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Direção e roteiro: Márcia Cabral
Produção executiva: Irina Bacci e Marisa Fernandes
Documentário gravado nas cidades de São Paulo, Campinas, Diadema, Rio de Janeiro, Anápolis, Goiânia, Brasília e Salvador
Foi lançado em São Paulo o vídeo documentário ‘Meu Mundo É Esse’, que faz um retrato bastante real da vida de mulheres negras e lésbicas no Brasil contemporâneo. Produzido pelo Grupo Minas de Cor, com direção e roteiro da sua coordenadora geral Marcia Cabral (foto). A estréia aconteceu na sala Maria Antônia, no Cine Pop Cine, e contou com a presença de autoridades, ativistas do movimento negro e GLBTT, bem como amigos e apoiadores do documentário. ‘Meu Mundo é Esse’ é uma radiografia do Brasil, numa história real que se desenrola com o pano de fundo da discriminação. Lésbicas e negras, as mulheres contam como vivem, ganham dinheiro e o que esperam do futuro. Um retrato da vida, dos sonhos, do cotidiano dessas brasileiras. Brasil multicolorido, multifacetado. De São Paulo à Brasília, de Anápolis a Recife, lésbicas negras, relatam com suas próprias vozes e olhares, suas vidas e suas histórias. O documentário deverá entrar em cartaz a partir de segunda quinzena de abril, no Cine Pop Cine, Sala Maria Antônia, Rua Maria Antônia, 283 – São Paulo.
(por Irina Bacci e extraído do MixBrasil)

A diretora Márcia Cabral é estudante de Direito, Chef de Cozinha e Coordenadora Geral do Minas de Cor Espaço e Cidadania e Cultura. Nos últimos anos Márcia dedica-se a visibilizar a existência e a realidade de mulheres que são negras e lésbicas, após ter coordenado uma pesquisa com essas mulheres, moradoras nas periferias da cidade de São Paulo, realizado o Seminário Nacional de Lésbicas Negras: “Afirmando Identidades”, agora atua como diretora e roteirista, realizando o seu primeiro vídeo-documentário.
Título original: “Antonia´s Line”
Gênero: drama
Origem: Holanda/Bélgica/Inglaterra
Ano de lançamento: 1995
Direção: Maleen Gorris
Com: Willeke van Ammelrooy, Els Dottermans, Catherine ten Bruggencate
Premiação: recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1995,concorrendo com o brasileiro ‘O Quatrilho’

Antônia acorda e sabe que este é seu último dia de vida. No entanto, ela não está abalada. Faria tudo como sempre, chamaria os amigos e parentes, fecharia os olhos e morreria com o sentimento de dever cumprido. Após essa breve apresentação, que é retomada mais tarde, voltamos ao passado para acompanhar a vida da matriarca Antônia, narrada por sua bisneta. O enredo parte de sua vida, de três gerações de mulheres de forte personalidade e de uma comunidade. Sua excêntrica família - se forma aos poucos por pessoas escolhidas pelo acaso, pelo sangue e por afinidades – repleta de personagens curiosos: como uma mulher solitária, a louca Madonna (Catherine ten Bruggencate), que uiva para a lua cheia, ou o casal de "atrasados mentais" Deedee (Marina de Graaf) e Boca Mole (Jan Steen), além de um filósofo pessimista e fanático estudioso de Schopenhauer e Nietzsche conhecido como Dedo Torto (Mil Seghers), a netinha superdotada, a filha artista, a avó louca, o padre herege, a amiga que adora procriar e que ao morrer depois de ter seu 13º filho, reclama dizendo que gostaria de continuar a viver para poder gerar ainda mais, a vizinha que sofre abusos sexuais e os muitos amigos que são acolhidos por sua generosidade. Há momentos de extrema beleza quando o roteiro passeia entre a vida e a morte. A personagem mais especial do filme é a sua filha Danielle que após ter uma filha, se descobre lésbica e encontra como companheira a professora de sua menina. A diretora Marleen Gorris soube dosar momentos de alegrias, tristezas, tragédias e superação de modo eficiente e integrado, passando por discussões sobre vida, morte, filosofia, matemática e religião. Alguns o acusam de ser uma ode ao feminismo, talvez por mostrar os homens como seres secundários, sem vontade própria, e revelar a condição das mulheres e sua força, realmente o filme retrata o feminismo mas, com delicadeza, ele é um elogio à individualidade.
Curiosidades do cinema

Jennifer Aniston foi escalada para receber o prêmio 'Vanguad Awards', ontem, dia 14 de abril em Los Angeles, por conta dos beijos lésbicos que representou ao longo de sua carreira. As informações são do site Contact Music. A atriz beijou Winona Rider em 'Friends' e, recentemente, sua amiga Courteney Cox, na série 'Dirt'. Além disso, Aniston aparece em um videoclipe da roqueira Melissa Etheridge e foi a primeira convidada especial de um programa de Ellen DeGeneres, ambas homossexuais. O prêmio, concedido pelo Glaad (Gay and Lesbian Alliance Against Defamation), presta tributo a atores que ajudam a promover os direitos dos homossexuais.
Título original: “Plata Quemada”
Gênero: drama
Origem: Argentina
Ano de lançamento: 2000
Direção: Marcelo Piñeyro
Com: Eduardo Noriega, Leonardo Sbaraglia, Ricardo Bartis
Premiação: Ganhou o prêmio Goya de melhor filme estrangeiro de Língua Espanhola e os prêmios de melhor fotografia e melhor som, no Festival de Cinema de Havana.

O filme é argentino e baseado no livro homônimo de Ricardo Piglia, que narra uma história real e violenta de dois ladrões de bancos homossexuais que existiam na Argentina. Buenos Aires, 1965, Angel (Eduardo Noriega) e Nenê (Leonardo Sbaraglia) conhecidos no submundo como os “Gêmeos”, parceiros no crime e na cama, participam da execução do assalto de um carro forte cheio de dinheiro, que resulta na morte de todos os seguranças. O filme realmente surpreende ao mostrar drama e ação. O lado dramático foca a relação de Nenê e Angel, em um jogo erótico sufocante de amor e rejeição regado à cocaína e álcool. Perseguidos pela lei fogem para o Uruguai em companhia de alguns comparsas e se refugiam em um apartamento na capital. Lá, em uma atmosfera “noir” perseguem o objetivo final, que acaba dando título ao filme. Com uma direção equilibrada de Marcelo Piñeyro, uma fotografia inspirada de Alfredo F. Mayo, personagens vivem suas tragédias que transcendem a origem “latina” da história, fugindo de padrões do “cinemão” ao retratar o homoerotismo. O cinema argentino nos traz, mais uma vez, verdade e poesia sem clichês e estereótipos. E tem Nenê escutando Billie Holiday. Alguns críticos o chamaram de Bonnie e Clyde gay. Comparações dispensáveis, o filme é uma grande porrada por dois bons motivos: a intensidade do amor do casal protagonista (de tão intenso, soa estranho, doentio) e pela direção. Filme policial, com boas cenas de tiro e aventura e um romance como pano de fundo. A força dos atores empresta ao filme muita sensualidade e sensibilidade. A exploração do amor entre um casal homossexual foi decisiva para a perfeição do filme.
Clique aqui e assista ao trailer
Curiosidades do cinema

O beijo entre os cowboys gays do filme ‘O Segredo de Brokeback Mountain’ foi eleito como o melhor beijo de todos os tempos da história do cinema em votação dos internautas do site de aluguel de filmes Lovefilm.com. O beijo trocado entre os personagens interpretados pelos atores Jake Gyllenhaal e Heath Ledger acontece no já clássico filme quando os dois se reencontram depois de um longo tempo separados. Na votação dos internautas do site, o beijo entre Audrey Hepburn e George Peppard no filme ‘Bonequinha de Luxo’ ficou em segundo lugar, enquanto um beijo entre Brad Pitt e Angelina Jolie em ‘Sr. e Sra. Smith’ ficou com a terceira colocação. Outro beijo entre pessoas do mesmo sexo apareceu na lista dos mais votados no site, na quinta colocação, o trocado entre as atrizes Selma Blair e Sarah Michelle Gellar no filme ‘Segundas Intenções'.
Título original: “Hedwig and the Angry Inch”
Gênero: musical
Origem: EUA
Ano de lançamento: 2000
Direção: John Cameron Mitchell
Roteiro: John Cameron Mitchell, baseado em peça teatral de John Cameron Mitchell e Stephen Trask
Música: Stephen Trask
Com: John Cameron Mitchell (Hedwig), Michael Pitt (Tommy Gnosis), Miriam Shor (Yitzhak), Stephen Trask (Skszp)
Premiação: ganhou o Prêmio Teddy, no Festival de Berlim e o Prêmio do Público e o de Melhor Diretor, no Sundance Film Festival.

Baseado na peça off-Broadway, de John Cameron Mitchel e Sthephen Trask, com direção e interpretação do primeiro e músicas do segundo, o filme transcende a inocência gay da dance music para chegar ao mais significativo do rock'n'roll, com música pesada e letras que soam esquisitas. É a história de Hansel ‘Hedwig’ Schmidt, uma deusa nascida na Alemanha Oriental, ignorada no mundo do rock, e vítima de uma operação mal sucedida de mudança de sexo, Hedwig faz desfilar a sua estória desde o início, quando conhece um soldado americano que lhe promete a saída da sua terra natal para os Estados Unidos, e a convence a mudar de sexo. Após a problemática operação, que não retirou por completo o membro e deixou Hedwig a sangrar, o soldado americano abandona-a num parque no Kansas. Aí, ela dedica-se à música e começa a trabalhar como ama numa casa onde conhece Tommy Speck, um jovem de 18 anos, por quem se apaixona. Mais uma vez, Hedwig é abandonada, mas agora o seu companheiro leva consigo um espólio de canções compostas pelos dois, e que o transformam na estrela rock Tommy Gnosis. Ferida no orgulho e no amor, Hedwig persegue as tournée do seu ex-companheiro, atuando em restaurantes de fast-food nas proximidades dos grandes pavilhões esgotados para ouvir Tommy Gnosis. A beleza visual, as canções lindíssimas e um argumento repleto de bons momentos de humor são só por si excelentes razões para ver este filme. Mas os desempenhos de John Cameron Mitchell e de Miriam Shor são de fato dignos de nota especial, pela especialmente bem escolhida ambiguidade sexual no que respeita à atribuição dos papéis. A história de Hedwig é uma luta pela coragem para vencer um amor que o persegue (ou será o inverso?), e no fundo a tentativa de encontrar alguma felicidade. O prazer quase masoquista de Hedwig ao tocar junto aos palcos de Tommy Gnosis retrata não só a dor, mas a incapacidade para deixar fugir alguém que ama. A beleza do amor perde a sexualidade e adquire uma dimensão quase metafísica. Tudo isto num cenário de glamour e cheio de maquiagem e rock. Bom de ver e ouvir.
"Before Stonewall"
Título original: “Before Stonewall”
Gênero: documentário
Ano de lançamento: 1984
Produtores executivos: Robert Rosenber e John Scagliotti

”Before Stonewall” é um documentário sobre a evolução, nomeadamente a evolução da cultura gay nos EUA dos anos vinte até aos tumultos em Stonewall em 1969. Embelezado com argumentos de arquivo e fotografias de cinco décadas, o filme relata proeminentemente o sub-mundo gay da anos 20 e 30, o aumento do serviço gay no exército e da “força laboral” na 2ª Guerra Mundial, a perseguição de gays como “subversivos” e “tarados sexuais” no departamento de estado pelo Senador McCarthy, o crescimento das primeiras organizações políticas para gays e lésbicas nos anos 50 e, claro, o movimento dos direitos civis. Os comentários são fornecidos pelos gays e lésbicas que atingiram a maioridade nos anos seguintes a Stonewall. “Before Stonewall” é um documentário excelente, daqueles raros que merecem o título "obrigatório". Ao contrário do que acontece quando se faz parte de outras minorias, quando se nasce gay não se nasce numa cultura, temos que a procurar depois. E “Before Stonewall” é a melhor forma de começarmos a aprendizagem da História e cultura gay contemporânea. Pois embora os fatos relatados sejam quase que exclusivamente referentes aos Estados Unidos, a globalização encarregou-se de os tornar fundamentais para explicar nomeadamente a cena gay atual do nosso país. Mas não se pense que é apenas um documentário para homossexuais, qualquer heterossexual interessado na História dos direitos civis na América do século XX terá o maior prazer em assistir ao mesmo.
"After Stonewall"
Título original: “After Stonewall”
Gênero: documentário
Ano de lançamento: 1999
Produtor executivo: John Scagliotti

"After Stonewall" é a sequela do documentário "Before Stonewall", premiada com um Emmy, faz o relato cronológico da história da vida lésbica e gay a partir dos distúrbios no "Stonewall Bar", em Greenwich Village, em 1969, até ao final do século 20. Esta longa metragem é narrada por Melissa Etheridge e explora a historia gay nos EUA. dos anos 70 até aos anos 90, e inclui entrevistas com o congressista Barney Frank, a autora Rita Mae Brown e o romancista Armistead Maupin. "After Stonewall" conta a história de uma comunidade que mudou para sempre o modo como a América e o mundo veriam, não só os seus homossexuais como a si mesmos, e começou a questionar os seus próprios valores fundamentais no que respeita à família, ao trabalho, à religião e às relações pessoais. John Scagliotti, produtor executivo de "Before Stonewall", montou um filme que capta o vasto leque de transformações que a comunidade gay e lésbica tem vivido e instituído desde os distúrbios em 1969. Tal como o seu antecessor, ”After Stonewall” tenta cobrir muitos fatos em pouco tempo, no entanto, com apenas três décadas para contar, a missão é mais moldável.