culpa. Disse-me: o demônio entrou dentro de mim e virei lésbica. Ela era evangélica e num sermão da igreja o bispo falou que a prática homossexual é pecado e que os homossexuais têm o demônio incorporado. Quando ele entra nas pessoas elas se tornam gays e lésbicas. A jovem estava muito assustada, pois este bispo falou, também, que a homossexualidade tem cura e que ela pode se livrar do demônio se abraçar à causa de Deus, saindo desta vida de pecadora. Se ela começar a freqüentar à casa de Deus duas vezes por semana, contribuir financeiramente com a igreja, doando seu dízimo, arrumar um namorado e casar ela encontrará o reino da felicidade. Ela se livrará então da vida depravada dos homossexuias. Como é que uma pessoa pode acreditar numa conversa desta? A cabeça da jovem ficou muito estragada. Foram longos meses de diálogos até ela compreender que o demônio não entra no corpo de ninguém, muito pelo contrário o demônio é bem humano e anda por aí assombrando e tornando a vida das pessoas um verdadeiro inferno. Ela compreendeu também que orientação sexual de uma pessoa não se muda e que é possível ela ser feliz sendo lésbica. Finalmente, por ser uma jovem esperta e com uma boa capacidade de compreensão, ela mesmo se convenceu que religião nenhuma no mundo tem o direito de interferir em assunto íntimo de uma pessoa, como a sua orientação sexual e a sua sexualidade. Hoje, esta jovem lésbica se encontra feliz da vida com sua nova namorada. Estão fazendo planos para morarem juntas. Ela não enlouqueceu, como muitos homossexuais que entram neste papo furado. A sensatez salvou-a da loucura e dos aproveitadores da ignorância humana."

(por João Pedrosa – psicólogo)

Desmascarando a farsa
Ex-integrante de grupo religioso ataca a “conversão” de gays

"Há sete anos escrevo colunas sobre homossexualidade. Desde que a extinta revista gay “Sui Generis” me chamou para ser titular de uma coluna lésbica, em 1997, me dedico, entre outras coisas, à difusão de conceitos, idéias e argumentos contra a homofobia e por uma maior compreensão e aceitação da homossexualidade. Durante todo esse tempo, recebi e-mails de uma organização chamada MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia), uma ONG evangélica que dizia auxiliar gays e lésbicas a abandonar a homossexualidade. Tempos atrás, a revista Época publicou uma entrevista com Sérgio Viula, um dos criadores do MOSES que, depois de se decepcionar com a ONG, resolveu assumir-se gay e denunciar a farsa do tratamento de “conversão” empregado pela organização. “O discurso do MOSES é homofóbico e cruel”, disse Viula na entrevista, acrescentando que percebeu a hipocrisia do grupo depois que “um rapaz soropositivo, que chegou a ser da diretoria do Moses, morreu. Ele havia se envolvido sexualmente com dois integrantes do grupo. Um deles estava tão apaixonado que chorou mais que a viúva no enterro. Comecei a pensar que o grupo não funcionava nem para os que estavam dentro dele”. As reuniões do grupo tornaram-se ponto de encontro para enrustidos e muita coisa rolava debaixo do pano, segundo Viula: “Uma vez criaram uma célula de homossexuais que se reunia na Tijuca para fazer uma espécie de terapia em grupo. Em vez de virarem heterossexuais, começou a rolar paquera. Tinha gente que saía da reunião para namorar. Dentro do próprio apartamento que sediava os encontros aconteceram experiências sexuais. A célula acabou cancelada”. Recentemente, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro derrubou o projeto de lei do deputado evangélico Edino Fonseca, que propunha financiamento público para programas e organizações dedicados ao tratamento de gays e lésbicas que voluntariamente desejassem abandonar a homossexualidade. Alegando ter as melhores intenções, esses programas para “conversão de gays” usam e abusam de táticas psicologicamente opressivas. Além disso, se apóiam unicamente na culpa, contando com a homofobia internalizada de quem sempre foi ensinado que o prazer sexual é sujo e a homossexualidade, um pecado. Como revelou Viula, os homossexuais que procuravam o grupo continuavam “sentindo desejo, mas com um pé no prazer e o outro na dor, com sentimento de culpa, medo, auto-rejeição. Criávamos uma paranóia na cabeça deles”. Ou seja, se o projeto de lei do deputado Edino Fonseca fosse aprovado, uma soma considerável do dinheiro público seria usado em programas para aterrorizar homossexuais e engordar as contas bancárias de sujeitos mal-intencionados. O fato é que nossa civilização judaico-cristã coloca uma ênfase enorme na culpa, a homossexualidade é considerada uma aberração segundo a ortodoxia religiosa e isso faz com que muitos gays se sintam culpados por seus desejos. Essa culpa, com o tempo, acaba se transformando no que chamamos de “homofobia internalizada”: a pessoa descobre que tem atração por outras do mesmo sexo, sente-se culpada, acredita que essa atração seja algo errado e passa a se odiar por isso. Em outras vezes, negam sua homossexualidade a tal ponto que nem percebem que são gays e passam a atacar homossexuais, física e verbalmente. Como explicar, por exemplo, a enxurrada de mensagens de religiosos furiosos nos fóruns de sites gays? Por que essas pessoas freqüentam um site gay? Proselitismo religioso? Pregação para os necessitados? Ou, depois que postam suas mensagens atacando gays eles acessam a galeria de fotos para checar alguns nus? Afinal, como relatou Viulo, há muitas pessoas (não todas, claro) que se dizem religiosas e tomam atitudes homofóbicas apenas para esconder sua verdadeira orientação homossexual. Ainda bem, pessoas como Sergio Viulo vêm a público desmascarar a farsa."

(por Vange Leonel do site MixBrasil)

Notas de esclarecimento:

Nota 1. Não existe nenhum estudo científico, até hoje, que comprove que é possível mudar a orientação sexual de alguém. Sessões de exorcismo, descarrego, passe espiritual, infusões de bebidas ou remédios, tratamento de choque químico aversivo, terapias de vidas passadas, terapia de acesso direto ao inconsciente, são práticas anticientíficas não reconhecidas pelas organizações profissionais e pela ciência.
Nota 2. A psicologia, que é a ciência da análise do comportamento, entende que a homossexualidade é uma variante normal da heterossexualidade. Este fenômeno se encontra presente entre os humanos e em mais de 450 espécies de mamíferos, insetos e aves estudadas pelos cientistas, até os dias de hoje.
Nota 3. Organizações profissionais e científicas nacionais e internacionais entendem que a homossexualidade é um manifestação normal. Não se trata de doença, distúrbio mental, perversão e não é contagioso. Estas organizações são: Conselho Federal de Psicologia do Brasil, Conselho Federal de Medicina do Brasil, Associação Psiquiátrica Americana (EUA), Organização Mundial da Saúde (OMS) e Associação Mundial de Sexologia.
Nota 4: O Conselho Federal de Psicologia do Brasil, através da Resolução CFP 001/1999 estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual ”...a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão ...” Psicólogos, que na sua prática clínica, tentem “reverter” a orientação sexual do seu cliente tratando a homossexualidade como doença, está cometendo grave infração das normas do Conselho Federal de Psicologia.

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  • Postado em 04:57:50