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"Nas mansas correntes de tuas mãos e em tuas mãos que são tormenta na nave divagante de teus olhos que têm rumo seguro na redondeza de teu ventre como uma esfera perpetuamente inacabada na morosidade de tuas palavras velozes como feras fugitivas na suavidade de tua pele ardendo em cidades incendiadas no lunar único de teu braço ancorei a nave. Navegaríamos, se o tempo houvesse sido favorável."
(Cristina Peri Rossi)

“Dentro das folhas sonho as palavras, falo em silêncio, leio entrelinhas, visto-me de letras. Envolta nas emoções dispo-me de medos, insatisfeita deslumbro-me com ilusões, navego num mar de segredos que não me contei, suspiro um vendaval de desabafos celestiais, recolho-me em conchas e búzios, em forma de oração (re) vejo-me em reflexos de espelhos, lambo as feridas do passado, vivo o ontem, o hoje e o amanhã, lavo as lágrimas e nasço num futuro oferecido agora em mil sorrisos a preto e branco, coloridos, colo-me em mil pedaços, poço de contradições desejo-te por entre as folhas e descanso tranqüila.”
(por Betty, criadora do blog Desfolhada)

“Eu desejo. Há muito tempo que só consigo desejar. Não alguém, não um rosto. Apenas desejo a sensação de estar com alguém. Sentir a calma percorrendo as minhas costas e arrepiando os meus mamilos. Aquele suspiro profundo, de quem vai mergulhar e se prepara para não mais voltar à superfície. O olhar que apalpa o meu rosto. O calor que aumenta, a luz que diminui para não machucar a pele. A ausência de qualquer som que não seja a respiração. As ondas que vêm e vão, as asperezas, a maciez, os gostos e sabores. Inspirar depois o ar frio e sentir a alma voltar ao seu lugar. Mas, antes do desejo, sinto falta de fazer e dar amor."
(não sei de quem é o texto, se alguém souber avise-me)

"Enlouquecemos numa loucura só nossa. Seguimos a vontade e esquecemos o resto do mundo. A vontade foi superior. Mesmo não sabendo quem é você te abracei, encostei a minha boca na tua e procurei a tua língua. Senti suas mãos em mim, docemente, a sua língua em cada pedaço meu, senti o teu cheiro e o teu sabor. Belo foi o amor que fizemos. Agora sozinha deixei voar o pensamento. Não há lua, mas há o sonhar, há o recordar. Refiz os abraços e olhares, os toques e sensações, e mais uma vez me perdi no teu amor encantado, me balancei nas tuas águas. Adormeci. E acordei com o desejo de voar contigo e encontrar mais uma vez o brilho das estrelas que você me deu."

"...deixa-me respirar por muito, muito tempo, o odor dos teus cabelos, mergulhar neles todo o meu rosto, como uma mulher sequiosa na água de uma nascente, e agitá-los com a mão como um lenço perfumado, para sacudir as recordações no ar. Se tu pudesses saber tudo o que vejo! Tudo o que sinto! Tudo o que ouço nos teus cabelos! Minha alma viaja sobre o perfume como a alma das outras mulheres viaja sobre a música. Os teus cabelos contêm um sonho inteiro, cheio de velas e de mastros; contêm grandes mares cujas monções me levam para climas adoráveis, onde o espaço é mais azul e mais profundo, onde a atmosfera tem o perfume dos frutos, das folhas e de pele humana. Deixa-me morder longamente as tuas tranças pesadas e negras. Enquanto mordisco os teus cabelos elásticos e rebeldes, parece-me que devoro recordações..."
(trecho adaptado do poema 'Hemisfério de uma Cabeleira'
de Baudelaire, poeta e crítico francês)