Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza
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Terra Blog

Arquivo de: Março 2007

31.03.07

Plata Quemada

categorias: Filme e pipoca

Título original: “Plata Quemada”
Gênero: drama
Origem: Argentina
Ano de lançamento: 2000
Direção: Marcelo Piñeyro
Com: Eduardo Noriega, Leonardo Sbaraglia, Ricardo Bartis
Premiação: Ganhou o prêmio Goya de melhor filme estrangeiro de Língua Espanhola e os prêmios de melhor fotografia e melhor som, no Festival de Cinema de Havana.

O filme é argentino e baseado no livro homônimo de Ricardo Piglia, que narra uma história real e violenta de dois ladrões de bancos homossexuais que existiam na Argentina. Buenos Aires, 1965, Angel (Eduardo Noriega) e Nenê (Leonardo Sbaraglia) conhecidos no submundo como os “Gêmeos”, parceiros no crime e na cama, participam da execução do assalto de um carro forte cheio de dinheiro, que resulta na morte de todos os seguranças. O filme realmente surpreende ao mostrar drama e ação. O lado dramático foca a relação de Nenê e Angel, em um jogo erótico sufocante de amor e rejeição regado à cocaína e álcool. Perseguidos pela lei fogem para o Uruguai em companhia de alguns comparsas e se refugiam em um apartamento na capital. Lá, em uma atmosfera “noir” perseguem o objetivo final, que acaba dando título ao filme. Com uma direção equilibrada de Marcelo Piñeyro, uma fotografia inspirada de Alfredo F. Mayo, personagens vivem suas tragédias que transcendem a origem “latina” da história, fugindo de padrões do “cinemão” ao retratar o homoerotismo. O cinema argentino nos traz, mais uma vez, verdade e poesia sem clichês e estereótipos. E tem Nenê escutando Billie Holiday. Alguns críticos o chamaram de Bonnie e Clyde gay. Comparações dispensáveis, o filme é uma grande porrada por dois bons motivos: a intensidade do amor do casal protagonista (de tão intenso, soa estranho, doentio) e pela direção. Filme policial, com boas cenas de tiro e aventura e um romance como pano de fundo. A força dos atores empresta ao filme muita sensualidade e sensibilidade. A exploração do amor entre um casal homossexual foi decisiva para a perfeição do filme.

Clique aqui e assista ao trailer

Curiosidades do cinema

O beijo entre os cowboys gays do filme ‘O Segredo de Brokeback Mountain’ foi eleito como o melhor beijo de todos os tempos da história do cinema em votação dos internautas do site de aluguel de filmes Lovefilm.com. O beijo trocado entre os personagens interpretados pelos atores Jake Gyllenhaal e Heath Ledger acontece no já clássico filme quando os dois se reencontram depois de um longo tempo separados. Na votação dos internautas do site, o beijo entre Audrey Hepburn e George Peppard no filme ‘Bonequinha de Luxo’ ficou em segundo lugar, enquanto um beijo entre Brad Pitt e Angelina Jolie em ‘Sr. e Sra. Smith’ ficou com a terceira colocação. Outro beijo entre pessoas do mesmo sexo apareceu na lista dos mais votados no site, na quinta colocação, o trocado entre as atrizes Selma Blair e Sarah Michelle Gellar no filme ‘Segundas Intenções'.






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  • Postado em 09:39:37

30.03.07

Meu primeiro amor

categorias: Definindo II

"Era uma “brincadeira” simples: a moçada que lá estava deveria contar quem havia sido seu primeiro amor homossexual e como ele havia se desenvolvido. De cara perdemos umas duas medrosas que saíram correndo alegando compromisso inadiável. Das que ficaram nenhuma queria começar, já que se tratava do passado, mesmo assim todas relataram o seu primeiro amor homossexual, fizeram comentários e debatemos todas as questões. Com o final da reunião, fui para casa e lá desabei e confesso que chorei feito criança, eu não tinha me dado conta do que havia acontecido na reunião, somente sozinha pude perceber o tamanho da frustração que a maioria de nós carrega ao iniciar sua vida amorosa com amores platônicos ou com dificílimas relações com pessoas mais velhas e casadas. A maioria dos primeiros amores não heterossexuais é platônica e reprimida; nascendo e morrendo em absoluto segredo e imersos em dor, vergonha e frustração. Imaginem só o peso disso no desenvolvimento de nossa vida íntima. Há um grupo jovem que tem sofrido muito menos, hoje em dia. Mas é minoria. São jovens, boa parte de classe média, dos grandes centros urbanos, cujos pais têm tido uma reação muito mais positiva em relação à sexualidade de seus filhos. Mas, como disse, é minoria. A maioria de nós continua tendo que sofrer o seu primeiro amor, ao invés de aproveitá-lo. Sofrer o primeiro amor, é claro, não é incomum para qualquer um, de qualquer orientação sexual. Todo mundo sofre. A maioria não tem coragem de dizer o que sente, não sabe como elaborar esse novo sentimento, não sabe o que fazer. Quando amamos a primeira vez somos crianças, conhecedoras somente do amor familiar. É natural que haja sofrimento e confusão. Mas a questão é que, no nosso caso, há contornos mais fortes e desagradáveis. A primeira dificuldade é que não podemos contar para ninguém, amamos nossas melhores amigas, nossas primas, nossas professoras, a namorada do irmão. Dificilmente temos nessa idade um grupo de amigas com a mesma orientação sexual que a gente. Nosso primeiro amor é calado. Intuímos, desde sempre, que nosso sentimento não pode ser dito. E não pode ser dito porque é proibido. As piadinhas da televisão e da mesa de jantar nos contam que o que sentimos não pode ser nem falado, nem comentado, nem exposto e nem mesmo sentido. É feio, errado, podre, pecado, imoral, sem-vergonhice, doença e “coisa de más companhias”. Portanto, recorremos ao silêncio. Mas o que se passa em nossa cabeça não é nada silencioso. Lidar com amores héteros aceitos e “normais” já é difícil, mas como lidar com amores não héteros? Como saber se estamos sendo correspondidas se não temos referências seguras para analisar o que está acontecendo? A confusão é maior. A auto-estima desaparece. O medo assombra. E dificilmente conseguimos concretizar, materializar aquele sentimento. É uma barra. Iniciar a vida amorosa com mulheres casadas também foi uma experiência relatada por mais de uma participante da reunião. Essa é outra situação de difícil elaboração pelas adolescentes com as quais temos tido contato. E que costuma deixar certo gosto amargo. Acredito que as mulheres casadas que se apaixonam por outras mulheres vivam um caos em suas vidas. Mas é algo que pode acontecer, isto é, você se apaixona por um rapaz, casa com ele, e de repente apaixona-se loucamente pela vizinha de sua nova casa. Acontece. E temos que ter coragem para assumir nossos sentimentos, pois senão nos transformaremos em pessoas angustiadas e insatisfeitas. Mas os relatos não são dessa natureza. Ouvimos várias estórias de adolescente que se apaixonaram por mulheres mais velhas e casadas, e que além de terem sido correspondidas, viraram suas amantes por muitos e muitos anos. E essa situação gerou, nessas jovens, enormes frustrações, dores e constrangimentos. Verdade é que a pulsão reprimida nos deixa reféns de sentimentos nem sempre positivos. Vamos, ao longo do tempo, guardando tão duramente nossos sentimentos, que a primeira que nos lança um olhar lânguido, já ganha nossa alma. E nossa primeira chance de viver um amor pode resultar em uma péssima estória. Há formas de evitar um sofrimento além do “normal”? Pode-se pensar em algumas maneiras de minimizar o sofrimento. A primeira coisa é que temos que acreditar, realmente, que somos absolutamente capazes de viver amores bons e saudáveis, que nos levem mais pelo caminho do carinho e da compreensão do que pelo caminho do inferno. Acreditar nessa nossa capacidade já nos deixa mais espertas para evitar as armadilhas de nossa histórica baixa ou inexistente auto-estima. Temos que conseguir separar, o quanto for possível, nossos sentimentos de crenças preconceituosas e homofóbicas, que nos fazem acreditar que vamos sofrer, sempre, somente por sermos não heterossexuais. Pais e mães vivem falando isso: Meu Deus, minha filha é lésbica, ela vai sofrer tanto! Antes da primeira piscada a gente já está achando que tudo vai ser uma droga. Isso é preconceito, mas é dos outros, e aceitar isso é decretar a própria prisão. Pensar em si mesma é fundamental para que possamos criar uma vida íntima feliz. E devemos passar essas idéias para nossas amigas e nossos amigos, principalmente para as/os mais jovens, afinal, somos uma comunidade enorme vivendo uma história comum, e passamos todas e todos pelas mesmas dificuldades. Não estou querendo passar uma idéia moralista de que bons primeiros amores são aqueles vividos por dois jovens solteiros da mesma idade e classe social. Essa é uma idéia muito comum e eu, definitivamente, não acredito nisso. Amor bom é o que faz bem aos amantes, e ponto final. Mas deve fazer bem igualmente aos dois, em vários sentidos e de forma consciente. Sem dúvida alguma, os amores podem ser bons e lembrados com carinho e emoção, mesmo que já finalizados. E o primeiro amor, que assim seja também, para todas nós: de uma saudade boa, de uma tristeza leve, sem angústia e sem horror, e que possa ser embalado, só por graça, por uma canção lacrimosa."

(reunião acontecida no Moleca e relatada por Lena Freitas, bibliotecária
e fundadora do MOLECA - Movimento Lésbico de Campinas)

  • criado por  Mara* criado por Mara*
  • Postado em 06:09:14

28.03.07

Sex shopping

categorias: É bom saber

Incomodada de entrar na sex shop ficava a sua avó. Agora, a mulher entra, escolhe, pede demonstração e, se achar que vale a pena, leva pra casa! Esse tipo de consumo tem aquecido muitas camas e bastante a sexualidade feminina.

"Comprar, taí um dos verbos preferidos do sexo feminino. De preferência sapatos. Nós, mulheres, e a inexplicável atração por calçados. Mas a gente também não resiste a bijuterias, blusinhas cor-de-rosa, brancas, pretas básicas, cremes anti-rugas, anti-celulite, anti-estria, calcinhas que não cabem mais na gaveta e até, confessa!, tupperware. Como se não bastasse tantos objetos de consumo, o mulheril está invadindo um segmento um tanto mais, como dizer, estimulante. Em bom português, o dos maravilhosos, curiosos e agora imprescindíveis produtos eróticos. Isso mesmo, com vergonha de entrar na sex shop ficava a sua avó. Hoje em dia, a gente não só entra (sem apelar pros óculos escuros), como observa tudo tintim por tintim, escolhe, experimenta e ainda volta para ver se chegou novidade. A procura é tanta que surgiram sex shops especializadas no público feminino, no Rio de Janeiro e em São Paulo. A idéia veio de fora, quando foi aberta em Paris a primeira sex shop só para mulheres. Os brasileiros, especialmente, as brasileiras gostaram e copiaram. Nas sex shops femininas, homem não entra e a gente pode ficar bem à vontade para comprar os produtos de maior interesse. Quais são eles? Segundo uma gerente comercial, cada linha de produtos tem seu best seller. O produto mais conhecido e comentado no momento é o vibrador ‘Rabbit’. Tudo por causa do seriado ‘Sex and the City’, em que uma das personagens se trancou uma semana no quarto na companhia de um desses. Na dúvida entre o rabbit, a borboleta, a conchinha, ou coisinhas mais básicas como óleos e algemas, o ambiente é o ideal para se sentir em casa. A decoração é especial e o atendimento, personalizado. Até o nome das lojas mudou, parece que sex shop é coisa de homem. Nós, mulheres, vamos a lojas de conveniências eróticas, ou butiques eróticas. Muito chique, a decoração da loja é uma novidade à parte, a cliente se sente em uma boutique de shopping, já que os produtos são expostos de uma forma simples, em prateleiras e não fechados em armários como se tivessem algo de proibido. O endereço é discreto, e num prédio acima de qualquer suspeitas. A gente quer ser discreta, sim. Mas já foi o tempo em que as mulheres davam várias voltas no quarteirão até achar coragem para entrar numa loja dessas. A produtora Alice Almeida conta que só tinha vergonha quando era uma adolescente. “Hoje em dia entro numa sex shop como quem entra numa pet shop. Não muda nada. Todo mundo tem liberdade, todo mundo faz sexo, sabe que o outro faz e não há nada de mal em querer dar uma incrementada”, diz Alice, que já visitou várias lojas, mas nunca comprou nada. “Ainda não achei nada que valesse a pena. Um dia, quem sabe?”, diz. Na hora de ir às compras, a maioria das mulheres prefere levar uma amiga a tiracolo, como a designer Patrícia F. “Na primeira vez, é sempre bom ir acompanhada. Afinal, a gente não sabe o que nos espera por trás das vitrines. Chamei uma amiga que já tinha ido outras vezes. Chegando lá, não tive a menor vergonha porque as atendentes são super-sérias e mostram os produtos como se estivessem exaltando as qualidades de um liquidificador, sem piadinhas de mau gosto”, lembra ela, que saiu da loja com um vibrador e um óleo de massagem, sabor menta. Tempos depois, voltou sozinha. “Queria comprar um presente pra minha irmã e estava sem idéias. Aí fui lá ver se achava alguma coisa: acabei levando um vibrador pra ela também. Cor de rosa!”, revela. O único detalhe é que, quando a amiga vira as costas, guardamos nossos segredinhos. “As mulheres vão com as amigas para conhecer e comprar besteirinhas. Depois voltam sozinhas para comprar de verdade”, revela a gerente. Além de prateleiras e prateleiras lotadas de apetrechos para levar pra cama, as novas sex shops também oferecem cursos para melhorar o desempenho sexual, como de pompoarismo**, strip tease e sexo oral. A sexóloga Glene Faria vê nossas visitas às butiques eróticas como um retrato da evolução da sexualidade feminina. “A geração mais jovem encara o sexo com mais tranqüilidade, pois tem mais acesso a informações e aula de educação sexual na escola desde cedo. Com isso, foi por terra o mito de que sexo é feio, ou não pode. A mulher sabe que não está fazendo nada errado, portanto, está mais consciente do seu direito de ter prazer e vai em busca dele”, afirma Glene, que reconhece o sucesso que as lojas para o público feminino andam fazendo, espalhadas pelos grandes centros. “A idéia de ter um espaço só para mulheres faz com que elas se sintam mais à vontade. Lá a mulher pode olhar com calma, ouvir explicações sobre cada produto e escolher o que é bom para ela. Numa segunda visita à loja, ela ousa ainda mais”, revela a sexóloga. A mulherada mostra que sabe o que quer – na cama, principalmente. “A presença da mulher nas butiques eróticas é muito válida e representa um grande passo para a sexualidade feminina”, conclui."

(por Bel Vieira)

O que é pompoarismo? **

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  • Postado em 07:43:30

27.03.07

Desejo

categorias: Poetando

“Eu desejo. Há muito tempo que só consigo desejar. Não alguém, não um rosto. Apenas desejo a sensação de estar com alguém. Sentir a calma percorrendo as minhas costas e arrepiando os meus mamilos. Aquele suspiro profundo, de quem vai mergulhar e se prepara para não mais voltar à superfície. O olhar que apalpa o meu rosto. O calor que aumenta, a luz que diminui para não machucar a pele. A ausência de qualquer som que não seja a respiração. As ondas que vêm e vão, as asperezas, a maciez, os gostos e sabores. Inspirar depois o ar frio e sentir a alma voltar ao seu lugar. Mas, antes do desejo, sinto falta de fazer e dar amor."

(não sei de quem é o texto, se alguém souber avise-me)

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  • Postado em 05:57:52

24.03.07

Postal de Alice Springs

categorias: Livro e Abajur

Sub-título: Um romance entre mulheres
Autora:
Diana Simmonds
Edições GLS

"O amor entre mulheres combina e muito, com um final feliz, é o que parece indicar o livro “Postal de Alice Springs”, da jornalista e escritora australiana Diana Simmonds, que trata do romance de Jody e Grace. Jody Johnson é uma linda jovem americana e misteriosa cantora de música country que conquista cada vez mais fãs com a sua voz maravilhosa, porém eles nunca percebem a tristeza que há no seu olhar. Carismática, autoconfiante, lésbica convicta, meio desapontada com o amor das mulheres e que comanda a banda Jody Johnson Band, uma banda de músicos trogloditas. Durante uma turnê pela Austrália, a banda sofre um acidente e é obrigada a passar alguns dias em uma pousada, Davanzo, no meio do deserto australiano. Lá Jody conhece Grace, uma italiana belíssima e sensível ilustradora de pássaros raros, que ajuda seus pais na pousada da família, enquanto se recupera de um casamento desastroso com um hetero cretino que a agredia sistematicamente. Ela é uma mulher atraente e solitária que ainda não se libertou do passado. As duas sentem uma atração imediata. Será que a paixão explosiva vai ser suficiente para desarmar os dois corações? Finalmente acontece o primeiro beijo de língua das duas e, a partir daí, tudo é pretexto para amassos calientes, românticos e apimentados. Tudo isso ao cair das tardes poeirentas de uma pousada perdida numa beira de estrada do meio-oeste australiano. As adolescentes espertas vão se achar rapidinho, as balzacas vão revirar os olhinhos de prazer lembrando outras tardes talvez nem tão poeirentas, as cínicas vão aproveitar e deslizar a mão nas melhores cenas e como toda lésbica é romântica, todas vão adorar este romance como literatura em si. Ou seja, um livrinho que atende a todas as freguesias."

  • criado por  Mara* criado por Mara*
  • Postado em 08:31:46