Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Terra Blog

Arquivo de: Março 2007, 08

08.03.07

Mulher todos os dias

categorias: Definindo II

"Lillith rejeitou Adão, o primeiro homem, quando ele tentou forçá-la a ocupar uma posição submissa, sexualmente e em essência. Lillith transformou-se numa serpente e enrolada na árvore do conhecimento convenceu Eva a comer o fruto, mostrando a necessidade dela, Eva, buscar a sua liberdade. Lillith simboliza a consciência de absoluta igualdade entre homem e mulher. Essa igualdade é reforçada pelo potencial andrógino em suas lendas. Ela é o aspecto instintivo, o aspecto terreno do feminino e as lembranças da incorporação do despertar sexual. Lillith a primeira feminista é descrita como uma deusa com longos cabelos e ornada de asas, com um corpo sensual e pés em forma de garras, aparece geralmente sem roupas, representando sua natureza indomada, é uma deusa sumeriana, hebraica e muçulmana, uma divindade extremamente complexa. Sua imagem muda de cultura para cultura, tornando-se mais e mais demoníaca, conforme os valores patriarcais começam a dominar. Desde que o mundo é mundo, fomos marcadas a ferro e a fogo. Estigmatizadas, condenadas a pagar por toda a eternidade pela mordida na maçã, e por ter sido dividido o fruto, fomos punidas com o sofrimento das dores do parto. Geramos assim a idéia do pecado original. Desde que o mundo é mundo, a cruzada para “reeducar” as mulheres tem sido uma cruzada brutal e violenta. A “Santa” Inquisição Católica catequizava o mundo contra os perigos das mulheres de pensamento avançado e ensinava como localizar, torturar e destruir essas mulheres. Professoras, místicas, amantes da natureza, estudiosas de ervas, parteiras por usarem as ervas para evitar as dores do parto foram consideradas bruxas. Durante anos e anos de caça as bruxas, a Igreja queimou na fogueira cinco milhões de mulheres. Um dos episódios mais sangrentos da história da humanidade. O massacre funcionou e o mundo de hoje é a prova disso. As mulheres, antes veneradas foram banidas dos templos. A época das deusas terminou. O planeta tornou-se um mundo de seres masculinos, e os deuses da destruição e da guerra subiram aos altares. O mundo foi marcado por guerras e intolerância movidas a testosterona. Dia 8 de março é um dia sangrento. Em 1857 ou 1911 segundo Eva Blay, não importa o ano, operárias têxteis norte-americanas organizaram a primeira greve da história, conduzida unicamente por mulheres. Sua principal reivindicação: a redução da jornada de trabalho. E partiram para a luta, tendo sido duramente reprimidas pela polícia. Para se proteger, muitas delas fugiram para dentro da fábrica. Os portões foram trancados por fora e a polícia ateou fogo no prédio por determinação dos patrões causando a morte de 129 mulheres, carbonizadas ou por asfixia. A maioria era de mulheres imigrantes judias e italianas com idade entre 13 e 23 anos. Mulheres na África, ainda meninas são mutiladas, para que não tenham prazer sexual seus clitóris são extirpados. Mulheres muçulmanas são mortas pelos próprios maridos, pais ou irmãos. Mulheres brasileiras ganham apenas 65% do valor dos salários dos homens. Mulheres negras brasileiras recebem a metade do valor recebido pelas mulheres brancas. Mulheres enfrentam a dupla jornada de trabalho, além do emprego fora de casa, tarefas domésticas e o cuidado aos filhos. Mulheres morrem em conseqüência de abortos feitos em precárias condições de higiene. Mulheres são vítimas de algum tipo de agressão em distintas classes sociais. Desde que o mundo é mundo, a Mãe Terra, uma mulher que tudo dá e nada pede em troca, continua sendo torturada, massacrada e destruída. Temos muitas conquistas, mas muito pouco a comemorar. Ainda. "

Beijo. Mara* 

“Nasci como quem não podia, não devia ou não estaria. Rompi todos invólucros e me libertei. Sou mulher e posso ser rocha, metal, seda, ternura, ou ira, depende do momento. Sou reverso, estou nas trevas quando me convém, mas posso brilhar nesta escuridão. Não me castro, sempre me dispo de seitas que me ofuscam, tenho luz própria e a nada me oponho. Sou gozos quando oportunos me são, sinais normais escorrem de mim, só meus. Posso ser instinto, ninfa perfeita, feiticeira, prostituta, mãe, amiga, namorada, menina, mas essencialmente mulher, pele, cabelos, boca, seios, clitóris, libido, prazeres que não divido. Posso me dar inteira, insaciável e percorrer anatomias que não sejam minhas, ser abelha rainha. Não, não me façam deusa, nem costela de adão, minha maior magia é ser sempre e somente mulher.”

(por Cida Souza)

 

De onde veio a data 8 de março?
Todos os anos, o dia 8 de março é repleto de homenagens às mulheres. No mundo inteiro, as mulheres são lembradas através de flores, cartões, almoços ou simples, mas significativos elogios. A idéia de um dia dedicado à mulher remonta, no início do século XX, a datas que vão do final de fevereiro a meados de março. O tom da iniciativa é claramente político, já que a primeira proposta foi feita pelo Partido Socialista norte-americano, que decretou, em 1909, que o dia 28 de fevereiro seria o Dia Nacional das Mulheres. No ano seguinte, a Internacional Socialista, reunida em Copenhague, decidiu celebrar um Dia Mundial das Mulheres, em uma época em que todos os países industrializados se voltavam para as reivindicações destinadas a acabar com a discriminação da mulher no trabalho e nas urnas. Esse dia mundial foi celebrado pela primeira vez em 19 de março de 1911 na Áustria, na Dinamarca, na Alemanha e na Suíça. Por sua parte, as mulheres da Rússia escolheram, em 1913, outra data: o último domingo do mês de fevereiro. Em relação à escolha da data de 8 de março, existem duas teses: para uns, é a data de uma greve de operárias da indústria têxtil, realizada em Nova York, em 1857; para outros, diz respeito a uma manifestação de operárias de Petrogrado (São Petersburgo), em 1917. Seja como for, 8 de março foi a data escolhida em 1977 pela Assembléia Geral das Nações Unidas para ser o Dia Internacional dos Direitos da Mulher e pela Paz.

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  • Postado em 05:15:06