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Saiba quais perguntas fazer antes de decidir dividir o controle remoto com a moça
É muito comum que o "casamento" entre homossexuais aconteça mais rapidamente que o entre heterossexuais e, por conseqüência, embora não seja uma regra, o tempo de duração é ainda mais reduzido. Tal efeito se dá pela precipitação na tomada da decisão de se morar junto, ou "casar", sem antes vivenciar o "noivado", período de conhecimento mútuo de compatibilidades. Quando a paixão é avassaladora, queremos estar vinte e quatro horas ao lado da pessoa amada, fazer tudo juntinho, viver intensamente este sentimento tão bom que é gostar de alguém. Tudo fica urgente e morar junto então, torna-se uma necessidade quase vital. O que não nos ocorre é que paixão e amor não são sinônimos. Não é raro encontrar casais que se conhecem há duas semanas dizendo "Eu te amo!" como se aquilo fosse uma verdade absoluta. Se os encontrarmos dentro de dois meses, eles sequer estarão juntos. A paixão não sobrevive à convivência diária, à descoberta do "outro" diferente do "eu", aos hábitos do parceiro tão divergentes dos seus, à falta de dinheiro no final do mês, às mudanças que temos que enfrentar para acomodar uma outra pessoa em nossas vidas. Se o amor não for cultivado enquanto a química da paixão ainda está pulsando em nossos corpos, a possibilidade do casamento durar é mínima. Então, qual o momento certo de casar? Cada casal encontra o seu próprio ponto de equilíbrio, a sua maturidade conjugal. Nós somos seres únicos e assim também é uma relação. Não podemos comparar esse ou aquele relacionamento, eles nunca serão iguais. Portanto, o primeiro passo para se tomar a decisão de casar é despir-se de todas as mágoas que já vivenciamos e entrar de coração aberto neste novo universo que é o comprometimento profundo de compartilhar uma mesma cama, de viver uma mesma história com alguém. É preciso lembrar que ainda não somos amparados pela lei e, principalmente, não somos apoiados pela sociedade. Morar junto, quase sempre significa dividir todas as responsabilidades da casa, principalmente as financeiras já que não existe o "provedor" neste tipo de relação. Nos casamentos heterossexuais há o ritual da noiva entrando na igreja de branco ou uma cerimônia religiosa na crença comungada pelos noivos. Nos casamentos homossexuais existe, no máximo, uma reunião de amigos para compartilhar o desejo de se formar um novo lar. Não temos padrinhos que vão nos dar um fogão ou uma geladeira de presente, ou para os mais abastados, um apartamento para formarmos o nosso ninho. Tudo depende de nós e este é o ponto chave da decisão.
- Estamos realmente preparadas para deixar a casa dos nossos pais e enfrentar a responsabilidade de constituir um novo lar?
- Estamos preparadas para deixar de morar sós e receber alguém para dividir o guarda-roupas, a pia do banheiro, a cama, o controle remoto, a vida?
- Estamos preparadas financeiramente para assumir esta responsabilidade?
- Qual o nosso nível de comprometimento?
- Estamos dispostas a abdicar de coisas que nos são caras para alcançar um bem comum?
Morar junto é maravilhoso. É um aprendizado diário de respeito mútuo. É a oportunidade de aprendermos tudo sobre nós mesmas pois podemos nos ver espelhadas na outra em cada atitude que tomamos. É descobrir a beleza de dividir sentimentos, alegres ou tristes, de saber que temos alguém que irá nos socorrer sempre e que nos ama, apesar de todos os nossos defeitos. Viva esta experiência pelo menos uma vez e, como diria o poeta, que seja eterno enquanto dure.
(texto de Nina Lopes, jornalista e editora da revista "Sobre Elas")