Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2006

14.12.06

Homenagem a uma lésbica: Berenice Abbott

categorias: Homenagem

A fotógrafa lésbica que foi aprendiz de Man Ray, e não se contentou só com isso

"Ela foi a primeira fotógrafa a ser admitida na Academia Americana de Artes e Letras, em 1983, quando já octogenária. Foi assistente de Man Ray (um dos nomes mais importantes do movimento vanguardista da década de 1920, responsável por inovações artísticas na fotografia) até o dia em que a mega-mecenas Peggy Guggenheim negou-se a posar para o fotógrafo surrealista e disse preferir os serviços dela, a aprendiz. Viveu o auge dos loucos anos entre o Greenwich Village novaiorquino, a Rive Gauche parisiense e a vida boêmia de Berlim. E era lésbica. Berenice Abbott nasceu em Springfield, Ohio, no dia 17 de julho de 1898. Mal terminou a adolescência, mudou-se para a cosmopolita Nova York onde deu de cara com uma das trupes de teatro mais bacanas da cidade: o Provincetown Players, grupo de vanguarda que revelou os escritores Eugene O’Neill e Djuna Barnes. Tornou-se mais uma da turma até que, em 1921, como quase todos os artistas do Greenwich Village e com apenas seis dólares no bolso, partiu para a Europa com planos para uma vida nova. Disse a quem ficava que, se era para morrer de fome, melhor morrer em Paris. Não morreu de fome, mas pode-se dizer que morreu de amores. Sua carrasca e algoz foi uma escultora americana que conheceu durante uma breve mas inesquecível estada em Berlim. Seu nome era Thelma Wood, tida como irresistível, um animal sexual, uma beberrona andrógina que usava os cabelos curtos e seduzia a todos. Abbott não resistiu e apaixonou-se por Thelma. Thelma também se apaixonou – por algum tempo...Até entrar em cena a escritora Djuna Barnes, antiga conhecida de Abbott, que foi apresentada a Thelma, e elas caíram de amores deixando Berenice a ver navios. Abbott jamais perdoou Djuna por ter lhe roubado a namorada, mas nunca hostilizou Thelma. Talvez porque soubesse que Thelma era assim mesmo, irremediavelmente sedutora – o que Djuna Barnes haveria de descobrir alguns anos depois, para seu enorme desgosto. Deixando Thelma, Djuna e Berlim para trás, Berenice voltou a Paris onde começou a ganhar um dinheirinho como assistente de outro camarada do Village, o fotógrafo Man Ray. Com Ray ela aprendeu tudo sobre fotografia e logo colocou suas asinhas para fora. Revelando-se uma excelente retratista, Abbott passou a ser mais e mais solicitada por alguns clientes bacanas, como Peggy Guggenheim, despertando um enorme ciúme em Ray. Ela, que já era famosa pela falta de diplomacia, brigou com o fotógrafo e largou o emprego. Mas andar com suas próprias pernas não foi tão difícil e o sucesso logo bateu à sua porta.  Abbott fotografou muito artista interessante (até a sua desafeta Djuna e sua ex Thelma) e ainda tinha tempo e dinheiro para gastar na noite parisiense. Certa vez, ela e a namoradinha da hora, a atriz Eva La Gallienne, resolveram arriscar-se pelos barzinhos lésbicos mais barra pesada e acabaram detidas pela polícia. Bons tempos, loucos anos!Logo após a depressão americana de 1929 Abbott resolveu que era hora de voltar a Nova York e iniciou seu longo projeto “Changing New York”, um registro fotográfico dos prédios, da população e da paisagem urbana cada vez mais em mutação. Este acabou se tornando seu trabalho mais conhecido, e pelo qual ela é hoje considerada um gênio da fotografia. Depois, na década de 1950, passou a atuar na área científica, fotografando campos magnéticos e pêndulos, colocando a imagem a serviço da ciência. Abbott foi inventora de algumas tecnologias e aparelhos fotográficos, mas perdeu muito dinheiro com essas invenções que, apesar de geniais, eram pouco comerciais. Ao final da vida contraiu um enfisema, fruto de muitos anos respirando produtos químicos para revelar filmes, muito tempo fotografando ao relento no alto dos prédios nova-iorquinos e décadas fumando os habituais e indispensáveis cigarros. Morreu tranqüila num mês de dezembro de 1991, aos 93 anos de idade."

(por Vange Leonel, colunista do site MixBrasil)

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Provedor Terra com problemas

 

NÃO ESTOU CONSEGUINDO POSTAR. IMAGENS E TEXTOS LONGOS SÃO RECUSADOS, A MENSAGEM É DE ERRO. CONTINUO AGUARDANDO A SOLUÇÃO DO PROBLEMA. DESCULPEM.

MARA*

 ESTOU POSTANDO NESTE ENDEREÇO

CLIQUE AQUI: http://laraemara3.blogspot.com/

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12.12.06

Nadando contra a corrente

categorias: Definindo II

"É muito incômodo se sentir um peixe fora dágua. Mas esta sensação muitas vezes é inevitável. Estar em um lugar sem dele se sentir parte, conversar com pessoas com as quais não nos identificamos, por mais que tenhamos (ou pareçamos ter) coisas em comum como, por exemplo, a homossexualidade. Percebo que o meio homossexual pode ser tão preconceituoso e radical com aqueles que não se encaixam nos esteriótipos como o mundo hétero. O tempo todo, apesar de brincamos com os esteriótipos, ridicularizando-os, os reforçamos nas nossas atitudes e na nossa postura do dia-a-dia. Sou lésbica. E, queiramos ou não, existe uma certa "estética lésbica" e um "comportamento lésbico" esperado e incentivado. Cansei de ouvir, inclusive de homossexuais, a pergunta: "Mas você é lésbica? Nossa, não parece...". Como se me faltasse algum comportamento, um gesto, um indício, alguma coisa que, por si, revelasse minha orientação sexual. Ninguém é obrigada, por ser lésbica, a ser louca pela Ana Carolina, Cássia Eller, Bethânia, Zélia Duncan ou pela Shane. A jogar ou curtir futebol, olhar bundas e peitos de mulheres na rua, usar boné, calça cargo ou coturno, beber muito e ficar com várias na balada. Nem obrigada a freqüentar mostras de filmes lésbicos ou cults, conhecer tudo sobre música, estudar arte, arquitetura, cinema ou sociais/humanas e usar roupas de brechó, da Benedito, ou da marca A, B ou C. Muito menos a decidir se me atrai o esteriótipo de mulher bofinho, feminina, moderna ou lesbian chic. Eu prefiro a liberdade. A liberdade de ouvir o que eu quiser (amo Zélia Duncan, mas Bethânia às vezes me dá no saco), de um dia me achar uma lady e em outro me sentir um garoto. De amar as ativas, as passivas e as relativas. De comprar roupa em brechó e na Benedito, mas também na José Paulino ou na Renner. De amar praticar qualquer esporte, mas sim porque aprendi com meu pai (que é professor de educação física) e não porque tenho que gostar por ser lésbica. A liberdade de não beber (quase não bebo), não fumar, ser vegetariana e de não gostar ficar caçando em balada. De ser fanática por Almodóvar, mas também amar assistir algo totalmente comercial. A liberdade de ser o que eu quiser e não corresponder a nenhum esteriótipo. Acho que está mais do que na hora de nós homossexuais aprendermos a conviver com a diversidade."

(por Dri Quedas do site MixBrasil)

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  • Postado em 05:33:42

10.12.06

Elas estão acima do preconceito

categorias: Definindo II

Quatro meninas que namoram meninas abrem o jogo e revelam como encarar a sociedade ao assumir sua sexualidade de cabeça erguida, sem perder a feminilidade.

Nina Lopes, Mariana Guimarães, Graziela Campos e Roseli Almeida

"Quando criança, a gestora de negócios Nina Lopes, hoje com 34 anos, se sentia um ´feijãozinho perdido´ entre os seus colegas de classe. Enquanto as meninas paqueravam os garotos e fantasiavam o primeiro beijo, Nina estava completamente apaixonada pela professora de educação física. Anos depois, lá pelos seus 14 anos, percebeu que os rapazes não a completavam afetivamente e o que queria mesmo era namorar uma garota. A história da publicitária Mariana Guimarães, de 22 anos, é parecida com o caminho que Nina percorreu: quando pequena, a confusão de sentimentos a assustava, mas nada como uma boa festa entre amigos para espantar os seus bloqueios e deixar fluir a sua verdadeira sexualidade. Encontros pelo caminho da vida fazem parte do destino da empresária Graziela de Campos, de 39 anos, e da bartender e professora primária Roseli de Almeida, de 40 anos. Ambas começaram a trabalhar como vendedoras, mas não se conheciam. A descoberta de que eram meninas que sentiam atração por meninas aconteceu na mesma época, porém, em lojas e shoppings distintos. Depois de um tempo, as garotas se conheceram, namoraram por mais de sete anos e, hoje, moram juntas. “O namoro não vingou, mas a amizade, sim. Gosto de cuidar das suas coisas e, se percebo que alguma menina está se aproximando dela por interesse, bato o pé e dou a minha opinião”, revela Roseli. Na maioria dos casos, a descoberta da orientação sexual acontece na adolescência. No entanto, algumas garotas - por insegurança ou pressão da família - engatam namoros com rapazes a fim de sanar qualquer tipo de questionamento da sociedade. “A maturidade sexual é atingida na puberdade, quando ocorre a maior modificação do papel sexual. O desenvolvimento da parte psicológica está ligado à interação da pessoa com o ambiente familiar, escolar e social”, explica a psicóloga clínica Ruth Ascencio. A homossexualidade vem sendo estudada há anos e, até hoje, a única certeza entre médicos e psicólogos é que esse assunto não deve ser tratado como doença. Já que não é uma enfermidade, os homossexuais questionam: por que os cientistas não estudam a razão de uma pessoa ser heterossexual? De acordo com Shirley Souza, autora do livro Amor entre meninas, a resposta é simples: ao longo da história, o ser humano aprendeu a achar normal a relação heterossexual e a considerar a homossexualidade algo fora dos padrões."

Na mira da sociedade
"Donas do próprio nariz, Nina, Mariana, Graziela e Roseli não têm medo de assumir que gostam de namorar meninas, pois acreditam piamente neste desejo. Mesmo assim, já passaram por situações nada amigáveis. “Minha prima ligou para o meu pai e pediu para eu não aparecer mais na casa dela. Meu pai disse que não tinha vergonha de mim e, se alguém devia ficar constrangido, era o pai dela, por deixá-la falar esse absurdo”, lembra Nina. Durante o bate papo com as entrevistadas, Thammy, de 23 anos, filha da cantora Gretchen, virou assunto. Recentemente, a garota posou nua com a namorada para uma revista depois de mudar completamente de visual - adotou cabelo curto e trajes masculinos. A ousadia não fez sucesso entre as garotas. Ao contrário de Thammy, é fácil notar a feminilidade das quatro mulheres. Para elas, não é preciso ter trejeitos masculinos para impor respeito. Aliás, quando querem se relacionar, procuram meninas femininas. Chiques, descoladas e vaidosas, elas raramente descem do salto alto. “Dia desses, fui numa balada heterossexual e fui cantada por vários homens. Achei divertido”, conta Nina. Essa feminilidade provoca os homens e extermina o estereótipo que algumas pessoas têm das lésbicas - de que todas se comportam como homens. “Adoro usar maquiagem e vestir peças curtíssimas. Meus amigos acham que sou perua”, brinca Mariana. “Todo mundo fala que eu não tenho jeito de gay. Sou mulher e gosto de me vestir como mulher. Não vejo necessidade de me arrumar como homem para garantir o meu espaço”, reforça Roseli. Da mesma forma que na sociedade heterossexual, na qual existem as patricinhas, as modernas e as esportivas, Nina justifica as diferenças entre os gays. “Antigamente, as assumidas eram as mais masculinizadas. Hoje em dia, as mulheres femininas estão se assumindo e isso surpreende todo mundo, principalmente os homens.”

Cada um na sua
"Assumir para si mesmo, de acordo com Nina, é a lição número um para se viver bem. Independentemente do que os pais, os amigos ou os colegas de trabalho vão achar, é importante se aceitar e não se marginalizar quanto à orientação. “Nunca vou dizer que todos os gays devem se assumir publicamente, pois cada um sabe da sua história e o que isso vai gerar”, diz Nina. Segundo Mariana, no começo, os amigos “achavam divertido ter uma menina gay na turma”, depois, nem se importavam se ela se relacionava com homens ou mulheres. Mesmo assim, até hoje, surgem comentários equivocados - e a publicitária não perde a chance de consertá-los. “As pessoas confundem orientação com opção. Elas imaginam que eu optei por ser gay. Eu nasci gay”, defende Mariana. Essa é uma batalha que os homossexuais lutam para vencer. A explicação é simples: quando alguém diz que ser homossexual é uma opção, dá margem para dizer que, a qualquer momento, pode-se optar por não ser mais gay. “A pessoa pode nunca assumir a sua sexualidade e manter a fachada de heterossexual para o resto da vida, mas não significa que ela optou por isso”, justifica Nina. Mesmo precisando de pequenos ajustes, como o citado por Mariana, o relacionamento entre as garotas lésbicas e seus amigos heterossexuais é extremamente saudável. Na maioria dos casos, as garotas levam seus colegas em danceterias GLS (espaços para gays, lésbicas e simpatizantes) e em eventos que apóiam a bandeira do arco-íris (símbolo gay). A Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (GLBT) é um bom exemplo que revela a quantidade de pessoas que simpatizam com a causa. Regina Facchini, militante, antropóloga e vice-presidente da Associação da Parada GLBT, resolveu abraçar a causa depois de perceber que não podia ficar de braços cruzados e deixar as pessoas serem discriminadas gratuitamente. Trabalhando para os homossexuais há 11 anos, já ajudou a organizar seis Paradas e discorda quando as pessoas consideram o evento uma verdadeira festa. “Não acho que seja uma festa, não sou organizadora de festas. Me considero uma ativista, que organiza uma manifestação pública. Festa as pessoas pagam e vão para uma boate”, justifica. Segundo a antropóloga, o evento tem uma forte função social. “Em 2006, foram mais de 100 Paradas espalhadas pelo Brasil. Com isso, conseguimos fazer pressão e um projeto contra a homofobia foi aprovado”, finaliza Regina. No ano que vem, o evento já tem data para ser realizado. Com o mote ‘Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia!’, o encontro será realizado no dia 10 de junho. O local ainda não está definido, mas, provavelmente, será na Avenida Paulista."

(texto de Eduardo Diório e foto de Marcelo Barabani)
(fonte: Revista JT – agência Estadão)

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  • Postado em 05:37:31

08.12.06

Garota enxaqueca

categorias: Definindo II

Insegurança e posse cegam qualquer pessoa

"Você finalmente resolveu buscar alguém após um longo e tenebroso inverno de reclusão, fruto de uma separação recente. Um pouco mais seletiva você escolhe, escolhe, escolhe...e acaba sendo escolhida. O namoro vai bem, obrigada. Quer dizer, namoro não, “fico”, como ela costuma dizer. Vocês já estão juntas há uns dois meses e agora as coisas começam a acalmar, pós paixão-fulminante. Visitas diárias, finais de semana juntas, passeios, caminhadas e tudo o que o começo de uma relação tem direito. Suas amigas a adoram, o sexo é maravilhoso, a convivência também. Eis que vocês são convidadas para um aniversário em um barzinho. Chegam juntas e passam a noite grudadinhas, feito um casal de periquitinhos australianos. Depois de três copos de cerveja, seu corpo pede desesperadamente uma ida ao toilet. Ela olha torto, te segue com os olhos e fica o tempo todo medindo seus passos. Para sua infelicidade, alguém resolve mexer com você no caminho. Como uma autêntica “ninja”, sua namorada surge ao seu lado, derrubando cadeira, quebrando garrafa, gritando e vociferando aos quatro ventos que você a ela pertence. Você fica petrificada. O susto foi tão grande que sequer consegue reagir e fica ali, boquiaberta, vendo o circo pegar fogo.
- Mas ela parecia tão boazinha, tão centrada! – você justifica-se com as amigas, que estão mais pasmas que você.
Depois do “show”, vocês saem “à francesa”, rezando para não encontrar ninguém conhecido. No carro, você exige uma explicação. Ela, com cara de vítima, não entende seu questionamento.
- Como assim? Eu só fiz aquilo por você! – ela diz em auto-defesa.
Namorar uma “garota enxaqueca” não é fácil. Ela é ciumenta, possessiva e briguenta. Basta um olhar diferente em sua direção para a casa cair, às vezes, literalmente. Nem sempre elas reagem fisicamente, mas apanhando, batendo ou discutindo, te fazem passar vergonha. Muitos acham que este comportamento está relacionado ao nível social e intelectual da “fera” mas na verdade, isso pouco influencia. A insegurança e a posse cegam a qualquer um, independente da classe social e intelectual. Se ela já é a sua “pit bullzinha da mamãe” tente uma conversa franca e aberta. Deixe claro que você não está habituada a ter pessoas que reagem com tanta intensidade ao seu lado e que isto não te agrada. Deixe claro seus sentimentos, isso fará com que ela sinta segurança na relação. Se o caso for tão grave que nem focinheira resolve, procure ajuda profissional. Existem ótimos tratamentos para quem não sabe lidar com o ciúme excessivo. Há quem prefira uma espécime mais calma e mansinha. Se você não está disposta a domar esse Red Nose, então o jeito é bater em retirada. Seja ao lado da fera domada ou de uma mulher absolutamente zen, o importante é estar feliz. Sempre."

(por Nina Lopes, jornalista e editora da revista Sobre Elas)

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