Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza

Lara & Mara*

Para mulheres que amam mulheres com leveza e beleza
<  Outubro 2008  >
S T Q Q S S D
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31    
Receba os posts
Terra Blog

30.06.06

Homenagem a uma transexual: Christine Jorgensen

categorias: Homenagem

A norte-americana Christine Jorgensen é considerada a primeira transexual do mundo, tendo sido operada em 1952. Seu nome de batismo era George e sua profissão, militar e herói de guerra.

"Em 30 de Maio de 1926, nascia no Bronx, Nova York, George William Jorgensen Jr. O tímido filho de imigrantes dinamarqueses teve uma infância normal e feliz ao lado da irmã, mas, desde muito cedo, começou a experimentar os tormentos do transexualismo: a estranha sensação de ter cromossomos, hormônios e genitais de um sexo e a convição íntima de pertencer ao gênero oposto. Seu corpo já enviava as mensagens da confusão sexual: era muito magro, frágil e não tinha pelos no peito, braços e pernas. Embora contando com a compreensão e apoio irrestritos da família, à medida em que ia crescendo e preferindo brincar com bonecas e usar roupas femininas passou a se considerar uma fraude: homem por fora e mulher por dentro, chegando, várias vezes, a pensar seriamente em suicídio. Convocado pelo Exército Americano serviu durante a 2a Guerra Mundial, permanecendo, depois do Armistício, 14 meses num cargo burocrático, o que lhe possibilitou o contato com uma vasta biblioteca. Durante anos se empenhou numa pesquisa independente sobre cirurgia para mudança de sexo, fez cursos de fotografia e leu tudo que estava ao alcance sobre hormônios sexuais e desequilíbrios glandulares. Através de um amigo médico, tomou conhecimento de que cirurgias como a que procurava já vinham sendo realizadas na Dinamarca pela equipe do Dr. Christian Hamburger, integrada pelo psiquiatra Georg Stürup e pelos cirurgiões Paul Fogh-Andersen e Erling Dahl Iversen. Em 1950, George Jorgensen saiu de cena e voou para a Europa. Quem reapareceu três anos depois, chegada de Copenhaguen, foi Christine, uma vistosa loura envolvida em casaco de peles. Em meio ao tumulto, cerca de 300 jornalistas a aguardavam no aeroporto, disputando a chance de escrever com exclusividade sua história. Quando informou a seus pais, do leito do Hospital, que eles agora tinham uma filha, a resposta veio imediatamente por telegrama: “Amamos você mais do que nunca”. Os Jorgensen, de nível cultural modesto, deram ao mundo na jurássica década de 50 um exemplo de apoio, respeito e aceitação que deveria ser imitado pelas famílias de transexuais do século 21. Ela desejava que sua trajetória de homem para mulher fosse um fato privado. Mas, a indiscrição de um amigo da família trouxe a notoriedade que o assédio da mídia confere. Transformou-se numa digna embaixatriz da emergente comunidade transexual. Quinhentos milhões de palavras (correspondente a 15 livros de tamanho médio) foram usadas pela imprensa mundial, para registrar os resultados da primeira cirurgia de mudança de sexo comprovadamente bem sucedida. Abriram-se as portas para uma fulgurante carreira no show business e Christine Jorgensen passou o resto de sua vida sob luzes de palcos. Estreou no Orpheum Theater, em Los Angeles, narrando um documentário que dirigiu e filmou na Dinamarca. Trabalhou em casas noturnas e cassinos. Tornou-se cantora e apresentadora de talk shows. Reportagens sensacionalistas revelaram que poderia ter relações sexuais normais, mas jamais conceberia filhos. Sua voz era grave, bem modulada e sexy. Christine Jorgensen gostava de ser mulher e usava como prefixo musical a composição de Oscar Hammerstein II “I Enjoy Being a Girl”, que se tornou sua marca registrada. Sua atuação mais notável foi ter se transformado de objeto de ridículo e curiosidade pública em uma respeitada militante da tolerância sexual, referência emblemática dos transexuais. Com a fortuna acumulada durante os anos de carreira artística comprou uma mansão em Laguna Niguel, ao Sul de Los Angeles, onde recebia amigos e onde a vida era sempre uma festa. Morreu de câncer em 1989, vinte e sete dias antes de completar 63 anos. Foi cremada e suas cinzas atiradas no Oceano Pacífico."

(texto de Thereza Pires, jornalista e colunista do MixBrasil)

  • criado por  Mara* criado por Mara*
  • Postado em 02:02:31
Nenhum comentário
Comente este post:




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, e-mail's, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.