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Por que algumas mulheres, há décadas, encantam gays?
Divas. Antes de Britney Spears, Beyoncè, Cher ou Madonna, o universo das divas não girava em torno da música pop-dançante. A cultura gay seguia outra via de inspiração: o cinema. A sétima arte influenciava e ditava as regras comportamentais em um período em que a telona exibia luxo, glamour e sedução. E as divas encarnavam essas três características. Saber a história dessas fascinantes mulheres e a influência que tiveram sobre o imaginário gay é imprescindível para quem quer entender a cultura homossexual contemporânea.
Judy Garland talvez seja a personificação do arquétipo da diva gay. Viciada em barbitúricos, as bees dos anos 50 identificaram-se com sua batalha interna entre a solidão e a sobrevivência. Nos Estados Unidos, dizer que era amigo da Dorothy, alusão a seu papel em "O Mágico de Oz", era uma maneira de assumir-se de maneira discreta para uma paquera, desde que este também conhecesse a expressão. A atriz imediatamente chamou a atenção nos quatro primeiros filmes de sua carreira, mas não se tornou uma verdadeira estrela até encarnar a garotinha dos sapatinhos de rubi em 1939. Foi esse papel que lhe rendeu um Oscar e trouxe a associação com a música que leva seu rosto até hoje, "Over the Rainbow", um hino gay. Judy foi "dependente" de homens e drogas. Casou-se cinco vezes, sendo que com o diretor Vincent Minelli teve uma filha, Liza Minelli.

Bette Davis (Ruth Elizabeth Davis) nasceu em 5 de abril de 1908, na cidade de Lowell, Massachussets, e morreu de câncer em 6 de outubro de 1989, na França. Depois de se formar na Cushing Academy, ela não foi aceita no grupo teatral de John Murray Anderson’s, que a considerou falsa e frívola. Sua estréia no cinema foi com “A Irmã Ruim”, mas sua atuação não impressionou a crítica na época. A fama veio em “A Malvada” de 1950. Enquanto Garland permaceneu no imaginário coletivo como a doce garotinha de "O Mágico de Oz", a imagem de Bette Davis era a de uma mulher muito ruim, no sentido mais positivo da palavra. A cena onde ela desce as escadas em “A Malvada”, com seus olhos queimando em desejo de vingança, um retrato de sua força, era algo que fazia o imaginário dos gays da época fervilhar. A frase “Fasten your seat belts, it’s goin to be bumpy night” (Apertem os cintos, teremos uma noite turbulenta) – dita por ela nesse filme, foi deliciosamente repetida inúmeras vezes nos clubes gays. Outras frases ditas por Bette em filmes viraram bordões da comunidade gays: “Yes, I killed him, and I’m glad, I tell you. Glad, glad, glad”. (Sim, eu o matei. E estou feliz, eu confesso. Feliz, feliz, feliz) e “You can lose everything else, but you can’t lose your talent” (Você pode perder tudo, mas não pode perder seu talento) – são exemplos.
Julie Andrews (Julia Elizabeth Wells), nasceu na Inglaterra em 1935 e aos 19 anos fez sua estréia na Broadway. Posteriormente, trabalhou na televisão até 1964, quando finalmente conseguiu seu primeiro filme de grande sucesso: "Mary Poppins", dos estúdios Disney, que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz. Posteriormente, gravou o clássico “The Sound of Music” (A Noviça Rebelde). Em 1969, se casou com o diretor Blake Edwards com quem também realizou diversos filmes, entre eles o clássico "Victor ou Victoria", de 1982, quando já estava associada à cultura gay. Longe da atitude desafiadora de Bette e do carisma fofo de Judy, Julie Andrews 'emprestou' sua voz, ultra-feminina, para incontáveis shows de transformistas americanas, brasileiras e européias.
Audrey Hepburn nasceu em 4 de maio de 1929, em Bruxelas, na Bélgica, filha de um bem sucedido banqueiro e de uma influente baronesa. Depois do divórcio dos seus pais, Audrey foi para Londres com a mãe, onde freqüentou uma escola particular para garotas. Enquanto passava férias na Holanda, o exército de Hitler tomou a cidade. Após a liberação, ela freqüentou uma academia de ballet e posteriormente seguiu carreira de modelo. Até que os produtores de Hollywood a chamaram para estrelar seu primeiro filme. Foi em “Breakfast at Tiffany’s” (Bonequinha de Luxo), de 1961, que ela atingiu o estrelato e recebeu uma nomeação ao Oscar. Seu papel mais radiante foi em “My Fair Lady” (Minha Querida Dama), de 1964. Audrey simbolizava a mulher perfeita: linda, educada, sedutora, recatada, tímida. Perfeita de dar inveja.
Catherine Deneuve nascida em 1943, em Paris, a diva rodou seu primeiro filme em 1957, quando ainda era adolescente, mas só se tornou um fenômeno em "O Guarda-chuvas do amor", de 1964, dirigido por Jacques Demy. No filme, ela interpreta a garota romântica que se apaixona por um soldado, mas que acaba presa em um casamento sem amor. Sentiu a relação com a comunidade gay? Catherine é a maior estrela do cinema francês, diretamente ligada ao cantado glamour de Paris. Entre os gays, além de ser linda, linda e linda, Catherine encantou gays da década de 80 em "Fome de Viver", filme protagonizado por ela e por David Bowie, em que a loira vivia uma vampira.
(por Cristiano Tosi)
Jelena Dokic e Jeniffer Capriatti
Tempos atrás o pai da tenista Jelena Dokic fez uma série de declarações bombásticas na imprensa. Famoso por sua língua solta e conduta inconveniente em quadra, Damir Dokic afirmou na ocasião que mais de 40% das tenistas do circuito profissional eram lésbicas e que, se um dia sua filha revelasse ser uma delas, ele se mataria. Esse tipo de reação histérica não é novidade no mundo do tênis feminino, onde as garotas iniciam a carreira muito cedo e são tuteladas pelos pais que muitas vezes se excedem na tarefa de controlar e proteger suas filhas. O pai da tenista Jeniffer Capriatti, por exemplo, já havia feito declarações muito parecidas com as de Damir Dokic há uma década atrás, quando praticamente proibiu a filha de freqüentar os mesmos vestiários de outras tenistas homossexuais. Tanta preocupação com a filha não impediu que ela se envolvesse com drogas e ficasse afastada dos torneios por alguns anos. Proteção e repressão excessivas acabam nisso. O fato é que o fantasma da masculinização sempre rondou o esporte feminino, trazendo em seu bojo uma série de equívocos: que o esporte masculiniza a mulher, que toda lésbica é masculina, que toda mulher masculina é lésbica, e que há maiores chances de se encontrar uma lésbica no meio esportivo. Bobagem! É claro que há lésbicas no esporte, mas as pessoas ficariam surpresas se descobrissem que há muitas também nos tribunais, nas escolas, nas repartições e que há muita mulher macha que é hetero e muita delicadinha que é bolacha. Contudo, é no tênis profissional feminino que podemos contar o maior número de atletas fora do armário. Daí, talvez, a impressão de que haja mais lésbicas no tênis. Tudo começou com a tcheca Martina Navratilova que, em 1978, assumiu publicamente o seu namoro com a escritora e ativista lésbica Rita Mae Brown. Em seguida foi a vez de Billie Jean King sair do armário, meio a contragosto, depois que sua assistente e ex-amante revelou a natureza sexual do relacionamento delas, exigindo uma pensão alimentícia. Passadas mais de duas décadas, Amelie Mauresmo fala abertamente de sua homossexualidade, sem culpa ou vergonha, marcando uma era em que sair do armário não significa mais perder patrocínios. A francesa é garota propaganda da mega-poderosa Nike e da Dunlop, que não se importam com a orientação sexual da tenista. Mauresmo tem apenas 24 anos e já é um dos principais ídolos esportivos da França, querida por todos, heteros e homossexuais. Não é de se surpreender, visto que o país tem como heroína Joana D´Arc, garota de 19 anos que libertou a França dos ingleses, liderando um exército de 40 mil homens. Adoraria poder assistir a uma partida entre Mauresmo e Jelena Dokic, só para ter o gostinho de ver o senhor Damir suar frio enquanto sua pimpolha enfrenta uma autêntica lésbica do outro lado da quadra.
As assumidas

Martina Navratilova - Nascida na Tchecoslováquia em 1956 e naturalizada americana. Saiu do armário em 1978. 170 títulos em simples. 126 títulos em duplas. Número 1 por muitos anos. Mais de US$ 20 milhões em prêmios na carreira. Incluída no Hall da Fama do Tênis em 1980. Já fez duas grandes campanhas publicitárias dirigidas a gays e lésbicas (uma de cartão de crédito e outra de automável) e apóia várias iniciativas GLBT.

Billie Jean King - Nascida nos Estados Unidos em 1943. Declarou-se bissexual em 1981. 20 títulos em Wimbledon, entre simples e duplas. Vencedora da "Batalha dos Sexos", jogo em que derrotou um tenista homem que a havia desafiado. Incluída no Hall da Fama do Tênis em 1980. Primeira atleta na história a ganhar US$ 100 mil ao ano, foi ela quem conseguiu aumentar os prêmios para as tenistas profissionais.
Amelie Mauresmo - Nascida na França em 1979. Saiu do armário em alto estilo, às vésperas da final do Australian Open em 1999, quando pediu aos jornalistas que se referissem a Sylvie Bourdon como sua "namorada" e não "amiga". Detentora de 7 títulos em simples da WTA. Atual número 6 do ranking. Mais de US$ 3 milhões em prêmios na carreira.
Gigi Fernandez - Nascida em Porto Rico no ano de 1964. Bi-campeã olímpica de tênis em duplas, junto com Mary Joe Fernandez. Ganhadora de 14 títulos em simples. Em 1988 foi nomeada atleta do ano em Porto Rico. Se não alardeou, também nunca fez segredo de seu relacionamento amoroso com a tenista Conchita Martinez.
Conchita Martinez - Nascida na Espanha em 1972. Ganhou 28 títulos em simples (um em Wimbledon, em 1994) e 5 em duplas. Atual número 13 do ranking. Mais de US$ 10 milhões em prêmios durante toda a carreira. Nunca fez segredo de seu namoro com Gigi Fernandez.
As quase assumidas
Jana Novotna - Nascida na Tchecoslováquia em 1968. Nunca assumiu sua homossexualidade, o que não impediu que seus casos amorosos viessem a público. Um deles, com a também parceira de duplas Helena Sukova, terminou abruptamente quando Jana se apaixonou por Hana Mandlikova em 1989. Jana e Hana ficaram juntas por 10 anos. Especula-se que sua atual namorada também bate uma bola, só que de golfe. Detentora de 24 títulos em simples (um em Wimbledon, em 1998).
Hana Mandlikova - Nascida na Tchecoslováquia em 1962. Nunca assumiu ser lésbica, mas todos no circuito sempre souberam de seu namoro com Novotna. Vive atualmente com uma personal trainer e deu a luz, recentemente, a um casal de gêmeas. Detentora de 22 títulos em simples, sendo 3Grand Slams (Roland Garros em 81, US Open em 85 e Australian Open em 1987). Incluída no Hall da Fama em 1994.
Helena Sukova - Nascida na Tchecoslováquia em 1965. Nunca saiu do armário, mas sua homossexualidade veio à tona graças aos boatos que cercam Novotna. Ganhadora de 10 títulos em simples.
(texto de Vange Leonel, imagens copiadas da Internet)
Hollywood nunca viu com bons olhos as notícias sobre a homossexualidade de seus funcionários, pois temia comprometer a imagem de seus galãs e heroínas. O temor não impediu os chefes dos grandes estúdios de empregar e dar valor a profissionais competentes na hora do serviço e de comportamento pouco convencional quando estavam de folga. A usina de filmes praticava, com limites, os ideais que vendia: o do sonho americano, de oportunidade para todos. Os manda-chuvas não se importavam se fulano saía com sicrano, desde que, em sua atividade, ajudasse as companhias a manter ou aumentar a produtividade. E para não perdê-lo havia uma regra: fingir-se heterossexual em público. Hollywood foi formada por homens sem verniz intelectual, que adoravam assediar candidatas ao estrelato sem muito pudor. Era previsível que, no contato com os colegas gays, fizessem lá suas piadinhas. Havia uma notória divisão de atividades. A parte técnica – câmera, eletricidade, som – era dos héteros. Setores como figurino e maquiagem, porém, eram dominados por homossexuais. Também brilhavam à frente das câmeras. Astros e estrelas como Cary Grant, Greta Garbo, Gary Cooper, Marlene Dietrich e Burt Lancaster não davam na vista, mas mantiveram, com maior ou menor discrição, mais ou menos freqüência, seus casos secretos com pessoas do mesmo sexo. O primeiro astro do cinema mudo, Jack Kerrigan, fez fama como caubói de gestos delicados. As mulheres o amavam por isso e por manter-se solteiro para cuidar da mãe. Mas não se casar gerava desconfiança. Isso levava os estúdios a pedir a suas celebridades para casar ou circular com alguém do sexo oposto quando saíam notas na imprensa recheadas de veneno. Ser chamado de solteirão convicto nos jornais era um código explícito. Nenhuma década foi mais tolerante com os homossexuais em Hollywood como os anos 20. Galãs andróginos, como Ramón Novarro e Rodolfo Valentino (heterossexual, casado com uma bissexual), eram chiques. Multiplicavam-se as festas freqüentadas por gays. Casais do mesmo sexo moravam juntos sem cerimônia. As mulheres também tiravam proveito. A diretora Dorothy Arzener, famosa pelos cabelos curtos, penteados para trás com brilhantina, era respeitada e poderosa. Só levou puxão de orelha ao valorizar certos atributos das atrizes em seus filmes. Outra todo-poderosa do período, a atriz russa Alla Nazimova, quando atuava com atrizes bonitas, dava um jeito de acariciá-las, nem sempre com sutileza. Em uma cena de "Camille", com Valentino, beijou uma jovem na boca. Quatro vezes. E sem simulação. Transgressões assim abriram caminho para Greta Garbo e Marlene Dietrich, que a imprensa definia como 'duas partes do mesmo time', ignorarem comentários sobre suas intimidades. Marlene era casada. Desde que morava na Alemanha, porém, saía com 'meninas', como ela dizia. A foto dela em uma festa com Claudette Colbert esparramada entre suas pernas rendeu muitas linhas.Toda essa flexibilidade sofreu nocautes nos anos 30 e 50, períodos nos quais a onda conservadora fez os homossexuais levantar a guarda. A mudança de clima levou dois atores a romper o namoro e mudar a imagem. Cary Grant terminou um sólido casamento com Randolph Scott, um dos reis dos faroestes, e tentou se matar logo depois de casar com a atriz Virginia Cherill. Gary Cooper foi proibido pelo chefão da MGM, Louis B. Mayer, de ser visto ao lado de um amigo inseparável, Andy Lawler, com quem habitava sob o mesmo teto. Grant e Cooper tornaram-se símbolos sexuais, em papel hétero, é claro. A imprensa tanto alimentava ruídos sobre esses casos como vendia o silêncio em troca de uns trocados. A corrosiva colunista Hedda Hopper tirava o sossego do ator Montgomery Clift: tinha em mãos uma queixa-crime por atentado ao pudor. Rock Hudson (quando o galã morreu de Aids, em 1985, muitas fãs se espantaram, mas a maioria dos colegas sabia que ele era homossexual) e James Dean também foram poupados graças à interferência e aos cheques de seus estúdios para as publicações sensacionalistas. A perseguição não existe hoje, mas o tema continua delicado. Se atores como Rupert Everett e sir Ian McKellen saem do armário, vão para a vitrine e continuam tocando a carreira; há casos espinhosos como o de Billy Zane, que se declarou gay pouco antes da estréia de Fantasma e levou a culpa pelo fracasso do filme. Acusações que têm o cheiro de pura chantagem financeira proliferam. Tom Cruise processou dois homens, um deles ator pornô, que dizem ter feito sexo com ele. Nem tudo mudou em Hollywood.
(por Cléber Eduardo, crítico de cinema)
Cary Grant, Greta Garbo, Gary Cooper, Marlene Dietrich e Burt Lancaster
Jack Kerrigan, Ramón Novarro, Rodolfo Valentino, Dorothy Arzener e Alla Nazimova
Claudette Colbert, Randolph Scott, Montgomery Clift, Rock Hudson e James Dean
Rupert Everett, Ian McKellen e Billy Zane
580 A.C - A poetisa Safo funda uma escola só para mulheres na ilha grega de Lesbos. Ensina arte, música e poesia. Seus poemas líricos são dedicados às suas alunas e são repletos de declarações de amor, paixão e alusões ao ato sexual. A fama dessa habitante de Lesbos fez com que a palavra "lésbica" fosse criada, mais tarde, para designar a mulher que ama outra mulher.
400 A.C - A filósofa Filênis, também de Lesbos, escreve uma espécie de kama-sutra lésbico, ilustrado e em versos.
60 D.C - A guerreira celta Boadicea luta contra os invasores romanos para defender seu povo. Vestindo uma armadura e conduzindo uma biga, tornou-se uma das grandes heroínas da história inglesa.
1431 - Joana D'Arc é queimada na fogueira não por traição ou heresia, mas -dizem - por recusar-se a vestir roupas femininas.
1576 - As portuguesas Isabel Antonia e Francisca Luis são condenadas ao degredo e mandadas ao Brasil, por prática de lesbianismo.
1592 - As brasileiras Felipa de Souza e Paula Sequeira são condenadas por lesbianismo pelo Santo Ofício durante a primeira visitação da Inquisição portuguesa ao Brasil.
1600 - Nzingha, rainha africana de Matamba alia-se aos holandeses para lutar contra os portugueses em Angola. Lidera a guerrilha por 18 anos e só depois de sua morte, Angola torna-se finalmente uma colônia de Portugal.
1649 - Mary Hammon e Goodwife Norman são acusadas de lesbianismo no estado de Massachussets. Norman, acredita-se, foi a primeira mulher a ser condenada por esse ato nos Estados Unidos.
1654 - A Rainha Christina da Suécia, abdica do trono após ter recusado um casamento por conveniência. Fica livre para viver sua vida com a camareira, Ebba Saprre.
1710 - As piratas lésbicas Anne Bonny e Mary Read encontram-se no porto de New Providence, nos Estados Unidos, e iniciam um romance cheio de aventuras, saqueando navios até serem capturadas na Jamaica, onde foram sentenciadas à prisão.
1792 - Nasce na Bahia Maria Quitéria, moça valente que vestiu-se de homem para lutar pela independência do Brasil.
1810 - Uma aluna de um internato acusa as professoras Marianne Woods e Jane Pirie de conduta imoral e criminosa. 120 anos depois a escritora Lillian Helmann inspira-se nesse caso para escrever a peça "The Children's Hour".
1822 - A Imperatriz Leopoldina assina a carta de Independência do Brasil, depois proclamada por D. Pedro. Leopoldina, dizem, manteve um caso amoroso com a governanta de seus filhos a escritora e viajante inglesa Maria Graham.
1876 - Nasce Natalie Barney, anfitriã de um dos salões de maior sucesso em Paris durante toda a primeira metade do século XX. Lésbica auto-proclamada. escreveu ensaios em defesa do lesbianismo e inspirou personagens lésbicos de Djuna Barnes, Colette, Radclyffe Hall, Compton McKenzie e Marcel Proust.
1886 - Nasce Ma Rainey, a mãe do blues, que foi amante de Bessie Smith e mais umas tantas mulheres. Ma apresentava-se vestida de homem e alardeava seu próprio lesbianismo, escrevendo canções safadas e divertidas.
1890 - A chinesa Jiu Jin, que costumava chamar-se a si mesma de Qinxiong (que quer dizer "a que compete com os homens") é acusada de traição pelo governo de Manchu. Ela incomodava os poderosos por vestir-se de homem e por seus poemas e atitudes feministas.
1904 - Renée Vivien publica seu livro "A Woman Appeared to Me", um relato auto-biográfico de seu romance com a musa Natalie Barney.
1920 - A escritora inglesa Vita Sackville-West rompe seu turbulento romance com Violet Trefusis, affair que escandalizou a sociedade inglesa, e retoma seu casamento com Harold Nicholson, gay. Ela continua a ter casos com mulheres, mas procura ser mais discreta.
1923 - Emma Goldman é declarada "A mulher mais perigosa da América" pelo FBI por sua defesa dos direitos iguais para mulheres e gays.
1928 - São publicados os livros "O Poço da Solidão", de Radclyffe Hall, "Ladies Almanack", de Djuna Barnes e "Orlando", de Virginia Woolf. Os dois primeiros livros falam abertamente de lesbianismo e o terceiro conta a história de Orlando, um homem que através dos tempos torna-se mulher. As três escritoras eram lésbicas.
1929 - A escritora francesa Marguerite Yourcenar, lésbica, publica Alexis, um relato fictício de um jovem que se descobre homossexual.
1930 - A estudante brasileira Isaura do Céu se apaixona por sua vizinha, Dona Laura. O marido desta última representa um empecilho ao romance e elas resolvem assassiná-lo. As duas são presas.
1932 - A escritora Anaïs Nin inicia um triângulo amoroso com Henry Miller e sua amante, June. O romance, anotado em seu diário, é transformado no livro "Henry e June", publicado no ano de 1986.
1943 - A sargenta Johnnie Phelps recusa-se a demitir lésbicas de seu batalhão a pedido do presidente Eisenhower. Responde ao presidente que, se tiver que dispensar as homossexuais, ficaria sem nenhum efetivo...Eisenhower retira a ordem e as lésbicas continuam a servir o exército americano.
1948 - A escritora americana Jane Bowles - judia - inicia seu romance com a marroquina Cherifa - muçulmana - no mesmo ano da criação do estado de Israel. Sinal de que o amor lésbico ultrapassa culturas e religiões.
1951 - Desembarca no Brasil a poeta americana Elizabeth Bishop, que alguns meses depois inicia seu romance com a arquiteta brasileira Lota Macedo Soares.
1955 - As "Filhas de Bilitis", primeira organização lésbica do mundo, é fundada em San Francisco, Califórnia.