Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza
<  Junho 2008  >
S T Q Q S S D
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30
Receba os posts
Terra Blog

12.04.07

A construção de uma identidade homossexual

categorias: É bom saber

A história da construção de uma identidade homossexual, no Ocidente remonta ao final do século XIX e ganha impulso quase um século depois, notadamente após os incidentes no bar nova-iorquino Stonewall Inn. Abaixo algumas datas marcantes para o movimento no mundo e no Brasil.

Quando tudo era mais difícil
Até a primeira metade do século XX, a homossexualidade foi estigmatizada, estudada, combatida e, em breves períodos, defendida.

1869 - O médico húngaro Karoly Maria Benkert cria o termo homossexual.
1897 - Surge na Alemanha o Comitê Científico Humanitário, primeiro grupo dedicado à defesa dos direitos de homossexuais. Seu fundador é o médico Magnus Hirschfeld, alemão de origem judaica.
1917 - Na Rússia, a revolução Bolchevique extingue antigas leis contra atos homossexuais. A repressão retornaria com a subida de Stálin ao poder.
1930 - Homossexuais são encaminhados ao Laboratório de Antropologia Criminal de São Paulo. São alvos de pesquisas biológicas.
1942 - A partir dessa data e até o fim da Segunda Guerra Mundial, entre 50 mil e 80 mil homossexuais são presos e enviados a campos de concentração na Alemanha. Os nazistas os estigmatizam com um triângulo rosa nos uniformes de trabalho.
1946 - Acabada a segunda Guerra, nasce a Associação dos Homossexuais Holandeses. Conhecida pelo discurso de vanguarda, a associação continua em atividade até os dias de hoje.
1948 - Publicado nos EUA “O Comportamento Sexual do Homem”, de Alfred Kinsey. O pesquisador revela que 37% dos homens americanos tiveram pelo menos uma experiência homossexual.

O começo da virada
A partir da mobilização de ativistas americanos, gays e lésbicas ganham as ruas, defendem direitos e encaram a Aids. Começam a contabilizar vitórias.

1969 - Homens e mulheres homossexuais enfrentam policiais que queriam interditar o bar Stonewall Inn, freqüentado por gays no Village, em Nova York. O confronto prolonga-se por dias. É a decolagem do movimento nos EUA. O dia 28 de junho passa a ser conhecido como Gay Pride Day (Dia do Orgulho Gay) e marca o início do movimento homossexual organizado nos EUA.
1970 - O movimento se radicaliza com a criação da Frente de Libertação Gay, em Londres. Dois anos depois, a primeira marcha do Orgulho Gay.
1972 - Dois mil participantes fazem a primeira Marcha do Orgulho Gay, também em Londres.
1978 - Em abril, nasce no Rio o jornal Lampião, editado por jornalistas, intelectuais e artistas homossexuais. É o início efetivo do movimento no Brasil. O jornal foi o principal veículo de comunicação da comunidade homossexual, e existiu até 1981.
1979 - Surge em São Paulo o ‘Somos’, primeiro grupo organizado de homossexuais do país.
1980 - É fundado o Grupo Gay da Bahia (GGB). O grupo é um dos mais atuantes do país e é reconhecido internacionalmente. É diagnosticado, em São Paulo o primeiro caso de Aids no país.
1989 - A Organização Mundial de Saúde retira a homossexualidade do rol das doenças.
1993 - É fundado o Grupo Arco-Íris no Rio de Janeiro.
1995 - Acontece em junho, no Rio de Janeiro, a 17ª Conferência Mundial da Ilga (International Lesbian and Gay Association). Ao final da conferência, os participantes promovem uma marcha que ficaria conhecida como a Primeira Parada Gay do Brasil, na Avenida Atlântica. Também nesse ano, a deputada federal Marta Suplicy (PT/SP) apresenta o projeto de Parceria Civil Registrada.
1999 - Uma resolução do Conselho Federal de Psicologia Brasileiro afirma que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio, nem perversão. A parada gay deste ano reúne 700 mil pessoas em Nova York, 200 mil em Paris e 20 mil em São Paulo. Em Brasília, o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, pede que o Código Penal qualifique como crime a discriminação a gays.

As igrejas entraram na mira dos supostos pecadores. Entre católicos e metodistas, denunciou-se nos EUA o afastamento de padres e pastores que ousaram celebrar uniões homossexuais. Em compensação, criou-se a Mesa-Redonda da Liderança Nacional Religiosa, organização que reúne dissidentes de diversos credos para defender os direitos de gays e lésbicas.

Empresas assumem a existência dos "diferentes" no mercado de trabalho americano. Multinacionais de peso, como a General Motors, a IBM e a Johnson & Johnson, desenham "políticas afirmativas" para evitar discriminação e investem em campanhas publicitárias. A cerveja Bud Light, por exemplo, fatura com o slogan "Seja Você Mesmo", acoplado à imagem de dois braços musculosos de mãos dadas.

O poder de fogo da minoria chegou à política: na corrida para a Casa Branca, o candidato republicano George W. Bush e o rival democrata Al Gore se atropelaram em acenos ao eleitorado. Na Inglaterra, onde três homossexuais integram o gabinete do primeiro-ministro Tony Blair, se propagou a bandeira do novo milênio: Qualidade Gay.

No Congresso Nacional Brasileiro, um grupo de alunos parou em frente a um cartaz perto do Salão Nobre. Um deles leu e disse em voz alta: - União Civil entre homossexuais já!? Que porra é essa? E saíram indignados com o que leram. Assim como esse grupo de alunos muitos deputados e senadores não têm consciência da forte discriminação e falta de proteção aos direitos dos homossexuais. Para que essa cena nunca mais se repita, foi lançado, no dia 08/10/2003 a Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual onde parlamentares trabalham com o propósito de executar ações que combatam a homofobia e articular apresentações e aprovações de propostas legislativas de nosso interesse. Nesta data eram 15 parlamentares. No dia 21/03/2007 foi lançada a Frente Parlamentar pela cidadania GLBT, uma versão atualizada da extinta Frente Parlamentar Mista pela Livre Expressão Sexual, que já conta com 200 parlamentares.

Mãe de jovem gay defende direito sexual 

“Não precisa ser gay nem ter medo de ser chamado de gay para participar. Apoiem nossa causa e estarão apoiando um parente ou, quem sabe, um filho, no futuro”. A citação faz parte da carta “O que é o amor?”, lida em fevereiro de 2007 pela dona-de-casa Adalgiza Lopes Assis de Freitas, 50 anos, apoiadora da Associação de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (AAGLBT), emocionando os participantes da reunião ordinária da Câmara Municipal de Limoeiro do Norte, que aprovou o Dia da Consciência Homossexual. Além disso, o prefeito de Limoeiro, João Dilmar, assinou documento em que defende os “direitos sexuais” e condena qualquer forma de discriminação na sociedade. Conquista como essa é rara no Ceará. Mãe de um jovem homossexual de 26 anos, Adalgiza Lopes representa as mães que têm filhos gays ou lésbicas dentro de casa, lida com o conflito no âmbito familiar e da sociedade, e defende o direito de que “o importante é ser feliz, independente do gênero sexual”. “Percebi que o meu filho era diferente, ele não saia com os outros meninos para jogar bola, preferia ficar em casa, ou brincar enfeitando as bonecas das amiguinhas, experimentar minhas roupas. Quando ele era criança, levei para uma psicóloga, para saber se não era algum problema”, conta Adalgiza. "Meu filho namorou garotas lindíssimas, mas via que não sentia atração por elas como por um homem. Hoje, entendo perfeitamente que devemos conviver com as diferenças, e isso não é doença. Tratamos do assunto abertamente em casa. Quero meu filho feliz”.

  • criado por  Mara* criado por Mara*
  • Postado em 04:53:52
2 comentários
Comente este post:




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, e-mail's, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.