Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Terra Blog

Categoria: Homenagem

18.04.07

Homenagem a Betty Friedan: ícone do feminismo

categorias: Homenagem

Aquela que foi uma das mais influentes feministas do século 20, nos primeiros momentos de militância, se opôs a "igualar feminismo com lesbiandade". Mais tarde, numa autocrítica, confessou que era "muito quadrada"e se sentia pouco confortável para abraçar as causas dos gays. A expressão "Lavander Menace" (ameaça cor de lavanda) é de sua autoria, e foi usada durante o encontro da NOW em 1969. "Lavender Menace" era um um recado para as lésbicas que queriam igualdade com o feminismo e foi mais tarde usada pelos ativistas dos direitos dos gays. Durante uma conferência feminista que aconteceu no velódromo de Huston Texas, em 1977, para ratificar o projeto das Nacões Unidas "Platform for Women", ela tomou o microfone e, diante de uma platéia de cerca de dez mil mulheres, assinou a moção que apoiava os direitos das lésbicas. Neste momento, milhares de balões cor de lavanda subiram ao céu, enquanto as mulheres festejavam, gritavam e choravam. Apesar da oposição da direita americana, a moção foi aprovada no Congresso, Este foi o momento de glória total para o Movimento Feminista Americano, para os ativistas gays e para Betty Friedan.

Betty Naomi Goldstein nasceu em Peoria, Illinois em 4 de fevereiro de 1921 , filha de um joalheiro e de uma jornalista que deixou o emprego para ser mãe de família e dona de casa.Fez os estudos básicos na cidade natal e foi aluna do Smith College, onde editou o jornal da Universidade e se graduou summa cum laude, em 1942. Foi ativista marxista e frequentou círculos judeus radicais. Abandonou os estudos de Psicologia em Berkeley (Universidade da Califórnia) para trabalhar na imprensa sindicalista de esquerda. Em 1947, casou-se com o executivo de agência de propaganda Carl Friedman. Em 1952, grávida de seu segundo filho, Betty foi despedida de seu emprego no jornal sindicalista UE News. Na reunião de sua turma de faculdade, em 1957, falou sobre o destino das formandas do Smith College, comparando seus potenciais e perspectivas na ocasião da formatura e o destino vulgar que suas vidas tomaram. O discurso foi publicado em jornais e revistas dirigidos ao público feminino. Esta reflexão, semente da futura militância, foi reescrita para ser publicada como livro, com o título de "A mística feminina". Ela passeia pela importância do trabalho feminino nas sociedades industriais, em especial o papel de dona de casa em tempo integral que Betty julgava difícil, árduo, monótono mas não devidamente reconhecido. Publicado em 1953, tornou-se um best seller mundial e é considerado a base do novo Movimento Feminista. A tumultuada relação de 22 anos com o marido terminou com o divórcio em 1969, quando saiu também o M do sobrenome. A separação foi acompanhada pelo público americano pela televisão, como uma novela. Betty falou aos telespectadores no Good Morning America - uma espécie de "Bom dia, Brasil" - e concedeu inúmeras entrevistas coletivas para explicar o fracasso do casamento. Na autobiografia My Life So Far - Minha vida até agora, de 2000 - as agressões físicas que afirmou ter sofrido foram narradas com detalhes. Carl morreu em 2005 e o casal teve 3 filhos e 9 netos: um dos filhos, Daniel, é cientista e astrônomo muito conhecido.

Betty Friedan é co-fundadora, junto com mais 27 pessoas (homens e mulheres) da NOW- U.S. - National Organization for Women(Organização Nacional de Mulheres) e com Pauli Murray (Anna Pauline Murray) (foto), a primeira bispa afro-americana, escreveu os estatutos da Entidade. Betty também ajudou a criar a NARAL (National Association for the Repeal of Abortion Laws) - associação especializada na luta pela aprovação de leis que dariam às mulheres americanas a opção legal de abortar. Nesse trabalho (1969) teve a colaboração de Bernard Nathanson e Larry Lader. O gênio abrasivo de Betty não passou em branco. Discriminada desde sempre por ser feia e judia, desenvolveu um temperamento agressivo e complicado. Dias após o óbito, em 7/2/2006, a controvertida escritora feminista Germaine Gree publicou um artigo no Guardian "A Betty que conheci", em que chamava sua colega de "egoísta, exigente e autoreferente", mas concordou que Betty Friedan mudou a História. Apesar de seu gênio difícil, penso que ela tinha uma certeza: as mulheres não serão respeitadas se não tiverem um padrão de comportamento masculino. Se forem do tipo 'mulherzinhas' serão chamadas de ‘benzinho’ e se conformarão com o tratamento. Betty quís mudar isso para sempre”. Betty Friedan esteve no Brasil na década de 60, trazida pela escritora, editora e militante brasileira Rose Marie Muraro.

(por Thereza Pires, jornalista e colunista do MixBrasil)


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16.03.07

Homenagem a uma transexual: Charyl Chase

categorias: Homenagem

"Charyl nasceu com genitais ambíguos. Um médico especialista em intersexualidade deliberou durante três dias - dando calmantes à mãe de Chase sempre que esta perguntava o que estava mal com o seu bebê - e decidiu que ela era um menino, com um micropênis, testículos não descidos e uma abertura estranha atrás da uretra. Foi então passada uma certidão de nascimento dizendo que era um rapaz e assim começou a ser criado. Quando tinha ano e meio os pais decidiram consultar outros especialistas que garantiram que lhe "determinariam o verdadeiro sexo". O pênis foi considerado muito pequeno, quer para dar estatuto masculino quer para penetrar mulheres. No entanto, como mulher, seria penetrável e potencialmente fértil. O pênis foi então amputado e os genitais foram re-nomeados como vagina, uretra, lábios e clitóris exterior. A conselho dos médicos o seu nome foi mudado, foram retiradas da casa quaisquer sinais da sua vida anterior como rapaz, o certificado de nascimento foi alterado, a família foi instruída para a tratar como menina e mudaram de cidade. E nunca mais falaram a ninguém no assunto, inclusive a Charyl. Com 8 anos foi operada para retirar a parte testicular das gônadas (glândula sexual que produz os gametas e segrega os hormônios. O testículo é a gônada masculina e o ovário a feminina). Não lhe foi explicado o porquê da operação, da estadia no hospital, das fotografias dos médicos aos seus genitais e da inserção de dedos e instrumentos na sua vagina e ânus. Estas inspeções continuaram, mas terminaram assim que começou a menstruar. Isto descansou os pais quanto à boa escolha da feminilidade da sua menina. Enquanto adolescente apercebeu-se de que não tinha clitóris, nem lábios internos e que era incapaz de ter um orgasmo. No final da adolescência começou a consultar bibliotecas em busca de informação sobre o que lhe poderia ter acontecido; nessa altura decidiu tentar recuperar os seus registros médicos, o que demorou três anos. Nesses registros de três páginas dizia-se que tinha nascido um "hermafrodita verdadeiro", que tinha sofrido uma clitorectomia (extirpação total do clitóris) e que tinha vivido como rapaz até ao ano e meio. Nessa altura, nos anos 70, tinha pouco mais de 20 anos. Tinha começado a identificar-se como lésbica, principalmente por causa da defesa de idéias feministas, mas não se conseguia ver a si própria como mulher, uma vez que já tinha tido um pênis, e não conseguia falar disso com ninguém. Cerca de quinze anos depois sofreu uma depressão. Apesar de ser uma executiva de sucesso numa importante firma tecnológica, para ela própria era um monstro, incapaz de amar e de ser amada e incapaz de confrontar a sua disfunção sexual. Decidiu procurar a ajuda de psicólogos, mas nenhum parecia entender a gravidade do seu sofrimento. Falou com amigos, mas ninguém sabia o que dizer-lhe. Estava em tal desespero que decidiu matar-se. No entanto, não queria matar-se de qualquer jeito mas sim acusando aqueles que lhe tinham causado o sofrimento. E foi ao perceber que o seu sofrimento/raiva podia ser usado para produzir algo, uma acusação e uma afirmação, e que era alguém com um determinado caminho a percorrer, um caminho que era o seu, a sua autenticidade, foi assim que, ao fim de muitas semanas de agonia, começou a vislumbrar uma saída. Começou a ver-se duma forma muito mais politizada e crítica. Conseguiu retirar das lições dos movimentos gays e lésbicos a idéia de que ser intersexo era bom, de que era apenas diferente, de que era alguém com uma identidade perfeitamente válida e possível."

ISNA (Intersex Society of North América)
"No Outono de 1992, Charyl mudou-se para São Francisco em busca de outras pessoas como ela. Felizmente chegou lá numa altura em que o movimento transgender estava em plena expansão, e também os estudos de gênero feitos por acadêmicos transexuais. Começou a perceber que era possível construir uma política cultural da intersexualidade. Mas a experiência realmente fantástica foi partilhar, com outros transexuais e pessoas com cirurgia genital, banhos de sol num fim-de-semana, numa Conferência de Novas Mulheres, em 93. Essa experiência foi muito reconciliadora consigo própria, entusiasticamente eufórica. Com a ida para São Francisco tinha começado a contar a sua história a muita gente, e tinha encontrado já seis pessoas com condições intersexuais, duas das quais não operadas. Conclui que não eram assim tão raros. Rapidamente conseguiu formar uma rede de apoio, a que chamou ISNA (Intersex Society of North América - Sociedade Intersexo de Norte-América). Foi desta forma que recebeu centenas de cartas de pessoas de todo o mundo relatando as suas experiências e ganhou uma visão mais clara de todo o sofrimento causado e de como era importante lutar para que não se realizassem intervenções cirúrgicas nos genitais durante a nascença só por motivos cosméticos. Charyl vive ainda à frente da sua ISNA, e é a primeira líder do movimento para acabar com a vergonha, o sigilo e as indesejadas cirurgias genitais nas pessoas nascidas com anatomia reprodutiva atípica. A ISNA está trabalhando para acabar com a idéia de que o intersexualismo seja uma coisa vergonhosa ou monstruosa. A ISNA reconhece a importância fundamental de convivermos uns com os outros, independentemente do nosso gênero e dos nossos genitais, sem mentiras e sem vergonhas."

John Money

"Nos anos sessenta, os avanços da cirurgia plástica combinados com a teoria "Genitais + Criação" da identidade de gênero conduziram aos médicos a recomendar uma cirurgia de "conserto" em muitos tipos de crianças intersexo. A idéia era fazer com que os genitais aparecessem cosmeticamente corretos, sejam de menino ou de menina, e depois educar a criança no gênero "apropriado," crendo que assim desenvolveria uma identidade de gênero normal e correta. John Money, da universidade Johns Hopkins, era o defensor principal destes tratamentos. Sendo um convencido da psicologia na qual se considera a mente da criança uma lousa branca e sem características inerentes de personalidade, John Money teorizou que a identidade de gênero era exclusivamente o resultado da criação e da socialização."

"Nos Estados Unidos apenas cinco crianças estão submetidas diariamente às perigosas e desnecessárias cirurgias. A sociedade ISNA insta aos médicos a utilizar um modelo de tratamento centrado no paciente, e não no encobrimento. “Quando nasce um bebê intersexual, o procedimento de rotina é a prática de cirurgia, afirma Cheryl Chase, os médicos tratam de arrumar o que não seja correto, logo colocam uma fralda no bebê, fecham o arquivo, e esquecem dele". Erradamente guiados durante décadas pela teoria de Money, a profissão médica causou a irreversível incapacidade física de milhares e milhares de bebês intersexo. Essas angustiantes experiências causaram uma vida traumática nessas pessoas que foram "consertadas cirurgicamente" na infância, e que cresceram sem que ninguém, nunca, lhes dissessem o que aconteceu."

(por Lynn Conway e traduzido por Sonia John)

Galeria de Fotos das Mulheres Transexuais de Sucesso

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15.02.07

Homenagem a uma lésbica: Dorothy Arzner

categorias: Homenagem

Do set para as câmeras, a primeira diretora lésbica assumida de Hollywood

"Dorothy Arzner nasceu em 1897 em São Francisco. Quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, a jovem Dorothy achou que seu destino era ajudar seu país e decidiu alistar-se nas forças armadas. No campo de batalha, foi motorista de ambulância. A jovem Dorothy Arzner se formava em medicina quando visitou pela primeira vez um estúdio de cinema. Em Hollywood no início do século 20, mais precisamente em 1919, ela deu o primeiro passo para as telas, quando pleiteou um emprego como datilógrafa e revisora de roteiros. Conseguiu emprego na Paramount e seu primeiro cargo foi o de secretária, para em seguida subir para o cargo de editora de filmes. Sete anos depois, com 27 anos de idade, ameaçou pedir demissão que não foi aceita, e passou então do set de filmagens para direção de filmes, a primeira mulher a ocupar este cargo em Hollywood. Dorothy era uma figura marcante - conhecida por usar trajes masculinos e de personalidade arrojada, a diretora fez vários filmes e suas atrizes preferidas eram Katharine Hepburn, Lucille Ball e Joan Crawford, com esta última provocava rumores no estúdio. Ela chamava a atenção e o fascínio das mulheres, e das feministas que começavam a articular o movimento de libertação da mulher americana. Dorothy estreou como diretora no filme "Fashions for Women". Em sua carreira Arzner dirigiu 17 longas metragens do cinema mudo, e até os dias de hoje é reverenciada por cineastas feministas dentro e fora dos Estados Unidos. Em 1937, dirigiu Joan Crawford em "Felicidades de mentira", que se tornou um de seus filmes mais famosos. A obra mais feminista de Arzner foi "Assim amam as mulheres", de 1933. Dentre as adaptações que fez para as telas, encontra-se a obra "Nana", de Emile Zola. O primeiro filme a chamar a atenção foi o lendário “Dance, Girl, Dance” de 1940 ao abordar as tintas da homossexualidade em mulheres fortes e fatais quase tangendo a marginalidade. Seus roteiros incluíam mulheres tematicamente quase marginalizadas, e obviamente incorporando sua visão como lésbica do universo feminino, seus filmes revolucionários mostram sempre mulheres fortes em oposição ao estereótipo da mulher submissa dos anos 20 nos Estados Unidos. Dorothy vivia em companhia das mulheres e era constantemente flagrada pelos fotógrafos abraçada a Marlene Dietrich, Rosalind Russel, entre outras estrelas ou então por evidenciar no olhar um brilho especial quando em sua companhia. Estas imagens ficaram guardadas para sempre quando se fala em Dorothy Arzner. Dorothy Arzner, além de ter introduzido o microfone boom (o de teto), em seu último filme, "Crepúsculo sangrento", de 1943, fez propaganda antinazista. Neste mesmo ano interrompeu seu trabalho como diretora abruptamente, abandonando de vez o cinema - nunca se soube a razão - mas segundo as biografias, Dorothy era extremamente rígida, quando achava que não realizaria um filme a seu modo, preferia entregar a tarefa a outro diretor. Após abandonar o "set" de filmagens, deu aulas de cinema na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e um de seus mais famosos alunos foi Francis Ford Coppola. Após este período, ela montou uma escola de cinema - onde realizava filmes comerciais para a Pepsi-Cola através da grande amiga e atriz, Joan Crawford, que inclusive eram vistas na época como caso. A primeira lésbica assumida de Hollywood foi a primeira mulher a ser admitida no Directors' Guild of América e durante algum tempo foi a única diretora dos mais famosos estúdios de Hollywood e deixa um verdadeiro legado de talento e coragem imprimindo a sua verdade."

Filmografia completa

Fashions for women - 1927
Ten modern Commandments - 1927
Get your man - 1927
Manhattan cocktail - 1928
The Wild party - 1929
Sarah and son - 1930
Paramount on parade - 1930
Anybody's woman - 1930
Working girls - 1931
Honor among lovers - 1931
Merrily we go to hell - 1932
Christopher Strong - 1933
Nana/Lady of the boulevards - 1934
Craig's wife - 1936
The Bride wore red - 1937
Dance, girl, dance - 1940
First comes courage - 1943

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23.01.07

Homenagem a uma transexual: Vladimir Luxúria

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Deputada italiana transexual viajará como embaixatriz GLBT a países árabes

"Vladimir Luxúria, nome artístico de Vladimir Guadagno, nascido em Foggia, na Itália em 24 de junho de 1965 é uma ativista, política, atriz e personalidade televisiva. Luxúria mudou-se para Roma em 1985 para estudar Línguas e Literaturas Estrangeiras e iniciar a sua carreira de atriz fazendo uso da sua ambiguidade sexual. Luxúria define-se como transgênero, uma pessoa que não se identifica com as categorias restritivas de feminino e masculino. Não se considera "transexual" uma vez que não realizou operação cirúrgica de mudança de sexo. Seu primeiro grande papel no cinema como tal foi em 1991 com o filme “Cena alle nove” (Jantar às nove), de Paolo Breccia. Desde então realizou mais oito participações em filmes. Nesta altura iniciou também o seu envolvimento no movimento de defesa dos direitos dos homossexuais. Ícone do movimento gay italiano, como militante, organizou o primeiro Dia Internacional do Orgulho GLBT na Itália, que aconteceu em Roma em 1994 e do qual participaram cerca de 10 mil pessoas. Em 2006 surgiu como candidata independente nas listas do partido político Rifondazione Comunista (Refundação Comunista) para a Câmara dos Deputados italiana. A candidatura de Luxúria gerou perplexidade nos setores moderados e católicos da L'Unione, coligação de vários partidos de centro-esquerda. Ela foi constantemente alvo de insultos e brincadeiras sobre sua ambiguidade sexual, sobretudo por parte de militantes da direita conservadora e populista. Durante a campanha da deputada por uma vaga no Parlamento, Clemente Mastella, membro da Unione Democratici per l'Europa, chegou a declarar que ela era uma “ridícula Cicciolina”. O último momento de tensão protagonizado por si ocorreu durante um debate televisivo no qual Alessandra Mussolini, neta do nefasto Mussolini, e ligada ao partido neofascista afirmou que "mais vale ser fascista que boiola". "Tenho vontade de mudar muitas coisas, começando por tudo que a direita fez nesses últimos anos. Quero ajudar a construir uma sociedade multicultural, multirreligiosa, multissexual e impor a diversidade como valor", afirmou Luxúria. Eleita deputada, a primeira transexual a se eleger para o Parlamento da Itália, vai representar a comunidade GLBT em uma viagem que fará a países árabes. A intenção da embaixatriz é discutir a atual situação dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros em países de religião muçulmana, onde a homossexualidade é proibida. Segundo o jornal Corriere della Sera, Luxúria, integrante do Partido Rifondazione Comunista (PRC), de Roma, vai iniciar sua jornada pela Turquia. “A Turquia entrará na Comunidade Européia e a Europa não pode aceitar certas discriminações”, disse a deputada em entrevista ao jornal. “Fala-se tanto em direitos humanos, tanto de pena de morte, o que é justo, mas também a vida e a liberdade dos homossexuais pertencem aos direitos humanos”, acrescentou. Luxuria ressaltou que, pelo menos por enquanto, não deve visitar a capital do Irã, Teerã. Nesse país, a homossexualidade é punida com pena de morte, mas é em Teerã que existe a única clínica do mundo muçulmano onde é possível se submeter a cirurgia de mudança de sexo. “A clínica foi aberta pelo aiatolá Khomeini, comovido com a história de uma mulher que queria converter-se em homem”, contou Luxúria. Em sua visita aos países do Oriente Médio, a deputada não pretende impor o modelo ocidental. “O importante é que os homossexuais desses países tenham o mínimo de segurança e liberdade”, disse."

(fonte: site MixBrasil)

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11.01.07

Homenagem a um gay: Da Vinci

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 Leonardo Da Vinci - Giacomo de Caprotti - Francesco Melzi

"Símbolo do homem da Renascença, escultor, inventor, músico, astrônomo, pintor, anatomista e fisiologista, químico, botânico, ferreiro, mecânico, arquiteto, engenheiro, filósofo, matemático, homem belo e forte, excelente esportista - ótimo nadador e cavaleiro - Da Vinci padeceu do preconceito que atingia os bastardos e os trangressores e teve sua vida envolvida em sombras por muito tempo. Finalmente, o mistério foi desvendado por inteiro. Já se conhece o nome de seu último companheiro e herdeiro da obra e dos bens: Francesco Melzi, (foto) um pintor alguns anos mais novo. Da Vinci era filho do um tabelião e da camponesa Caterina, nasceu em Vinci, cidadezinha próxima a Veneza, em 15 de abril de 1452. Sua entrada na Universidade foi negada em virtude da origem bastarda sendo, então, privado da educação humanística disponível na época. Da Vinci mais que compensou esta falha educacional ao se transformar no maior gênio da humanidade nos dois últimos milênios. Dedicou-se a temas tão diversos quanto a cinemática, as causas das marés, o mecanismo do movimento do ar nos pulmões, hábitos noturnos das corujas, as leis físicas da visão humana e a natureza da Lua. Inventou urn máquina voadora, elaborou teoremas geométricos, desenvolveu diversos estudos hidráulicos, concebeu o vapor como meio de propulsão, escreveu poemas, fábulas e máximas filosóficas. O primeiro robô humanóide lançado pela NASA foi inspirado nos desenhos de Leonardo da Vinci. Em 1991, Donald Calne, revendo os manuscritos encontrados no palácio de Windsor, concluiu que ele já conhecia a doença de Parkinson. Foi aluno de Andrea del Verrochio, pintor ligado à poderosa família Medici, que o protegeu. Em 1476, enquanto ainda morava na casa de Verrochio foi acusado da maior das vilezas na época: sodomia. O “alvo”: Giacomo di Caprotti, (foto) um jovem modelo de 17 anos, com quem acabou se relacionando durante 20 anos. Embora a Florença daqueles dias acolhesse os homossexuais, acusações desta natureza causavam sérios danos às carreiras de artistas dependentes de patrocínio, especialmente os que contavam com a chancela da Igreja Católica. Para escapar deste escândalo, mudou-se para Milão onde desenhou equipamento militar para o Duque Ludovico Sforza: armas manuais, projéteis, lança-chamas, canhões e arcos para arremesso de pedras e flechas. Os traumas da rejeição social e do preconceito fizeram Leonardo fechar sua vida privada a sete chaves. Sempre cercado por belos jovens, seus desenhos de genitálias, esboços de nus e escritos mostravam grande apreço pela beleza masculina e não há registro de amizade mais íntima com mulheres. Pinturas femininas perfeitas, só do colo para cima. Quando se arriscava a ir mais fundo, os genitais femininos, segundo críticos, ficavam distorcidos e mal resolvidos. De acordo com seu diário, Da Vinci manteve relações bem próximas com seus estudantes, mas não era promíscuo. Além da relação com Giacomo di Caprotti, teve, nos últimos anos, a companhia constante do também pintor Francesco Melzi, aristocrata da Lombardia, que foi seu testamenteiro, herdeiro universal e administrou o acervo de mais de 5.000 manuscritos que detalhavam inventos em ótica, acústica, mecânica dos fluídos, hidraullica, vôo, astronomia, anatomia e armamentos, pontes portáteis, túneis subterrâneos, navio à prova de bombas, formação de chuvas. As invenções eram protegidas, pois já naquela época havia a espionagem industrial e roubo de direitos autorais. As idéias de Leonardo Da Vinci eram inacreditáveis e impraticáveis para seu tempo. Ao visitar uma exposicão em Amboise (França), com maquetes construídas a partir de seus esboços, fiquei me perguntando se ele viajou no tempo ou se recebeu a visita de um viajante do futuro, pois lá estavam, entre tantas outras, o bate-estacas das construções modernas, a caixa de marchas dos automóveis, a bicicleta, o tanque de guerra, o helicóptero. Descobriu a glândula tireóide, estudou a placenta, o cordão umbilical e as vias de nutrição fetal. Estudou o coração, concluíndo que esse órgão é massa muscular alimentada por artérias, possuindo veias, como os outros músculos. Intuiu ainda o princípio da sustentação do "mais pesado que o ar". Técnicas revolucionárias compensaram o “pequeno” número de pinturas, se o compararmos com outros artistas, mas elas se tornaram as mais valorizadas do mundo. A primeira encomenda para pintar o mural do refeitório da Igreja Santa Maria delle Grazie, em Milão, resultou no afresco “Última Ceia” (1495-1498) onde Da Vinci usou técnicas pioneiras, admiráveis pelo uso da perspectiva, mostrando, também, detalhes psicológicos dos componentes da mesa. Esta “Última Ceia” começou a se deteriorar 50 anos após seu término. Mesmo muito comprometida e desgastada, teve e tem uma primordial importância na História da Arte. Tornou-se grande amigo do maior político e escritor daqueles tempos: Niccolo Machiavelli. Na idade madura, foram elaboradas as obras mais conhecidas: Mona Lisa, Leda e São João Batista. A Mona Lisa, ou Gioconda, exposta no Museu do Louvre é seu quadro mais famoso e ambíguo. Embora tenha sido apresentado ao mundo como o retrato da mulher do comerciante Francesco del Giocondo, alguns experts em Da Vinci especulam sobre a possibilidade de ser uma reprodução da figura da mãe do artista ou, mesmo, sua auto imagem em travesti. Em 1507, começou a trabalhar para Francisco I sucessor de Luís XII no trono da França - e aceitou o convite para morar em Cloux, perto de Amboise, no castelo que ganhou do soberano. Precisou voltar à terra natal para resolver pendências relativas à herança do pai e lá ficou até 1511, ano em que conheceu Francesco Melzi, último companheiro, a quem confiaria, ao morrer, todos os seus manuscritos, todos os bens, todos os esboços, todas as pinturas. Leonardo da Vinci morreu em Cloux (2 de maio de 1519), nos braços do Rei da França."

(por Thereza Pires – jornalista e colunista do MixBrasil)

Site da Thereza Pires

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