Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza
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Terra Blog

Categoria: O que é?

14.02.07

O que é uma lésbica?

categorias: Definindo II, O que é?

"Uma lésbica é a fúria de todas as mulheres condensada até ao ponto de explosão. Ela é a mulher que, muitas vezes numa idade muito jovem, começa a atuar de acordo com a sua necessidade compulsiva de ser um ser humano mais completo e livre que - talvez então mas certamente mais tarde - a sociedade onde vive a deixa ser. Estas necessidades e ações ao longo dos anos, conduzem-na a um conflito doloroso com as pessoas, situações, formas aceitáveis de pensar, de sentir e de comportamento, até se encontrar num estado de guerra permanente com tudo à sua volta e geralmente também com ela própria. Pode não estar totalmente consciente das implicações políticas do que para ela começou como necessidade pessoal, mas num dado plano não foi capaz de aceitar as limitações e a opressão imposta pelo papel mais básico da sua sociedade - o papel de mulher. O turbilhão que ela sente, tende a induzir uma culpa proporcional ao grau em que ela sente não estar de acordo com as expectativas sociais, e/ou eventualmente conduzí-la ao questionar e à análise do que o resto da sua sociedade mais ou menos aceita. Ela é forçada a desenvolver o seu próprio padrão de vida, muitas vezes vivendo grande parte da sua vida sozinha, aprendendo geralmente mais cedo que as suas irmãs heterossexuais acerca da solidão essencial da vida (que o mito do casamento esconde) e acerca da realidade das ilusões. Enquanto não conseguir expelir a pesada socialização que implica o ser mulher, nunca conseguirá estar em paz consigo própria. Porque ela se encontra entre a aceitação da visão que a sociedade tem dela - e nesse caso não se aceita a ela própria - e a compreensão do que esta sociedade sexista fez por ela e porque é funcional e necessário fazê-lo. Aquelas que entre nós que meditamos e tiramos conclusões sobre isso, encontramo-nos do outro lado de uma viagem tortuosa através da noite que pode ter durado décadas. A perspectiva que se ganha dessa viagem, a libertação interior do nosso ser, a paz interior, o amor real por nós próprias e por todas as mulheres, é algo a ser compartilhado com todas as mulheres - porque somos todas mulheres."

(fonte: "The woman identified woman" - Radicalesbians)

Ao longo da História muitas mulheres famosas admitiram serem lésbicas. O conceito da orientação sexual modificou-se muito com o tempo. Sem tratar as relações lésbicas abertamente, à metade do século XVIII a “amizade romântica” entre mulheres põe-se na moda na literatura inglesa, quanto ao exemplo a relação entre as "Senhoras de Llangollen", Eleanor Butler e Sarah Ponsonby, ou a amizade romântica de Sarah Scott, Elizabeth Carter e Catherine Talbot, Anna Seward e Honora Sneyd, ou Mary Wollstonecraft e Fanny Blood. Durante o século XX mulheres famosas não escondiam que eram lésbicas ou bissexuais, como Vita Sackville-West, Marlene Dietrich, Greta Garbo, Marguerite Yourcenar, Janis Joplin, Martina Navratilova, Susan Sontag e Annie Leibowitz, Amelie Mauresmo, etc. Embora esses sejam exemplos de mulheres que tiveram a voz na sociedade do seu tempo, milhões de lésbicas anônimas fizeram das suas vidas um exemplo que nunca saberemos.

“Alguém, creio, se lembrará de nós no futuro."
Safo (640 a.c.)

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  • Postado em 03:23:21

21.09.06

O que é metrossexual?

categorias: O que é?

"Você provavelmente responderá que é um sujeito heterossexual que se permite ser muito vaidoso. Ou de acordo com uma pesquisa feita pela Playboy, onde a maioria das respostas foi: "é um competente estrategista na arte de pegar mulher". Essa definição, no entanto, traz um erro conceitual. A idéia de que o metrossexual é sempre hétero e que seu cuidado com a aparência tem o objetivo de atrair as mulheres é uma invenção da publicidade. Essa idéia só foi estabelecida porque gays vaidosos não são novidade. A identidade dos metrossexuais não se baseia na orientação sexual, o metrossexual pode ser gay, bissexual ou heterossexual, mas isso é absolutamente desimportante, é irrelevante já que ele tem a si mesmo como seu objeto de amor. Em 1994, o jornalista inglês Mark Simpson, de 38 anos, escreveu, no artigo "Here come the mirror men" (Aí vêm os homens do espelho), que surgia um novo e vaidoso tipo de homem metropolitano, que decidira chamar de "metrossexual". Ninguém ligou. Em 2002, ele insistiu e tocou no assunto de novo, dessa vez no artigo "Meet the metrosexual" (Conheça o metrossexual). Dessa vez deu certo. De lá para cá, o homem que se cuida, é vaidoso ao extremo, não importando sua orientação sexual: é metrossexual. É o narcisista dos tempos modernos, que, graças às facilidades dos serviços existentes nas grandes cidades, pode dar-se ao luxo de se esmerar muito – além do habitual – nos cuidados com a aparência. E esta definição caiu como uma luva para o mercado, que queria turbinar as já crescentes vendas de produtos de beleza e de roupas finas para o público masculino. O metrossexual é a designação fashion-mercadológica para um homem jovem que gasta mais de 30% de seu salário com cosméticos e roupas, frequenta manicures, aprecia um bom vinho, adora um shopping e vive dentro ou próximo de uma grande metrópole - porque é lá que estão as melhores lojas, clubes, academias de ginástica e salões de beleza. Porém, há outros fatores por trás desse súbito interesse pelo homem que se cuida. Em uma sociedade que necessita de rótulos, como a em que vivemos, uma denominação de impacto sempre é bem-vinda. A metrosexualidade rompe com alguns padrões de masculinidade, desfez-se de todos os códigos oficiais de masculinidade inculcados nos últimos 100 anos. Esse "novo homem" tem entre 25 e 45 anos de idade, faz ginástica para modelar o corpo e cuida da pele tanto confiando em profissionais quanto usando linhas sofisticadas de produtos de beleza em casa. Além disso, preocupa-se com o que veste e, não raro, acompanha os desfiles de moda da estação. Como se fosse pouco, ainda procura manter os cabelos impecáveis, com cortes atuais, e não tem vergonha de fazer as unhas e depilar as sobrancelhas. Isso se reflete em toda a aparência. Um homem que se veste bem sente a necessidade de estar com os cabelos alinhados. Então, vem a ginástica - de que adianta uma bela roupa se o corpo não a abriga bem? É esse círculo vicioso que alimenta a existência de um metrossexual. E como em qualquer círculo, um metrossexual sabe onde encontrar outro e como trocar idéias e informações sobre tudo de que precisa para ficar bem. O lado negativo da metrossexualidade é o culto à própria imagem e a exacerbação do egocentrismo, o que não são comportamentos saudáveis. A masculinidade narcisista e egocêntrica tem origem numa característica típica de sociedades como a nossa: o hiperconsumismo. Os heróis dos metrossexuais são, em geral, homens famosos por seu visual e seu estilo – mais do que por suas conquistas políticas ou intelectuais. A metrossexualidade não é apenas masculina, já que o egocentrismo e o narcisismo não são características exclusivas dos homens. O narcisismo feminino que se manifesta por meio do cuidado com a aparência não chama atenção. Essa é uma das razões pelas quais o termo metrossexual não foi aplicado às mulheres. Entretanto, há muitas que se encaixam nesse perfil. As mulheres no seriado Sex and the City são, em sua maioria, solteiras, vivem com estilo e escolheram a si mesmas como seu objeto de amor e desejo, embora aparentemente estejam à procura de um homem. Elas são metrossexuais. A crescente auto-suficiência das mulheres tem estimulado o avanço da metrossexualidade masculina. Atualmente, muitos homens se vêem obrigados a cuidar de si próprios, pois já não contam com uma coadjuvante feminina sempre pronta para atender a suas necessidades. A metrossexualidade faz, finalmente, com que o homem seja menos dependente da mulher, da família, embora mais dependente das revistas de beleza."

Os dez mandamentos do metrossexual

  1 - Cuidar da aparência acima de tudo
  2 - Conhecer as tendências da moda em primeira mão
  3 - Usar cremes faciais e corporais diariamente
  4 - Não sofrer ao depilar as sobrancelhas
  5 - Manter unhas e cutículas limpas e bem-feitas
  6 - Visitar o cabeleireiro pelo menos uma vez por mês
  7 - Passar um dia do mês em um spa urbano
  8 - Não ter vergonha de chorar durante um filme
  9 - Somente usar roupas de boa qualidade
10 - Preferir uma taça de vinho a um copo de cerveja

Como reconhecer o metrossexual

1 - Vive nas metrópoles (daí o nome). Pode ser encontrado em lojas de grife, academias de ginástica, salões de cabeleireiro, bares da moda e eventos fashion.
2 - Eles adoram se enfeitar e usam maquiagem. Uns pintam as unhas, outros preferem passar lápis de olho. Os mais ousados usam também blush e rímel.
3 - Desprovidos de plumagem, eles apelam para as roupas de marca. Adoram grifes como Armani e Versace. Os mais descolados também são ávidos frequentadores de brechó.
4 - Corajosos, eles se submetem a qualquer tortura em troca da boa aparência. Seja malhar horas a fio ou encarar cera quente para se livrar dos pêlos do peito.
5 - O metrossexual é antes de tudo um narcisista. Se você tiver dificuldade de encontrá-lo numa multidão, dispare o flash de uma câmera. Basta reparar em quem faz pose.

O exemplo de Mark Simpson não poderia ser mais certeiro: é só pensar em David Beckham, com as unhas pintadas, múltiplos cortes de cabelos e roupas sempre elegantes, que a imagem do metrossexual está formada

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  • Postado em 07:15:28

16.09.06

O que é discriminação?

- É constranger, expor a vexame, humilhar, ofender, impedir o acesso a locais públicos e privados e cobrar preços ou oferecer serviços diferenciados.
- É impedir a locação de imóveis para qualquer finalidade, demitir ou deixar de admitir o profissional em função da orientação sexual.
- É proibir a livre expressão de afetividade, permitida aos demais cidadãos.

Quem pode ser punido?
Pode ser punido todo cidadão, inclusive detentor de função pública, civil ou militar, e toda organização social ou empresa pública ou privada (restaurantes, escolas, delegacias, postos de saúde, motéis, etc.)

Quais as punições?
Quem discriminar poderá ser penalizado por meio de advertência, multa ou, em caso de estabelecimento comercial, também suspensão ou cassação de licença de funcionamento. O servidor público será penalizado de acordo com itens do estatuto dos funcionários públicos.

Como proceder?
O cidadão ou cidadã homossexual, bissexual, travesti ou transexual que for vítima dos atos discriminatórios poderá apresentar sua denúncia pessoalmente ou por carta, telegrama, telex, via Internet ou fac-símile ao órgão competente, na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, sem a necessidade da presença de um advogado. A denúncia deverá ser fundamentada com a descrição do fato discriminatório, seguida de identificação de quem faz a denúncia. O sigilo do denunciante é garantido pela lei. Recebida a denúncia, a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania dará início ao processo administrativo para apuração e determinação das penalidades cabíveis. Depois de encaminhada a denúncia, a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, por meio de sua Comissão Processante Permanente (CPP), envia uma notificação pelo correio ao denunciado, para que ele se manifeste sobre a denúncia. O processo é gratuito. A abertura da queixa não tem custo algum.

No momento da discriminação, qual é a atitude que deve ser tomada?
Veja se existem outras pessoas presenciando o fato e verifique se algumas delas aceitam ser testemnhas. Anote ao menos os nomes e os telefones, para depois pegar os dados completos, inclusive o endereço.

Contato e encaminhamento das denúncias: (Horário de funcionamento: 9h às 17h)
Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania
Telefone: (11) 3291-2626
Fax: (11) 3241-1790

E-mail: ouvidoria@sp.gov.br
Home page:
www.justica.sp.gov.br

Lei estadual contra a discriminação por orientação sexual
No Estado de São Paulo, discriminar Lésbicas, Gays, Travestis, Transexuais e Bissexuais é proibido pela lei 10.948/01

(Este texto informativo foi realizado pela Secretaria da Justiça
e da Defesa da Cidadania, com o apoio do Fórum Paulista GLTTB)

"Se você for vítima, denuncie. Se você for testemunha, não se cale. Quem cala, consente."

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  • Postado em 06:52:35

17.08.06

*O que é coming out?*

categorias: O que é?

Muitos homossexuais falam em assumir a sua sexualidade ou de "sair do armário". São expressões usadas para descrever a compreensão e aceitação que uma lésbica ou um gay faz da sua própria homossexualidade e o ousar contactar outros. Mas "assumir-se" também quer dizer falar sobre os nossos sentimentos com as pessoas mais próximas de nós e de quem mais gostamos. A experiência de "sair do armário" varia muito de pessoa para pessoa. Algumas pessoas dizem que aconteceu muito depressa e que se sentiram como se de repente todas as peças do puzzle tivessem encaixado perfeitamente. Para outros é um processo longo e difícil, que dura alguns anos ou até mesmo décadas. Frequentemente estas pessoas aperceberam-se do que significavam os seus sentimentos muito antes de finalmente os terem aceito e assumido totalmente. Sem dúvida, as circunstâncias em que vivemos ditam o quão difícil é para nós assumirmo-nos. Talvez seja a idade, o local em que se vive, o ambiente familiar ou de trabalho.Também depende da nossa personalidade. Algumas pessoas estão prontas a seguir o seu próprio caminho e não têm medo do que os outros possam pensar. Muitos gays e lésbicas acham que as pessoas à sua volta irão evitá-los se souberem que são homossexuais. Às vezes há reações negativas, mas a experiência mostra que geralmente acontece justamente o oposto. Pais, familiares, colegas e amigos não só te aceitam, como também apreciam a tua honestidade e coragem e o fato de você tomar uma posição de afirmação em relação ao que você é.

(Fonte: Site Rede Ex-aequo de Portugal)

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  • Postado em 10:25:45

O coming out de Sofia

categorias: O que é?

"Contar uma história de "coming out" não é algo simples porque não é fácil resumir em algumas linhas um processo que demora anos, e que, em algumas pessoas, suponho, nunca se completa na sua totalidade. Antes do "coming out" vem o “coming in”, que tem a ver com a aceitação pessoal de você mesma como homossexual. Recordo os tempos em que era para mim imensamente difícil dizer a palavra “lésbica”, quanto mais – Eu sou lésbica! Antes de dizer alto para os outros – Sou homossexual. É preciso dizer a você mesma vezes e vezes sem conta, esta é a regra. Suponho que existem pessoas com uma grande liberdade interior e que aceitam a sua natureza com tanta espontaneidade que incluso deixam as outras pessoas desarmadas nos seus preconceitos. Bem, eu não sou uma dessas pessoas e para mim este foi um processo penoso e prolongado. A primeira vez que aconteceu alguma coisa com outra garota eu tinha 17 anos. Estava apaixonada pela minha melhor amiga (típico!!!) e vivia esse sentimento num isolamento angustiado e desgastante. Quando contei a ela foi um drama: eu era uma traidora e já não podia confiar em mim. Com o tempo conseguimos superá-lo e a nossa amizade foi sobrevivendo. Como desabafo contei toda a história a uma amiga comum, e numa noite um pouco estranha demos uns beijos, e lembro-me que foi uma experiência avassaladora, que me assustou por tudo ter sido tão bom e pelo sentimento de perda de controle. Nada mais se passou com essa outra amiga e continuamos a nossa vida como se nada tivesse acontecido, tal era a nossa incapacidade para lidar com o assunto. Pouco tempo depois conheci um rapaz por quem me apaixonei e estive com ele durante uns quatro anos. Esqueci completamente o que se passou, na verdade estava muito apaixonada, e apesar de lhe ter contado a história, deixei de lhe dar importância, quem sabe também porque seria o mais cômodo. Ao fim deste tempo de namoro conheci uma mulher por quem me apaixonei completamente. Era um sentimento muito forte, ao mesmo tempo que muito platónico, porque mais uma vez o vivia em silêncio. Ao fim de algum tempo tive que desabafar, e a primeira pessoa com quem o fiz foi precisamente com o meu namorado, que reagiu muito bem. De certa forma esta confiança ainda nos unia mais e continuamos juntos durante mais algum tempo, mas este já foi um sentimento muito sofrido porque eu não conseguia deixar de gostar dela e começava a rejeitá-lo sexualmente. Finalmente separamo-nos. Não nos separamos num dia, foi um processo gradual em que nos apoiamos mutuamente. Porque uma vez terminada a paixão ou o amor há ainda tanto que perdura e é muito duro ter de abdicar de tudo isto de um dia para o outro. Vivemo-lo na medida das nossas capacidades e sabedoria, penso que o fizemos mais ou menos bem porque não nos magoamos muito e fomos sempre tão honestos que às vezes até doía. Mais ou menos por esta altura também, a minha mãe confrontou-me perguntando-me se eu não teria algo para lhe contar. Depois de o negar muitas vezes disse que estava em dúvida em relação a minha orientação sexual, o que era uma mentira porque já tomara por um fato a minha homossexualidade, mas sempre há maneiras mais gentis de dizer as coisas. A sua primeira reação foi um discurso pseudo educativo em que afirmava que compreendia que eu me sentisse mais identificada com as mulheres e que isso também já lhe acontecera mas que não era o mesmo que atração sexual e falou também de opções que se tomam e coisas assim. Apesar de este perfil ser aparentemente negativo, a verdade é que a minha mãe é uma pessoa extremamente aberta e tem, sempre teve, uma atitude de tolerância e diálogo ativo. Aos poucos, e há medida em que nos íamos sentindo cada vez mais confortáveis com o tema fomos falando de forma cada vez mais honesta e frontal, e agora ela me entende muito melhor do que a minha irmã, por exemplo, que tem 29 anos, e para quem o assunto ainda é bastante problemático. Com o passar dos tempos todos os meus amigos passaram a saber, comecei a conhecer pessoal gay e a navegar por sites gays e etc...o percurso normal. Neste momento é algo natural e intrínseco, que não exibo nem deixo de exibir, tento que seja um assunto tanto e tão pouco importante na minha vida como todas aquelas questões que fazem parte do mais íntimo da tua personalidade. Não é uma bandeira, é um simples fato. Penso que ainda é muito difícil ser gay em qualquer lugar, muito mesmo, pelo menos nas cidades menores. Penso que nos ensinam a pensar de determinada maneira e que a aceitação da pópria homossexualidade ainda é algo árduo de conquistar. Eu o fiz à custa de ansiedade, angústia e sofrimento, e suponho que como eu muitas outras. É uma pena que as coisas ainda sejam assim, que tudo tenha que ser tão difícil, e que problemas que não precisam existir existam e inflamados a um nível difícil de compreender. Assim mesmo nunca perdi um amigo ao dizer-lhe que era lésbica, nunca ninguém me atacou ou ofendeu. Mas isso sim, já muito gente tentou me convencer do contrário, tentou ignorar o assunto, demostrou verdadeiro medo perante a idéia. Enfim... Nestas alturas fazia um esforço por recordar o percurso que eu própria tive de fazer, e dava tempo às pessoas para assimilarem a idéia. Agora, confesso que já não tenho a mesma paciência (o que à sua maneira não deixa de ser uma atitude de igual falta de tolerância), enerva-me a mesquinhez e a tacanhez de espírito da nossa sociedade, o medo que tem da ambiguidade e do indefinido, do diferente, do desconhecido. Mas esta não é uma razão para deixar de acreditar e acomodarmo-nos, esta é apenas uma razão para compreendermos o quanto é cada vez mais imperativo e necessário este momento pessoal e único que é o "coming out"  de cada um, mas que contribui no abrir caminho para um "coming out" coletivo, de cariz social, e que possibilite, num futuro mais ou menos próximo, que a questão “queer” seja uma questão ultrapassada."

  Sofia, 26 anos

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  • Postado em 10:21:06