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"Não que ela não guardasse na boca a vontade sedenta. Não. Ela, entretanto, não lhe roubava. Não lhe obrigava. Deixava-se roçar apenas. Um roçar leve de faces e bocas que não se poderia chamar de beijo. Ante-sala, talvez. Nada aconteceria. Só as ameaças. O quase-beijo, o quase-desejo, a quase-carícia. Depois seguiam conversando sobre as coisas triviais da vida de cada uma. Silêncios de êxtase. Até que a sede em gritos calou os líquidos das bocas. Ela conferiu-lhe os lábios entre os dentes. Bons. Ela experimentou-a na ponta da língua. Arrepio. Somente quando a palma da mão suave acariciou-lhe a face, ela teve medo. Colocou selo no beijo. Sorriu confusa e continuou de algum ponto a conversa sobre as coisas triviais da vida. Melhor não aprofundar. Nem a conversa. Nem a língua."
(texto adaptado de Ane Aguirre)